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fevereiro 15, 2005

A contra-posta Parte II

Por: Daniel Arruda

Podia-mos ter ficado pela caixa de comentários, mas não, o meu amigo Troll zOinGo, do qual disse dispensar os seus comentários sobre cultura Hip-Hop – só pela razão que já sei o que ele pensa e eu discordar dessa linha de pensamento –, resolveu fazer uma posta sobre o tema pelo que me assiste o direito de também lhe responder desta forma.
Diz o distinto Troll zOinGo que o Movimento Hip-Hop nasceu assente em 3 pilares, todos eles artísticos. Dizer este tipo de alarvidades é quase o mesmo que dizer que a capoeira nasceu porque os escravos negros Brasileiros organizavam bailes para se divertirem ao fim da tarde e esquecer que capoeira era uma forma camuflada de luta. Mas voltando ao Movimento Hip-Hop. Se é verdade que ele demonstrou a sua razão de existir através de formas artísticas a sua verdadeira origem está nas formas de descriminação racial que em meados de 70 ainda estavam muito em voga nos EUA e especialmente em duas cidades. Nova Yorque e Detroit. Aliás Detroit e frequentemente esquecida só pelo facto de não se enquadrar nas teorias que “alguém” faz sobre Movimento Hip-Hop. Convém relembrar par quem se esqueceu, ou quis esquecer, que a, por Eminem dada a conhecer ao mundo, 8ª milha (8Miles) não é uma invenção do rapper mas sim uma barreira política e discriminatória. Discriminação no emprego, na política social, em suma na vida quotidiana do dia a dia. Não é a toa que muitos dos grandes nomes da cena Hip-Hop, são oriundos de Detroit.
Isto tudo para dizer que o Hip-Hop, mais que um movimento cultural que alguém comercializou e que muitos engolem como sendo o único e verdadeiro, é um movimento político e de combate social que ainda não saiu de moda ou que tenha deixado de fazer sentido. Quis o acaso e a conjuntura que este movimento fosse iniciado por Afro-americanos, mas em lado nenhum está escrito que este só a eles pertence. Aliás lá por Marx ser Prussiano o marxismo não é só aplicável aos Alemães pois não?
O movimento Hip-Hop, faz hoje todo o sentido. A minha posta anterior falava de um CD de Chullage. Que vive na Arrentela, concelho de Seixal, distrito de Setúbal. Um “Gettho”. Mãe solteiras, crianças de rua, país com empregos precários, toxicodependência, alcoolismo, and so one. Estas pessoas não são afro-americanas mas usam também as vertentes culturais ou artísticas do movimento Hip-Hop como forma de expressão, com o mesmo sentido e sentimento que os Afro americanos o fizeram em meados de 70. Pela simples razão que os motivos, as preocupações e os problema são idênticos.

Por fim e para guardar mais qualquer coisa para o próxima posta, dizer que usar o argumento que há putos que não sabem o que quer dizer RAP ou MC é tão coerente como atirar á cara de um qualquer puto das Juventudes Leoninas, No Name ou Super Dragões, que não sabe o qual o lema do Sporting, a tradução do lema do Benfica ou o porquê do símbolo do Porto ser uma bola de basket. Gente parva há em todo o lado e não é por isso que clube é menorizado. Se calhar são esse putos que tal como o zOinGo não sabem ver para além do comercial que grassa no movimento Hip-Hop mas que não é o movimento.

Publicado por Troll Urbano às fevereiro 15, 2005 09:34 AM