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fevereiro 25, 2005
Uma pequena reflexão
Por: Daniel Arruda
"número de desempregados subiu 4,1 por cento em Janeiro"
São os efeitos da esperada retoma. Tendo em conta que estes dados são relativos a Janeiro podemos esperar que nos dados de Fevereiro e Março estes números aumentem devido ao processo de falência de diversas empresas no Norte do país, nomeadamente no Vale do Ave.
Por este andar devemos em Junho estar perto de valores que nos indiquem que 1 em cada 2 agragados familiares têm pessoas desempregadas sendo que o desemprego de longa e longuíssima duração, aquele que não faz parte das estatísticas mas que socialmente é muito mais gravoso, pois as pessoas já não estão ao abrigo de subsidios estatais, aumenta também drásticamente.
Como diz Eugénio Rosa num dos seus estudos, "Num ano apenas, o desemprego de longa duração ( com um ano ou mais) cresceu 39,1% em Portugal, mas o desemprego de longuíssima duração (com 25 meses ou mais) aumentou 67,3%, o que revela dificuldades crescentes de uma parte significativa dos desempregados em encontrar emprego podendo estar a caminhar-se, se não forem tomadas medidas urgentes para inverter tal situação, para a exclusão social de um numero crescente e muito significativo de portugueses.", ou ainda no mesmo estudo "Cerca de 74% dos desempregados têm apenas o ensino básico ou menos, o que dificulta a sua reinserção no mercado de trabalho. Por outro lado, 97.200 desempregados (cerca de 26% do total) têm o ensino secundário ou superior (43.600 desempregados têm o ensino superior), o que indicia um elevadíssimo desperdício de mão de obra qualificada ou potencialmente qualificada num País de baixa escolaridade ".
Estes dados poderiam e deveriam levar-nos a algumas análises que também podem ser conjugadas com algumas promessas de campanha eleitoral, sim porque nunca será cedo para ir relembrando o Eng. José Sócrates que os Portuguêses confiaram nele por alguma razão e confiaram na totalidade da esquerda por maioria de razão.
Comecemos, pela primeira "promessa" e se calhar a mais importante de todas, reduzir o peso dos funcionários públicos na despesa corrente do estado reduzindo para isso 75 mil funcionários e criando ainda assim mais 150 mil postos de trabalho que aqueles que actualmente temos.
José Sócrates sabe que no consulado Guterres, e segundo uma recomendação da União Europeia que dizia que Portugal tinha o nível de escolaridade mais baixo no que a funcionários públicos dizia respeito, foram efectuadas admissões de pessoas com curso superior de modo a subir a média de escolaridade da função pública portuguesa. Ora sabemos também que esses mesmos funcionários neste momento fazem parte na sua maioria dos quadros do Estado. O que sabemos também que os funcionários a serem despedidos serão aqueles com menos qualificações, o que em Portugal normalmente quer dizer escolaridade, exactamente aqueles que depois têm mais dificuldade em arranjar novo emprego.
Este entrelúdio todo para quê? Para se poder ver que a criação de empregos não é como o Eng. José Socrates disse na campanha um assunto dos privados. É um assunto de estado. Se até podemos concordar, embora não haja dados sobre isso, que existem demasiados Funcionários Públicos, o que eu dúvido, para nao admitir mais ninguém no Estado, não podemos esperar que os privados invistam em mão de obra muitas vezes pouco qualificada sob pena de nos tornar-mos um país cada vez mais escravo de empresas nómadas. É aí que se torna um assunto de Estado. O investimento na formação profissional, na requalificação das pessoas.
Por vezes parece-me que o discurso obtuso de Sócrates é de tal maneira propositado que não deposito grandes esperanças na revogação de uma norma que seja do Código de Trabalho, no investimento político que o acordo de intenções assinado no final do ano passado entre sindicatos e confederações partonais passe à prática, que o modelo de formação e requalificação profissional para desempregados não passe do papel.
Urge que se invista nas pessoas, de uma vez por todas, para que se possa travar a curva descendente que o emprego em Portugal teima em manter e iniciar o cumprimento da promessa dos 225.000 (75.000+150.000) que os portugueses bem precisam. É uma questão de investimento, não na criação de empregos mas na criação de condições para que as pessoas se voltem a tornar "empregáveis"
Publicado por Troll Urbano às fevereiro 25, 2005 04:18 PM