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março 22, 2005
Uma nova cultura de esquerda
Por: Daniel Arruda
A mim, como devem calcular parece-me bem, até porque é uma posição defendida desde sempre. Mas permitam-me duas linhas que podendo nesta altura parecer á margem da situação, fazem toda a diferença em todo o processo.
Desde a recolha de assinaturas do abaixo assinado para a despenalização do aborto no ano passado que o BE tem feito um trabalho de paciencia e de combate pela alteração da lei, (não que antes não o tivesse feito), sempre em união de esforços e de parcerias com todos/as que querem mudar essa lei hipócrita. Aliás ontem no debate parlamentar Louçã relembrou isso mesmo ao 1º Ministro, frisando o facto de terem estado juntos a recolher assinaturas na rua. Não é à toa que hoje o Bloco é o parceiro preveligiado nesta matéria quando da articulação de formas e de datas se fala.
É a nova cultura de esquerda que começa a dar os seus frutos. Não interessa quem é que muda a lei, com que protagonismo, o que verdadeiramente importa é que ela mude, a bem das pessoas.
Foi assim na reforma fiscal abortada, e mal, pelo governo PSD-CDS, foi assim com as iniciativas contra a guerra, será assim, pelo menos espero, na luta pela despenalização da IVG.(e acredito que mais virá)
Não me esqueço de quem na noite eleitoral atirou pedras pelo simples facto de haver alguém que levantou a questão, dizendo-a fora de tempo, não prioritária, e que agora se queixa por estar fora do processo. Em democracia não há espaço para fundamentalismos bacocos e muito menos para dogmatismos ultrapassados.
É esta que se pode chamar uma nova cultura de esquerda sem dogmatismos, sem verdades absolutas, com a certeza que com o diálogo e a confrontação sã se pode trabalhar para o bem estar da população.
Publicado por Troll Urbano às março 22, 2005 09:02 AM
Comentários
Não poderia estar mais contente. Finalmente vamos ter oportunidade de acabar com esta lei miserável.
Relativamente à posição do Bloco, não só a acho correctíssima como também responsável. O referendo impõe-se não apenas porque esta é a única forma que o PS aceitou para mudar a lei, mas também porque me parece necessário ganhar a luta onde a perdemos: e perdemo-la nas urnas. Mais, ganhando o referendo torna-se mais difícil às direitas conservadoras virem depois mudar novamente a lei. Porque só o poderão fazer por referendo e quero ver quem tem coragem de fazer um refrendo para recuo da lei perguntando se se deve retirar a cláusula que permite que as mulheres não vão para a prisão. Uma campanha de recuo da lei teria inevitavelmente que perguntar se se acha que as mulheres devem ir para a prisão. Torna-se, parece-me, muito difícil fazer recuar posteriormente aquilo que espero ganhemos neste referendo.
Uma palavrinha à posição do PCP. Parece-me que ainda não perceberam que mais do que marcar agenda o que é importante é criar maiorias sociais. Preferiram marcar calendário e não disputar a mudança da lei onde ela tinha que ser disputada: na exigência imediata de um referendo. Agora, terão que apanhar o comboio em andamento se o quiserem apanhar. Fico desolada com este tipo de manobras que têm apenas em atenção as contabilidades partidárias e não a vontade responsável de mudança. Fazer o referendo e fazê-lo já é o cenário mais favorável à mudança não apenas porque o Sampaio o convocará mas também porque se vive um período de alguma confiança na mudança social. Deixá-lo para depois, sem garantias de convocação por parte do futuro Presidente da República e num período de menos confiança social, seria arriscar uma oportunidade.
Vamos ao referendo e vamos para ganhar!
Publicado por: kollontai às março 22, 2005 12:59 PM
Kollontai, o tema que tu expoes das maiorias sociais é realmente da máxima importancia para se perceber parte do quadro político actual e a quem pouca gente parece dar importancia.
Tens total razão no teu comentário.
Publicado por: Daniel Arruda às março 22, 2005 01:18 PM
A IVG (Interrupção Voluntária da Gravidez) e o AOP (Abolição Obrigatória da Paneleirice) são duas matérias importantes que urge referendar.
Temos de dar graças, pelo facto de tudo apontar que a IVG será referendada, mas todo o cuidado é pouco, pois soa a um acto de direita (aproveitado por alguma esquerda…), no sentido em que esta lei irá permitir a legalização duns quantos abortos e aberrações, que têm feito deste Portugal o penico da Europa…
Quanto ao AOP, é imperioso e urgente referendar esta matéria, pois não estou a ver que o bom povo Português, não reaja sem fazer sangue, a algumas provocações paneleirentas… Não se admite em pleno séc. XXI haver mortes por tão estúpida opção de utilização das partes que Deus nos deu… porque a natureza é pródiga, e porque esta matéria ultrapassa a esquerda e a direita, envolvendo toda a sociedade, é importante tomar uma atitude inteligente e de grande visão, pondo desde já cobro a esta prática digna dum circo Romano…
Da mesma forma que nós Portugueses fomos pioneiros na abolição da escravatura, dando assim uma lição ao Mundo, deveríamos ter a coragem politica de referendar a AOP (até pagava para ver quem ganhava!!! Ah, ah, ah…) …
Publicado por: xico às março 22, 2005 03:01 PM
Xico, posso fazer uma pergunta indiscreta?
Qual a utilidade que tu dás ás partes que Deus te deu? e já agora quais é que são essas partes?
Um bem haja Xico.
Publicado por: Daniel Arruda às março 22, 2005 07:18 PM
até ao verão?
Publicado por: golfinho às março 22, 2005 11:23 PM