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junho 25, 2005
Deixem o Bairro Alto em paz.
Por: Daniel Arruda
Ontem fui ao Bairro Alto, num misto de obrigação (queria falar com uma pessoa) e de prazer (é verdade, o Bairro dá-me prazer, muito prazer). Ao chegar ao Agito, tudo normal, gente conhecida, dois dedos fáceis de conversa e uma cervejinha gelada. Num molhe estavam nada menos que 5 "bloggers", facto que me começa a parecer normal, dada a quantidade de blogues (e bons) que por aí existem.
Mas não era esta a razão da posta. Ou sou eu que tenho andado distraído ou o bairro está novamente a mudar. Do espaço diferente que o Bairro Alto era, já vi ontem o ínicio de uma transformação pois nunca tinha visto tanto "beto" junto. Camisas da Sacoor, sapatinho de vela, calça com pregas. Não que eu tenha algo contra quem vista assim. Nada mesmo. Só que eu também não vou para a Discoteca Kapital, para o "espaço beto" por exelência, por isso por favor. Não me invadam o nosso espaço alternativo em Lisboa.
Por isso esta posta. por favor. A globalização é total, sou obrigado a levar com a moral dominante, com o sistema económico dominante, com as modas globalizadas por isso não peço muito. Deixem estar sossegado o único espaço em Lisboa onde ainda me sinto um ser livre, onde posso estar sem que me peçam consumos (na maioria dos casos), onde não me olham para a roupa, onde bebo Sagres pela garrafa e onde posso fumar os meus charros sem que me olhem de lado.
Espero que não seja pedir muito. Se for, peço na mesma. Deixem o Bairro Alto em paz.
Publicado por Troll Urbano às junho 25, 2005 08:10 PM
Comentários
Daniel, já viste o meu post de ontem à noite no Afixe? Eu cá acho que o Agito nos vai ter que pagar a publicidade...
E tu tavas lá e não apitaste, pá? Que porra...
Olha e tens razão, eu que fui lá dois dias seguidos (estive de folga do meu filho) também senti, no nosso Bairro, um certo ar a Kapital que me irritou. De qualquer forma ainda fumei o charro...não tenho é a certeza se me estavam a olhar de lado...mas isso, presumo que é porque fumo poucas vezes...
Publicado por: isabel às junho 25, 2005 08:28 PM
Vi o teu post. Tenho dias que também gostava de ter comprimidos desses pelos mais variados motivos, mas era difícil encontrar-te. Lembras-te da morenaça???? a mesma situação. São muitas ruelas. EHEHEHE
Cheguei ao Bairro por volta da uma depois de 3 voltas ao Princepe Real para estacionar. Estava cá fora e só entrava para recarregar a garrafa que entretanto vazava.
Publicado por: Daniel Arruda às junho 25, 2005 08:53 PM
Daniel, agora desiludiste-me...
Esperava isso de qualquer pessoa mas de ti era pouco de esperar.
Então tu que tanto apregoas as atitudes de um mundo globalizado vens agora tentar criar um mundo para aqueles que por um motivo ou outro são diferentes.
Eu tambem uso camisinha da Sacoor e calças de outra qualquer marca, tambem fumava o meu charro e não é por isso que deixei de frequentar os mesmos sitios de sempre.
Sinais da tua famosa globalização, sabes que mais?!
Aguenta-te...
Alem disso meu caro amigo, a roupa que o corpo usa não veste a mente...
Publicado por: The Wolf às junho 26, 2005 01:51 AM
Mas não somos todos diferentes, todos iguais? Daniel também não te entendo...:))
Publicado por: Nina às junho 26, 2005 11:18 AM
Tive que ler varias vezes o que escreveste para ter a certeza que estava a ler bem.
E juro fiquei sem fala!
Não sabia que existia "apartheid" para frequentar bares ou discos.
Agora fiquei sem saber como me vestir, é que tanto sou "beta" como "dred" ou como lhe quiserem chamar. E até fumo charros todos os dias!
Vindo de ti, confesso fiquei pasma!
Afinal sou catalogada pelo que visto e não pelo que sou...
Para quem tanto defende um lugar igual para todos neste mundo, livre de preconceitos, até que tens e muitos. E mais grave ainda, é que o preconceito é pelo que se veste e não pelo que se pensa.
Sem palavras para mais...
Publicado por: MR às junho 26, 2005 12:48 PM
Pelos vistos uma simples posta sobre um espaço e sobre atitudes poe em causa a minha coerencia.
Em 1º lugar explicar que a roupa foi usada como figura de estilo. É mais fácil descrever roupas que atitudes.
Agora a factos. Nada tenho contra "betos" (usei aspas, viram). Tenho contra atitudes e por isso vou contar uma história breve.
Fui há pouco tempo a um casamento "in". Daqueles que as senhoras vão de chapéu e os homens não tiram o casaco quando se sentam á mesa. O serviço era de 5 estrelas e as conversas eram típicas das tertulias cor de rosa. Não era o meu ambiente, mas respeito e enquanto lá estive comportei-me adequadamente ao espaço e á envolvência.
O que eu descrevi no Bairro foi o oposto. São pessoas que se querem apropriar de um espaço alternativo da cidade. Ouviram dizer que estava na moda e ao invés de irem para lá e adaptarem-se de acordo com as "regras do espaço" e manterem-no "na moda", vão para lá com as suas regras e tentam impo-las quer por frases quer por atitudes. É com isso que discordo. O espaço é livre pois claro, as roupas não vestem mentes, obvio. As atitudes é que devem ser correctas. Por mim gosto do Bairro cheio de "gente gira", de espirito, é esse o bairro que conheci, é esse o bairro que eu quero preservar.
Como devem ter visto usei muitas aspas. Se puderem leiam-nas também. Esta era uma posta sobre um mundo livre sem imposições, se alguém viu aí alguma forma descriminatória desculpem. Não era intenção. Mas nunca irei admitir que a moral e costumes dominantes me subjuguem á sua vontade.
Publicado por: Daniel Arruda às junho 26, 2005 02:24 PM
Pronto ok, se a culpa é das "aspas" então estas desculpado...eheheh :)
Publicado por: The Wolf às junho 27, 2005 11:47 AM