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abril 20, 2005
Então Sr. Presidente ?
Por: Daniel Arruda
Parece que o "nosso" presidente da República não vai permitir a realização do referendo sobre a Interrupção voluntária da gravidez até ao verão. O que na realidade implica que Jorge Sampaio vai limpar as mãos tal qual Pilatos pois sabe que já não vai ser ele a convocar o referendo. Será o próximo inquilino do Palácio de Belém.
Eu não sei quais as razões para esta incomprensível tomada de posição. Se calhar Sampaio ficou incomodado com o aviso de Marques Mendes no congresso do PPD-PSD. Talvez incomodado com o porte atlético do presidente do PPD-PSD. Ou talvez, e essa até é compreensível, que não se deve descriminar as minorias, que é aquilo que o PPD-PSD se tornou, quer eleitorlmente quer a nível de opinião.
Agora é a vez do PS se decidir. Esgotadas as vias para uma solução referendária, por razões desconhecidas à sociedade, a maioria parlamentar deve assumir as suas responsabilidade. Não podem alguns partidos de esquerda serem acusados de não terem esgotado todas as formas de levar a questão a referendo. O Presidente da República e a direita são os únicos responsáveis para que esta situação aconteça.
Pela minha parte, e fui dos mais entusiastas partidários do referendo, por razões que já aqui apresentei, não hesitarei um minuto que seja em lutar para que nestas condições seja o parlamento a tomar a decisão.
A direita depois que fique a ganir pelos cantos que melhor entender.
Publicado por Troll Urbano às abril 20, 2005 04:12 PM
Comentários
Nada tenho a ver com o PC, mas acho que são os únicos que desta vez têm razão. Referendo para quê? Para as beatas virem dizer que querem comer as criancinhas? Há uma maioria faça-se a lei.
Publicado por: João Norte às abril 20, 2005 05:19 PM
João Norte, Plenamente de acordo.
Publicado por: The Wolf às abril 20, 2005 05:41 PM
João Norte, Existem razões mais que suficientes que levam a que se devesse fazer o referendo. Já escrevi sobre isso noutras postas. Se este se realizasse no espaço de tempo mais curto possível. Ora isso pelos vistos vai ser inviabilizado pelo Presidente da República. Havia e há tempo para se fazer o referendo a 26 de Junho. Data perfeitamente normal e que não coincide com as férias da esmagadora maioria dos portugueses.
Como disse no post. Neste momento e perante esta situação também sou favorável a que o Parlamento decida por ele próprio. O que é inconcebivel é que continuemos a ter mulheres julgadas por aborto até Setembro do próximo ano, isto se o referendo for em Abril/Maio. A 1ª hipotese constitucionalmente possível.
Publicado por: Daniel Arruda às abril 20, 2005 05:52 PM
Daniel, o Sampaio não é Pilatos, é Judas. O Sampaio se não convocar o referendo não está a lavar as mãos, está a trair. Uma vez mais, por sinal. Traiu em Julho quando devia ter dissolvido a Assembleia e não o fez. Eu sou das que não acredita que ele o fez por querer dar tempo ao Santana para se estatelar. E mesmo que o tivesse feito, em Julho havia legitimidade e necessidade de dissolver a Assembleia. Mas adiante.
No aborto trai de novo. Não o convocar deixa para o Cavaco a decisão. Ele não lava as mãos, ele entrega o ouro ao bandido. Será Judas se não o convocar.
Quanto à necessidade do referendo, também já expressei a minha opinião muitas vezes: devemos ganhar a luta onde a perdemos - nas urnas - e dessa maneira inviabilizar que as direitas possam depois recuar na lei quando voltarem a ser poder. O que é necessário é uma legitimação maioritária e democrática. Aprovar a lei no Parlamento pode só resolver o problema conjunturalmente e precisamos de resolvê-lo estruturalmente. E que melhor maneira há de obrigar o SNS a ser capaz de responder a uma lei senão pela exigência de uma mudança ganha na sociedade através do voto popular?
Publicado por: kollontai às abril 20, 2005 10:03 PM
De acordo contigo e se bem entendi não defendes a aprovação meramente parlamentar. É aí que discordamos. A esquerda não pode ser acusada de não ter lutado pelo referendo. Não me apeteçe esperar até setembro do ano que vem. No mínimo deve ser criada legslação que suspenda as investigações e os julgamentos até ao referendo. Seja ele quando for. Só que issonão resolve o problema das condições em que o Aborto é feito. Por isso neste momento a luta não pode ser outra que não a iniciativa parlamentar.
Publicado por: Daniel Arruda às abril 20, 2005 11:07 PM
Eu vou esperar pelo Sampaio para construir novos cenários. O que me parece é que a lei na Assembleia resolve apenas a questão burocrática. Acho mesmo que precisamos de um sinal claro da mudança das mentalidades o que nos leva de novo ao referendo. Eu não quero esperar para Setembro ou para o próximo ano. Quero é que o Bloco e o PS pressionem o Sampaio para Junho. Se o Sampaio não o convocar, parece-me que dependemos do PS e daquilo que eles quiserem fazer. Mas eu neste momento continuo a querer Junho e a reservar os últimos dias de férias que me sobraram das Legislativas para essa campanha.
E, em jeito de confissão, eu que não votei no Sampaio neste último mandato mas votei no primeiro, sinto-me verdadeiramente traída por ter acreditado que tinhamos um presidente de esquerda. Mesmo que convoque o referendo, aquilo que anda a dizer sobre a pertinência do referendo e das datas mete-me nojo.
Publicado por: kollontai às abril 21, 2005 11:18 AM