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março 22, 2005

Deus falou comigo

Por: Daniel Arruda

Desculpem o tamanho da posta mas não se responde a Deus de qualquer maneira.

Sou um homem feliz. Deus falou comigo e não foi de nenhuma forma sobrenatural. Deus socorreu-se das novas tecnologias e cá vai disto, resolveu dedicar-me um post.
Mas não foi um post qualquer. Foi um post de defesa da honra da bancada. Foi uma resposta a uma posta que eu tinha escrito a Rodrigo Moita do Acidental. Nós sabemos que o pessoal de direita e extrema-direita é unha e carne com a religião, mas sinceramente nunca pensei que fosse o próprio líder a responder-me. Mas gostei. Aliás é sempre bom darmo-nos com os poderosos e Deus é conhecido lá na minha rua como o Todo-Poderoso. Vá se lá saber porquê.

Ao contrário de Deus que teve dúvidas quanto ás minhas capacidades humorísticas, que eu desconhecia que tinha, eu confesso que fiquei esmagado com o argumentário Dele.
Foi de tal maneira violento que só hoje pude responder. Sentia-me como se me tivessem caído 50 nuvens em cima, ou melhor, como de Deus se trata e ele não faz o trabalho sujo sozinho, e para ser fiel à posta que origina este texto, como se 1000 Espíritos Santos (não confundir com o jogador do Benfica da década de 60) em forma de pomba me tivessem cagado em cima, tal foi a merda que foi debitada naquele post.

Facilmente encontraria na posta que Deus tão generosamente (e aqui inclino-me perante o seu génio) me dedicou, argumentário para apelidar Deus de machista, sexista e outras coisas acabadas em istas ou fóbico. Mas não o faço. Não que Deus não merecesse, que merece de facto, mas pelo simples facto de não querer ofender a sua distinta personalidade e não manchar a minha folha de serviços com alguém que não existe a não ser na mitologia.

Foi exactamente aqui que eu tive a minha primeira dúvida. Será que Rodrigo Moita foi fazer queixa a Deus, ou Deus como omnipresente leu a minha posta e tomou como suas as dores de Rodrigo Moita, ou melhor Rodrigo Moita e Deus são um só e então teríamos um Rodrigo Moita de Deus.

Confesso que esta última hipótese me assusta, pois aí o caso passaria a ser de foro clínico. Um problema de dupla personalidade. Mais ou menos como aquele doentes que se encontram no Hospital Júlio de Matos ou no Miguel Bombarda que se julgam o Napoleão Bonaparte.
A aceitar como válida a última das 3 hipóteses temos um problema grave, pois ficamos sem saber se ele faz de Deus, ou se se julga efectivamente Deus. Sabemos apenas que ele é Rodrigo Moita.

Se calhar para conseguir-mos resolver este caso de uma forma mais ou menos séria se calhar é melhor analisar-mos o sujeito em questão recorrendo a diversas opiniões por ele expressas.

1ª Posta para análise
Coisas realmente importantes
Que vergonha! Que horror! Que nojo! As fotografias da “pimpinha”! Que vergonha para ela, para a mãe, para o Portas, para o Santana, para a direita democrática e para o pároco de Santos-o-Velho. Que horror! Que nojo! Que vergonha! Uma menina tão nova...quantos anos de cadeia dará a compra da Maxmen deste mês?

Rodrigo Moita revela aqui a sua ortodoxia religiosa á qual não deve ser alheia a influência do seu “outro eu”, ou seja Deus. A ideia de se fazer uma posta sobre a capa da Maxmen deste mês revela no entanto um recalcamento, aliás bem evidente em todo o percurso deste personagem. Por um lado condena, mas por outro confessa que olha pelo menos para a capa, se é que não é assinante, da dita revista.
Existe aqui uma óbvia contradição entre os dois personagens que coabitam no mesmo espaço físico, que é o corpo de Rodrigo Moita de Deus. Se por um lado Deus contesta, Rodrigo Moita deleita-se.

2ª Posta para análise
O Acidental à escuta – novidades
Muitos blogues novos para ler. Gente conhecida que já acompanhava, caras amigas, gente lá de casa e até família. Pelo caminho O Acidental até é nomeado para um Belasco.
Ou
Entretanto no PSD… Quanto da alma é necessário vender para ganhar o congresso?

Aqui o autor não levanta nenhuma contradição. A figura que aqui fala é o “outro eu”. Esta particularidade está bem patente nas alusões religiosas e também na situação de culto criada através da evocação das diversas seitas adjacentes. No fim evoca a sua grandiosidade para deixar clara a sua superioridade.

Noticiários da uma – poste com bolinha
Parece que mais de quarenta por cento das adolescentes recorre ao coito interrompido como método de contracepção. Pergunto-me: desde quando uma mal dada é método seja do que for?

O contrário do exemplo anterior. Aqui Rodrigo Moita mostar a sua faceta mais dada à luxúria. A pergunta na perspectiva do “outro eu” deveria ser “desde quando uma por muito bem dada que seja não deverá ter por fim a procriação”.

Por fim, notei que Deus me deixou no seu post algumas interrogações e questões, ás quais vou responder de forma sucinta.
As preocupações com as mulheres que me são imputadas não são preocupações pois eu, ao contrário de alguns "ícones" da sociedade machista e patriarca defendida por Deus, acho que de tão iguais que são, as mulheres não precisam que eu, espécime masculino da raça humana, as defenda. Por isso não se trata de votos ou de engatar “gajas”. Não vou dissecar sobre uma questão chamada razoabilidade ou simples bom senso, pois se o distinto Deus não se lembrou disso quem sou eu para o fazer.
Não percebo a sua obsessão com as questões de sexo e de cama. Será que isso é outro recalcamento de que sofre? Não me diga que as mulheres o têm maltratado tanto que se sente na obrigação de as rebaixar. Ou será que é mesmo um problema de impotência?
Quanto á questão de eu poder usar saias, repondo-lhe com uma frase que o seu “outro eu” pode interpretar melhor que o Rodrigo. A inveja é a arma dos incompetentes e também um pecado mortal.

Publicado por Troll Urbano às março 22, 2005 01:07 PM

Comentários

Dani, acabaste de assinar a tua entrada no inferno.

Publicado por: The Wolf às março 23, 2005 07:36 AM

Caro Troll urbano, não obstante a graça que achei a este post, e apenas a propósito dos incompetentes por si referidos, devo avisá-lo que CONSEGUIR-MOS e ANALISAR-MOS são duas grandes calinadas! Experimente CONSEGUIRMOS e ANALISARMOS, e veja lá se não fica melhor...
E já agora, ainda na mesma frase, repare que a repetição do "SE CALHAR" constitui, também ela, uma outra grande calinada! Experimente tirar uma destas expressões e veja lá se coisa não fica mais direita (como aliás, tudo deveria de ser)... Cumprimentos,

Publicado por: miguel caldas às abril 14, 2005 05:35 PM