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fevereiro 06, 2005

As alternadeiras

Por: Daniel Arruda

"A Associação de Bares da Zona Histórica do Porto (ABZHP) quer ver o alterne legalizado"

Ora aí está uma revindicação justa. Digo isto sem o mínimo de hipócrisia ou cínismo. Digo-o porque já o defendo há muito tempo, não só para as alternadeira, mas também para as prostitutas. (não é a mesma coisa).

A hipocrisia está sobre o não se querer legislar sobre uma actividade que existe, que comporta riscos para os e as profissionais, que mexe com o problema da imigração e das máfias e porque em muitos casos existem ligações com os sistemas de lavagem de dinheiro.

Mas convém primeiro defenir o que é uma alternadeira. É uma pessoa que a troco de uma gratificação fornece aos clientes companhia na mesa de um bar ou na pista de dança. Esta é a definição de alternadeira que em muitos casos, e justamente diga-se, se confunde com a prostituição pois existem também Homens e Mulheres (sobretudo Mulheres) que para além da companhia fornecem também favores de natureza sexual.
Mas volto a referir que uma alternadeira por definição não é prostituta.

Não quero entrar na discussão sobre a questão da venda do corpo, até porque na questão das alternadeiras esta questão não se poe mas lanço uma questão. Uma Stripper é o que? Em Portugal não são nada. Como não podem ser alternadeira porque a figura não existe na legislação portuguesa, embora em muitos casos também desempenhem essa função. Não são reconhecidas como artistas, embora seja o mais aproximado da realidade a ponto de em sociedades avançadas como a Sueca, Filandesa, Alemã ou Holandesa ser essa a profissão de uma Stripper. Aliás, nas sociedades que eu acima descrevi a prostiuição também é legal, com vigilancia médica, impostos o que provoca que as prostitutas estejam ao abrigo da Segurança Social com todos os diritos e deveres inerentes.

Mas o tema é alternadeiras. Ainda gostava que alguém me explicasse qual a ilegalidade que as alternadeiras cometem para não serem reconhecidas como profissão. Roubam? Obrigam os clientes a algo que estes não queiram? Ofendem a moral pública?
Por exemplo. Uma pessoa pode arranjar uma dama de companhia para o seu avó que tem 75 anos, mas não pode arranjar uma dama de companhia para o seu pai que tem 40.
Esta é sem dúvida mais uma das hipócrisias do nosso país. O que vale é que ainda existe sociedade cívil que cá está para relembrar ao poder politico que existe modernidade e que essa modernidade não são o TGV nem a Internet. São fundamentalmente os hábitos e os costumes.

Publicado por Troll Urbano às fevereiro 6, 2005 11:54 PM