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junho 26, 2005
Carta escrita em 2070
Por: The
Por favor leia
"Estamos no ano de 2070, acabo de completar os 50, mas a minha aparência é de alguém de 85.
Tenho sérios problemas renais porque bebo muito pouca água.
Creio que me resta pouco tempo.
Hoje sou uma das pessoas mais idosas nesta sociedade.
Recordo quando tinha 5 anos. Tudo era muito diferente.
Havia muitas árvores nos parques, as casas tinham bonitos jardins e eu podia desfrutar de um banho de chuveiro com cerca de uma hora.
Agora usamos toalhas em azeite mineral para limpar a pele.
Antes todas as mulheres mostravam a sua formosa cabeleira.
Agora devemos rapar a cabeça para a manter limpa sem água.
Antes o meu pai lavava o carro com a água que saía de uma mangueira. Hoje os meninos não acreditam que a agua se utilizava dessa forma.
Recordo que havia muitos anúncios que diziam CUIDA DA AGUA, só que ninguém lhes ligava; pensávamos que a agua
jamais se podia terminar.
Agora, todos os rios, barragens, lagoas e mantos aquíferos estão
irreversivelmente contaminados ou esgotados.
Antes a quantidade de agua indicada como ideal para beber era oito
copos por dia por pessoa adulta.
Hoje só posso beber meio copo.
A roupa é descartável, o que aumenta grandemente a quantidade de lixo; tivemos que voltar a usar os poços sépticos (fossas) como no século passado porque as redes de esgotos não se usam por falta de água.
A aparência da população é horrorosa; corpos desfalecidos, enrugados
pela desidratação, cheios de chagas na pele pelos raios ultravioletas
que já não têm a capa de ozono que os filtrava na atmosfera.
Imensos desertos constituem a paisagem que nos rodeia por todos os
lados.
As infecções gastrointestinais, enfermidades da pele e das vias
urinárias são as principais causas de morte.
A industria está paralisada e o desemprego é dramático.
As fábricas dessalinizadoras são a principal fonte de emprego e
pagam-te com agua potável em vez de salário.
Os assaltos por um bidão de agua são comuns nas ruas desertas.
A comida é 80% sintética. Pela ressiquidade da pele uma jovem de 20
anos está como se tivesse 40.
Os cientistas investigam, mas não há solução possível.
Não se pode fabricar agua, o oxigénio também está degradado por falta de arvores o que diminuiu o coeficiente intelectual das novas gerações.
Alterou-se a morfologia dos espermatozóides de muitos indivíduos, como consequência há muitos meninos com insuficiências, mutações e
deformações.
O governo até nos cobra pelo ar que respiramos. 137 m3 por dia por
habitante e adulto.
A gente que não pode pagar é retirada das "zonas ventiladas", que
estão dotadas de gigantescos pulmões mecânicos que funcionam com
energia solar, não são de boa qualidade mas pode-se respirar, a idade
média é de 35 anos.
Em alguns países ficaram manchas de vegetação com o seu respectivo rio que é fortemente vigiado pelo exercito, a agua tornou-se um tesouro muito cobiçado mais do que o ouro ou os diamantes.
Aqui em troca, não há arvores porque quase nunca chove, e quando chega a registar-se precipitação, é de chuva ácida; as estações do ano tem sido severamente transformadas pelas provas atómicas e da industria contaminante do século XX.
Advertia-se que havia que cuidar o meio ambiente e ninguém fez caso.
Quando a minha filha me pede que lhe fale de quando era jovem descrevo o bonito que eram os bosques, lhe falo da chuva, das flores, do agradável que era tomar banho e poder pescar nos rios e barragens,
beber toda a agua que quisesse, o saudável que era a gente.
Ela pergunta-me: Papá! Porque se acabou a agua?
Então, sinto um nó na garganta; não posso deixar de sentir-me culpado, porque pertenço à geração que terminou destruindo o meio ambiente ou simplesmente não tomámos em conta tantos avisos.
Agora os nossos filhos pagam um preço alto e sinceramente creio que
a vida na terra já não será possível dentro de muito pouco porque a
destruição do meio ambiente chegou a um ponto irreversível.
Como gostaria voltar atrás e fazer com que toda a humanidade
compreendesse isto quando ainda podíamos fazer algo para salvar o
nosso planeta terra!"
Documento extraído da revista biográfica "Crónicas de los Tiempos" de
Abril de 2002.
Publicado por Troll Urbano às junho 26, 2005 02:31 AM
Comentários
Simplesmente arrepiante...:)
Publicado por: Nina às junho 26, 2005 11:13 AM
Pois é Nina, arrepiante.
Repara que este texto foi escrito em Abril de 2002 e agora pergunto se notas algumas melhorias desde esse tempo para cá?!
Não, claro que não, bem pelo contrário, portanto penso ser este o nosso fim, e o que mais me dá que pensar é que vão ser os meus descendentes que irão sofrer...
Publicado por: The Wolf às junho 26, 2005 11:44 AM
Ao ler textos como estes, apercebemo-nos do nosso provável futuro... Eu, com 17 anos, talvez ainda chegue a ver esse mundo... Os meus filhos e todos os seus descendentes vão sofrer com a estupidez dos "grandes" governantes de hoje em dia... Isto se, daqui a alguns anos, o ser humano ainda não estiver extinto... E o que mais me irrita é o facto de, muitos desses "grandes" governantes (simplesmente não consigo escrever grandes sem aspas, visto que não acho que sejam grande coisa, apesar de deterem muito do poder mundial), terem aquela perspectiva de "o que interessa é o presente, quero ser feliz hoje, afinal, já a minha avó dizia, o último a entrar que feche a porta"!...
Publicado por: Susana às junho 26, 2005 03:58 PM