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abril 26, 2005

O fundamentalismo católico em Timor.

Por: Daniel Arruda

Eu tenho andado a pensar se escrevo sobre este tema ou não. Ando vai para uma semana a pensar se vale a pena criar mais uma guerra contra fundamentalistas católicos que são incapazes de reconhecer que em nada são diferentes das outras religiões fundamentalistas.

Esperei para ver se o novo Papa num gesto fundamental fosse capaz de travar aquilo que pode ser a 1ª guerra religiosa do novo papado. Passado uma semana o Bento XVI nada diz sobre o assunto.

A situação está a atingir limites do insuportável. As partes em conflito começam a extremar posições mas parece, a julgar pelo comportamento da comunidade internacional, que nada se passa.

As manifestações em Dili continuam, de um lado o governo do outro lado os bispos católicos. Pelo meio uma barreira policial. Por cima as ameaças da Fretilim e da Igreja. Tudo por causa de uma lei que faz com que o ensino da religião e moral não seja obrigatório nas escolas e passe a ser facultativo a quem realmente o queira.
Não me parece nada de mal. Não deve ser o Estado a fazer o papel da Igreja. Até acho que o ensino da religião e moral católica só deveria ser permitido de forma facultativa nas escolas que também disponibilizassem o mesmo tempo para as outras religiões. O que é mau é o facto de se verem imagens da virgem e de Jesus de Nazaré crucificado em manifestações de guerra e de confronto. Por muito que essas imagens não me digam nada admito a importância que poderiam ter na manutenção da paz, mas não concebo que sejam usadas em nome da guerra civil que a Igreja Timorense pretende instaurar.

Convém dizer que Timor é composto por uma maioria de 96% de católicos e é governado por um muçulmano. Um muçulmano que já deu provas de anti-fundamentalismo e de moderação, ao contrário daqueles que no mundo dizem defender a tolerância e o respeito pelo próximo.

Acho que é chegada a altura de se fazer alguma coisa. O Vaticano, os governos Europeus (especialmente o Português) e a sociedade timorense que não deve querer outra guerra civíl como aquela que deu origem à ocupação indonésia em 1975.

Publicado por Troll Urbano às abril 26, 2005 02:02 PM

Comentários

Ainda bem que falaste no assunto porque também eu já andava um bocadinho irritada. A proposta do Governo não só é absolutamente justa como até um bocadinho reformista. Pela minha parte acho que na escola não deve haver religião nenhuma, nem facultativa nem obrigatória. A filiação religiosa deve fazer-se fora da escola que deve ser laica. A filosofia e a história das ideias podem abordar a religião nos seus programas mas de um ponto de vista "científico" e não confessional.
Percebo que este era um passo demasiado grande para ser dado num país onde o catolicismo foi tão importante na resistência ao poder indonésio.
Mas podemos agora lembrar-nos do contributo que todos e todas (ou quase) demos para esta situação quando o Ximenes Belo foi recebido como chefe de Estado em Portugal.

Publicado por: kollontai às abril 26, 2005 05:05 PM

Ainda bem que eu pertenço ao "quase" pois para mim nem Nobel tinha sido pois a memória é curta. Alguém se lembra do papel da igreja na invasão Indonésia de 1975??

Eu lembro. De ler claro.

Publicado por: Daniel Arruda às abril 26, 2005 06:59 PM