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fevereiro 26, 2005

Desvio estalinista ou uma euforia mal medida

Por: Daniel Arruda

O BE é sem dúvida nenhuma um fenómeno. E podem acreditar que digo isto sem nenhuma alegria. É um fenómeno de invejas e de mesquinheses sem precedentes em Portugal. Durante a campanha várias vezes deixei nos meus post o reparo de que o BE deveria ser a única força política atacada da direita á esquerda, como se de saco de pancada se tratasse. Sempre julguei que depois dela, estes ataques diminuiriam até porque o resultado das esquerdas dá margem de manobra a todos que se apresentem ao eleitorado com ideias próprias, com os seus conceitos e as suas atidudes, como é normal num estado democrático.
Puro engano. Hoje no DN, Rubens de Carvalho, reputado dirigente comunista, faz a sua 1ª crónica pós eleições e pasme-se, quem é que ele elege como alvo a abater, o BE, pois claro. Diz o dito político que “Ora o que coloca o Bloco como medida exemplar para o início da governação da maioria socialista, a "prova" das orientações que pretende adoptar? A realização de novo referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez!". Como até reconheço ao dito senhor alguma lucidez política sou obrigado a acusá-lo de desonestidade política.
O Sr. Rubens de Carvalho sabe tão bem como eu que a 1ª das prioridades do Bloco durante toda a campanha foi o emprego, e sabe tão bem ou melhor que eu que o problema do (des)emprego não se resolve por decreto. Que envolve políticas em diversas áreas, que mexe com a macro-economia, em suma, não é uma questão para ontem, embora a sua dimensão obrigue a que se tomem medidas urgentes.
Por outro lado, uma afirmações como aquelas que vêm no seu artigo de opinião caiem mal num dirigente de um partido que durante toda a campanha acusou o PS de ser mais do mesmo, dos seus desvios “direitistas” em suma de ser uma direita camuflada de esquerda, vem agora acusar quem logo na noite das eleições quis pôr a limpo a questão da tendência socialista. Era a hipótese de ouro de, por um lado o PS defenir que rumo quer dar á governação e por outro, e mais importante que o 1º, resolver o problema de milhares de mulheres que anualmente abortam. Uma outra questão que não é de somenos importância é o facto do actual inquilino do palácio de Belém aceitar este referendo. Será que se lá estiverem Guterres ou Cavaco o aceitarão?
Por outro lado Rubens de Carvalho, acusa o Bloco ainda que indirectamente de desta forma inviabilizar que o novo parlamento leglisle sobre esta matéria pois com a clara maioria que a esquerda detem no hemicíclo deveria ser o Parlamento a decidir e não dar a voz ao povo. Em relação a isto há alguns comentários a fazer. 1º é que se o PS estivesse na disposição de resolver este problema, que não está, nada o impediria de tomar essa atitude, o BE apoiaria, porque não queremos as causas com arma de arremesso mas sim para resolver efectivamente os problemas. Em 2º lugar podemos discutir se os direitos indeviduais são ou não referendáveis, mas se temos a certeza absoluta que esta é uma vontade do povo, não tememos referendos pois só os fracos é que temem o povo, os que acreditam nas causas rspeitam-no. Em 3º lugar porque não se deve dar á direita o ônus de poder um dia dizer que a esquerda não deixou o povo escolher e como tal tomar atitudes que vão em contra os interesses da nação.

Por fim uma questão que vou deixar em aberto pois é neste ponto que a desonstidade de Rubens de Carvalho chega ao limite é o facto de deixar implícito um qualquer acordo que pudesse haver entre o PS e o BE.

Publicado por Troll Urbano às fevereiro 26, 2005 05:58 PM

Comentários

Só pessoas como o senhor Rubens que se mostrou desatento e tendencioso em relação a campanha efectuada pelo bloco pode fazer afirmações deste calibre.
São sinais de andam preocupados com quem anda preocupado com o nosso Portugal.
O porquê é que eu gostava de saber.

Publicado por: The Wolf às fevereiro 26, 2005 09:35 PM

Bom texto. Concordo contigo em absoluto!

Publicado por: cachucho às fevereiro 26, 2005 10:13 PM

O Sr. Ruben Carvalho, tem efectivamente um problema de postura democrática, mas não é só ele, é todo o partido, pois confundem antifascismo com democracia quando o fascismo foi derrubado viu-se o que iam fazendo á democracia.
Se o PS obrigou, com uma maioria de esquerda no Parlamento, a um referendo sobre o aborto ( o que foi uma burrice, com 134 deputados de esquerda em 230) e se os votantes maioritariamente votaram não, agora, em minha opinião, há que dar a voz ao povo e permitir um novo referendo, que de uma vez por todas nos tire da idade média no que diz respeito (para já) a esta Lei que, humilha as mulheres portuguesas.
Ninguém pode assim afirmar que o Parlamento altera a vontade dos referendos, se não amanhã a direita em maioria pode fazer o contrario.
Podendo chegar a situações caricatas de o Povo votar contra o referendo pela constituição europeia e o parlamento com uma maioria favorável votar a favor.
A democracia tem destas coisas e a diferença entre o BE e o PCP é principalmente uma questão de postura democrática

Publicado por: furavidas às fevereiro 28, 2005 10:00 AM