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dezembro 23, 2004

Emigrar ou não emigrar, eis a questão!

Por: Daniel Arruda


Há dias em que eu gostava de ser palhaço. No sentido profissional do termo.

Saber rir com vontade de chorar e melhor ainda conseguir fazer rir os que estão junto deles. Hoje é um desses dias! Estou chateado, furioso, completamente danado!


Ouvi a conferência de imprensa do Ladrão, desculpem, do Bagão e fiquei estupefacto. Já não bastavam os 1.500.000.000 de EUR. (escrevi com os números todos para não haver dúvidas) que foram roubados aos trabalhadores da CGD para hoje ser anunciado com pompa e circunstância um novo roubo de 1.000.000.000 de EUR.
Pior ainda, quando estes roubos são feitos com a conivência da mais alta figura do estado, o Presidente da República.

Há perguntas que têm de ser feitas e respondidas.

O dinheiro em questão alguma vez foi uma receita do Estado?

NÃO!

Este dinheiro era colocado ali mensalmente pelos trabalhadores da caixa para garantir a sua reforma. Mal comparado é a mesma coisa que o meu filho ter uma conta onde guarda o remanescente da sua mesada e eu, enquanto pai chegar lá e invocando despesas domésticas lhe retirar o seu dinheiro, sem a sua autorização.

Existem razões para invocar os altos interesses do Estado, e depois pôr 16.000 a pagar a incompêtencia de uma equipa governamental?

NÃO!

Durante os últimos 3 anos que estes interesses têm sido evocados, obrigando os Portugueses a sacrifícios enormes. Se Portugal pode ir parar ao banco dos réus na Comissão Europeia também era bom que os responsáveis por 500.000 desempregados, 200.000 pessoas a viver na miséria e de milhares de pessoas a viverem com menos de 1 EUR por dia fossem também parar ao banco dos réus na Justiça Portuguesa.

Os Trabalhadores da CGD merecem a nossa solidariedade, por maioria de razão, mas essencialmente porque eles têm razão e porque hoje foram eles, amanhã somos nós.

A maioria dos Portugueses não escolheu ser governado por uma direita populista e “fascizante”. A célebre frase “ser ou não ser, eis a questão” em Portugal, mudou por duas vezes em 3 anos. 1º passou a ser “Sobreviver ou não sobreviver, eis a questão” e temo que passe agora a “Emigrar ou não emigrar , eis a questão”


Nota: Não trabalho na CGD nem ninguém próximo o faz. Exerço apenas um dever de cidadania.

Publicado por Troll Urbano às dezembro 23, 2004 07:15 PM