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maio 28, 2005
Ratzinger, o Nazi
Por: Daniel Arruda
A seguir vai um texto sobre Bento XVI - Ratzinger que critica o conceito europeu de liberdade (Público 11 de Maio, sem Link disponível)
Pudera...!!! Depois desta imagem
"Para sobreviver, a Europa necessita de uma nova - e certamente crítica e humilde - aceitação de si mesma, se quiser sobreviver". Palavras de Joseph Ratzinger alguns meses antes de ser eleito Papa, e de ter escolhido para nome pontifício a evocação a São Bento, padroeiro e símbolo máximo da unificação do Velho Continente, obra que o novo líder da Igreja Católica quer prosseguir, contra tudo e contra todos.
Bento XVI tem uma ideia da e para Europa, na linha, aliás, do seu antecessor João Paulo II, para quem "o reconhecimento explícito no tratado (constitucional da União Europeia) das raízes cristãs da Europa é a principal garantia do futuro para o Continente". Mas o texto, mais tarde apresentado por Valéry Giscard d'Estaing, menciona "as heranças culturais, religiosas e humanistas", sem qualquer referência explícita ao cristianismo. Os apelos do falecido Papa polaco, iniciados desde que foi formada a Convenção para elaborar o tratado constitucional, não foram atendidos. Nem as suas constantes críticas contra a exclusão de representantes das principais confissões religiosas naquele grupo de trabalhos. "A Igreja Católica está convencida de que o Evangelho, que foi um elemento unificador dos povos europeus durante séculos, é ainda hoje uma fonte inesgotável de espiritualidade e de fraternidade", disse João Paulo II em 2003.
O texto que está para ratificação pelos vários Estados da União não agrada à Santa Sé, embora no artigo 52.º se afirme que estão garantidos os direitos institucionais das igrejas - o que deveria dar aos crentes alguma tranquilidade. "Mas isso apenas significa que as igrejas são tidas em conta no âmbito do compromisso político, enquanto que no âmbito dos fundamentos da Europa não têm espaço algum" - alertou Joseph Ratzinger a 1 de Abril, véspera da morte de João Paulo II, num discurso proferido em Subiaco, Itália, onde se descolou para receber o Prémio São Bento, em reconhecimento do seu " extraordinário trabalho em prol da promoção da vida e da família humana". Na óptica do novo Papa, os fundamentos ideológicos do tratado constitucional baseiam-se numa cultura iluminista radical, definida substancialmente pelos direitos de liberdade. Como tal, admite que naqueles fundamentos cabe também a coexistência de diferentes culturas religiosas com os seus respectivos direitos.
O problema é que, segundo o texto constitucional, "os direitos das diferentes culturas só serão viáveis na medida em que respeitarem os critérios da cultura iluminista e a ela se subordinem", chama à atenção Joseph Ratzinger, para quem "o conceito de discriminação está a ampliar-se ao ponto de que a proibição de discriminar pode transformar-se, cada vez mais, numa limitação da liberdade de opinião e da liberdade religiosa".
O modo como o texto entende a não discriminação é também limitativo do pensamento da Igreja. O cardeal Joseph Ratzinger exemplificou "Qualquer dia já ninguém poderá afirmar que a homossexualidade constitui, como ensina a Igreja Católica, uma desordem objectiva na estruturação da existência humana". Outro exemplo: "O facto de a Igreja considerar que as mulheres não têm direito à ordenação sacerdotal, começa a ser visto, por alguns, como inconciliável com o espírito da Constituição."
A pouco dias de ser eleito Papa, o cardeal reconhecia em Subiaco os "valores importantes" contidos nos cânones da cultura iluminista, "que todos apreciamos a liberdade de expressar a opinião, desde que nunca se ponha em questão este cânone; a ordenação democrática do Estado; a livre formação dos partidos; a independência da magistratura; e, finalmente, a tutela dos direitos do homem e a proibição de discriminações."
Porém, para além das potenciais limitações em torno da discriminação - já referidas - o cardeal considera que há, também, direitos contrastantes, "como por exemplo, entre o desejo de liberdade da mulher e o direito do nascituro à vida".
Para o novo chefe da Igreja Católica, "é evidente" que a cultura do actual texto constitucional fundamenta-se numa "concepção mal definida de liberdade, ou, de facto, não definida", a qual, "traz consigo, inevitavelmente, contradições", disse em Subiaco. Neste sentido, frisou "Uma confusa ideologia de liberdade conduz a um dogmatismo que cada vez mais se revela hostil contra a liberdade".
Joseph Ratzinger reconhece, contudo, que o cristianismo não partiu da Europa, não podendo ser considerado, por isso, uma religião europeia. Mas foi no Velho Continente que recebeu as suas bases culturais e intelectuais, permanecendo, assim, imbricado de maneira especial à região. Foi aqui, lembrou, "que se desenvolveu uma racionalidade científica que, de certo modo, é uniforme para todo o mundo". Mas, foi também na Europa, "que se desenvolveu uma cultura, até agora desconhecida para a humanidade, que exclui Deus da consciência pública, ou negando-O, ou julgando a sua existência não demonstrável, incerta e, portanto, pertencente ao âmbito das opções subjectivas, algo, em todo o caso, irrelevante para a vida pública".
Neste sentido, apelou para que os europeus entrem "no debate em torno da nova formação política" da Europa, considerando tal repto "uma grande responsabilidade para a humanidade".
Publicado por Troll Urbano às maio 28, 2005 11:49 PM