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agosto 31, 2005

Soares, Mário

Por: Daniel Arruda

Depois de ouvir o anuncio da candidatura de Mário Soares fiquei com mais certezas e com mais dúvidas. Estranho paradoxo.

As minhas certezas:
-Mário Soares não é o meu candidato.
-Ele não representa a esquerda que eu quero para Portugal
-Que Soares só se candidata por motivos pessoais. Pensa que é o D.Sebastião.
-Que ele seria sempre candidato, pois não apareceu ninguém com as mesmas caracteristicas que ele, o que na óptica dele é impossível. Ele, visto por ele, é único e perfeito.
-Que Mário Soares não se candidata a Presidente mas sim a 1º Ministro.
-Que Mário Soares sabe apontar as causas mas continua sem saber quais as curas, defeito que o acompanha há anos.
-Que Mário Soares não sabe que o PREC já acabou
-Que a idade não perdoa. A tremideira das mãos era evidente (provavelmente é o Sindroma Norton de Matos)
-É possível silenciar Soares. Basta utilizar os métodos certos. O truque do Microfone é de mestre
-Que eu milito num partido plural (que diabo estava ali o Fernando Rosas a fazer)


As minhas dúvidas:
-Que diabo estava ali o Fernando Rosas a fazer
-Se Sócrates sabe o buraco em que se está a meter
-Quando é que alguém explica a Mário Soares o que são e como funcionam os movimentos sociais.
-Se Mário Soares sabe que tem um discurso parado no tempo que mais parece uma lição de história.
-Se ele foi ele que escreveu o discurso, pois é uma gaffe do tamanho do mundo falar nas preocupações dos jovens e não referir o tema Trabalho e Educação. Especialmente quando se diz de esquerda.
-Porque é que contornou o tema aborto de forma clara e porque rodeou as questões da emigração com tanto cuidado.
-Porque tanta preocupação com o eleitorado do centro neste discurso se ele se auto intitula o candidato da esquerda.

Publicado por Troll Urbano às agosto 31, 2005 08:21 PM

Comentários

Daniel, ainda bem que adormeci durante o Telejornal...se a quase totalidade das tuas certeza e das tuas dúvidas não me dão muitas insónias ( a falta de novidade nunca me tira o sono...), a última certeza a a primeira dúvida...olha lá, o Fernando Rosas tava mesmo lá??? A fazer o quê??????

Publicado por: isabel às agosto 31, 2005 09:17 PM

"-Que diabo estava ali o Fernando Rosas a fazer" - Subscrevo e assino;

"Daniel, ainda bem que adormeci durante o Telejornal", subscrevo, mas não dormi, desliguei a TV para deixar de ouvir ao meio do discurso.

Um acoisa é certa, o meu voto vai contra Cavaco, seja ele no cantor do ena pá 2 mil, no nelson buiça, branco ou nulo. Votar, isso vou!

Sou de esquerda, e bem de esquerda, Republicano assumido, não é pela idade do Homem, é por ele querer tornar isto numa monarquia. E lembro-me bem
dos tempos do saloio armado em salazarento chamado
Cavaco em que não podíamos falar.

Ao menos naqueles dois idiotas, sabemos em quem votamos e que não têm hipóteses. E também não votar em paspalhos que aproveitam hiatos do nosso sistema constitucional para avançar com putativas candidaturas para depois desistirem a favor de outras.

Parece que desta vez errei, Daniel, o Poeta não avança mesmo, meteu o rabinho entre as pernas em nome da amizade e do aparelho. Será que ele não vê
que não tem hipótese dentro do PS? À espera de novas oportunidades? Esta é a oportunidade dele!

Publicado por: Golfinho às setembro 1, 2005 01:29 AM

Isabel, estava mesmo e eu nãoestoupara calar mais as minhas "mágoas". Na 6ª feira na mesa nacional vo clarificar umas coisas que me atormentam. Até lá, o meu silencio. Por respeito ao meu partido e o meu dever de militancia e de dirigente.

Golfinho., subrescrevo-te a 99%. Não me passa pela cabeça sequer votar no palhaço do Nelson Buiça do PNR.
Como disse á Isabel. Até 6ª Feira dia da Mesa nacional do BE e de Sabado dia da conferencia nacional não faço mais comentários. Os que de direito serão os 1os a saber a minha opinião. Apesar de não haver centralismo democratico no BE eu próprio me imponho regras de conduta e de militancia.
Há coisas que têm de ser esclarecidas. E rápido.

Publicado por: Daniel Arruda às setembro 1, 2005 03:16 AM

Ah golfinho. Eu tb errei no poeta. Dá uma volta na blogosfera. Não fomos os únicos. O homem tem mais apoiantes que alguma vez julgou.

Publicado por: Daniel Arruda às setembro 1, 2005 03:18 AM

Ele vai avançar? Blogosfera? Indica por favor nomes de blogues. espero bem que sim.

Publicado por: Golfinho às setembro 1, 2005 04:06 AM

Caros amigos
Cá estou eu a discordar esta coisa é dificil.
Quanto á candidatura de Mário soares apoio de alma coração e razão por todas as razões. Nota-se que talvez tenha existido um certo adormecimento nos ouvintes que não queriam ouvir Mário Soares. Sem comentar para já os conteudos dos discursos pois parecem-me formulados em discurso que não ouvi. Mas para esclarecermos o mesmo prometo que amanhã o colocarei neste blog na integra. Onde está o sebastianismo? afinal onde ficamos o homem concorre a presidente da republica não a primeiro ministro por isso caro daniel e amigos não percebo as contradições.
Quanto a Manuel Alegre devo dizer não tenho duvidas que é de esquerda mas devo dizer que o seu avanço foi vaidoso e umbigal e quem se candidata assim para já não me merece respeito dizer que a mim ninguem me cala não é sinónimo de melhor candidato.

Publicado por: Manuel às setembro 1, 2005 01:23 PM

Na minha televisão (marca Grunding) Fernando Rosas explicou o que estava ali a fazer. É amigo de Mario Soares. Explicou igualmente que o BE vai ter um candidato próprio, que será o obviamente o seu candidato. Bom isto foi no televisor Grundig da minha sala.
Não sou amigi nem de Soares nem de Rosas. Não sei se votarei nas presidenciais. Agora que é estranho ler o que Daniel arruda escreve lá isso é. Com amigos destes o BE não necessita de inimigos

Luis Lucas

Publicado por: Luis Lucas às setembro 1, 2005 02:11 PM

Caro Luis, não falo em nome do Daniel, mas em meu que militei no BE. O BE é um espaço multiplural, que
nos permite ter estas diversas opiniões. Veja o que aconteceu com o Prof. Doutor Fernando Rosas. A opinião do Daniel é de estupefacção, nada mais. Aliás, se tivesse acompanhado todo este processo deste o início veria que o Daniel desde o início apoiou o vocalista do Ena pá 2000.

Um abraço.

Publicado por: Golfinho às setembro 1, 2005 02:22 PM

Luis Lucas, sabe tão bem como eu que a estas coisas não se vai por amizade. Que se pode er amigos na política mas que não se confunde as coisas.
Aquilo era uma apresentação de candidatura com apoiantes. Eu se tiver o meu candidato não aplaudo o adversário porque se não o apoio e tenho diferenças em relação a ele. Se assim não fosse estariamos todos com o mesmo candidato.
Uma última coisa. Como foi publico nos jornais não foi pacífica a decisão de o Bloco não apoiar Soares e apresentar outro candidato que representasse esta corrente política. Está a entender o que quero dizer?

Publicado por: Daniel Arruda às setembro 1, 2005 02:30 PM

Golfinho, imagino que seja um universitario de carreira, de outra forma não entenderia essa do "Prof. Doutor Fernando Rosas". Essa do "Prof. Doutor" normalmente tem por detraz uma patologiaseca...
O Daniel pode apoiar o vocalista dos ena pa 2000, a Cinha Jardim, Soares, Cavaco, a memória de Madre Teresa de Calcutá o que seja. Não pode dizer que não sabe o que fazia Rosas na apresentação da candidatura de Soares

Publicado por: Luis Lucas às setembro 1, 2005 02:31 PM

Luis Lucas, mas eu sei. Estava a apoiar o Mário SOares.

Publicado por: Daniel Arruda às setembro 1, 2005 02:34 PM

Já o tinha entendido meu caro. Para mim é estranho a politica sem amizades. Faz-me lembrar o que recentemente aconteceu no PS com Alegre, Soares e Sócrates . A amizade, meu caro Daniel, para mim, não se confunde com politica entende? Tenho amigos de quem gosto muito que votam PSD mas não deixam de ser meus amigos Conheço eleitores e militantes do Bloco verdadeiramente insuportáveis, não deixando por isso de ser de esquerda.
Misturar alhos com bugalhos, não.

Publicado por: Luis Lucas às setembro 1, 2005 02:49 PM

Manuel, discorde sempre. Se tivessemos todos a mesmo opinião seria uma seca.

Vamos á grande dúvida que levanta. Para quem se candidata a Presidente não lhe ouvi algumas coisas que me parecem importantes e só o refiro porque Soares fez uma análise exaustiva do país e das prioridades.

Como Chefe das forças armadas que seriase fosse presidente o que fria com as nossas tropas no estrangeiro e relativo a futuras missões.
Qual a posição dele relativa aos referendos nomeadamente ao do aborto
Qual a opinião dele sobre a constituição europeia.

Haveria outras, mas destas ele não falou, mas falou de economia, de saúde, de urbanismo coisas sobre as quais o seu poder é diminuto pois são competencias do governo. Daí a minha dúvida. O sebasteanismo a que me refiro está explícito na posta.

Ele, porque só ele era capaz de derrotar Cavaco e o PS estava á espera que ele voltasse á vida activa para esse designio. Não havia mais ninguém e por isso é que ele voltou qual D.Sebastião do nevoeiro.

Quanto ao Manuel Alegre não tenho dúvidas que seria um melhor candidato que Soares concerteza mais aglutinador á esquerda.

Publicado por: Daniel Arruda às setembro 1, 2005 02:54 PM

Luis Lucas. Foi isso que eu disse. Tem amigos mas não mistura amizades com orientações políticas. No caso concreto da apresentação de uma candidatura os amigos de correntes e ideias diferentes enviam uma saudação ou falam pessoalmente. Não vão participar e ser elemento activo de uma manifestação de apoio.

Publicado por: Daniel Arruda às setembro 1, 2005 02:57 PM

Ó Daniel, então você candidata-se a Presidente da Câmara do Seixal para umas eleições em 9 Outubro e ainda não disse nada sobre nada e queria que o Soares fizesse um relambório sobre tudo, tipo Fidel?
Então você que gostaria de uma candidatura do vocalista (arrotador) dos Ena pá 2000 já entendeu o que essa criatura pensa sobre aborto, imigração urbanismo, emprego, globalização, guerra … …
Ó Daniel para quem se satisfaz com um arrotador com tão pouco brilho, não estará a ser muito exigente com o velhote do Mário Soares.
Volto a repetir-lhe que esta candidatura de Soares, para mim, é muito fraca.
Aguardo que o líder do seu partido apresente uma candidatura para o apoiar. Espera encontra-lo lá Daniel.

Publicado por: Luis Lucas às setembro 1, 2005 03:15 PM

Vou tentar explicar umas coisas.

1º Isto não é um blog de campanha. É de 3 amigos e eu acho que não o devo utilizar para isso. Faço-a e tenho feito nos locais próprios com algumas, poucas, referências aqui.

2ºO meu apoio á candidatura do vocalista dos Ena pá 2000 foi mal entendido e foi feita numa altura em que não havia outros candidatos. O que eu disse e mantenho era que se as opções forem Cavaco, Soares e o Vocalista eu votaria neste último.

3ºSoares falou de tanta coisa, menos da presidencia, esse foi o meu reparo.

4ºSe o Bloco apresentar um candidato para ir a votos certamente que nos encontramos. Se for uma candidatura para apenas utilizar a campanha para debate e esclarecer pontos de vista e desistir em favor de Soares, não contem comigo.

Espero que não tenham restado mal entendidos

Publicado por: Daniel Arruda às setembro 1, 2005 03:38 PM

Luis, finalmente alguém que entende o que eu sou! Extremamente agradecido. Para si, José Golfinho. Saiba que até ontem, só a minha família, um grupo muito restrito de amigos e o Daniel sabiam desse facto.
Mas vamos ao que interessa. Para mim, não deve haver esse estigma que existe na nossa sociedade entre esquerda e direita onde os que são de direita devem ser tratados por doutores e os de esquerda por pá.
Por ex., o Louçã. Não é "o". É Professor Doutor Francisco Louçã, um dos melhores macroeconomistas do nosso país e da Europa.

Um abraço.

Publicado por: Golfinho às setembro 1, 2005 05:12 PM

Desculpa-me nesse 2º ponto, Daniel. Este blogue não é um blogue de amigos, se o fosse não estaria com mais de 15.000 visitas por dia.

Publicado por: Golfinho às setembro 1, 2005 05:14 PM

Golfinho, o que quis dizer que não é um blog uni pessoal mas sim gerido por 3 amigos que se respeitam e sabem quais são os espaços próprios para cada coisa.

Publicado por: Troll Urbano às setembro 1, 2005 06:28 PM

Yeap, já li o editorial. Curti imenso a cena do punk
=)

Publicado por: Golfinho às setembro 1, 2005 08:24 PM

Daniel estava aqui com vontade de provocar o pedante do Motta com dois tês mas aceito que aquela conversa, já não dava para mais.

Agora esta é provocação, parece que o teu amigo Monty e outro Gibel estão lá no blogue deles a fazerem campanha pelo Cavaco.

Ora isso não te move a começares a dar apoio ao Soares, só para chateares aquela troupe....

Pensa nisso....

Publicado por: a.pacheco às setembro 1, 2005 10:53 PM

a.pacheco, se subires uns comentários verás que escrevi que não confundo amizades com política. cada coisa no seu espaço. O mesmo faço com as inimizades.
Conheces a expressão. Trabalho é Trabalho, conhaque é conhaque.

Mas irei fazer campanha. Pelo meu candidato. Também será contra Cavaco.
:)

Publicado por: Daniel Arruda às setembro 1, 2005 11:14 PM

pacheco, esqueci-me de uma coisa.

Nem sempre o que cede é o mais fraco.

Obrigado pela compreensão.

Publicado por: Daniel Arruda às setembro 1, 2005 11:15 PM

Golfinho,
Francisco Louçã não é DOUTOR pelo lado da mãe nem PROFESSOR pelo lado do pai.
Utilizará seguramente esses titulos academicos na academia e nos meios universitários, até porque Louçã, para alem das capacidades que você lhe reconhece, é um homem culto, bem formado, que não trata a empregada da drogaria por "senhora empregada de drogaria Maria Gomes" ou o mecanico do seu carro por "senhor mecanico auto José Andrade". Louçã não não é paroulo.

Publicado por: Luis Lucas às setembro 2, 2005 10:21 AM

Luís, usei esse termo "estigma" porque por ex. na AR
os deputados de dirita dirigem-se aos deoutados de diireita como doutores, aos de esquerda como deputados. E, já afora lembra-se de Paulo Portas que nem sequer olhava para Louçã nos debates mensais na AR? Por mim, está à vontade, pode-me chamar como quiser, por aqui já fui chamado de esquizofrénico a filho da puta ;). O luís foi o primeiro a reconhecer o que eu sou.

Publicado por: Golfinho às setembro 2, 2005 07:02 PM

Aí está em quem vou votar, se ele não desistir: http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=190532

Publicado por: Golfinho às setembro 2, 2005 08:15 PM

Então Daniel, parece que sempre nos vamos encontrar nas presidenciais. Fico contente. Só os burros não mudam de opinião.
Fico contente por si
L.Lucas

Publicado por: Luis Lucas às setembro 5, 2005 01:00 PM

Parece que sim. Com força e com garras para derrotar a direita.

Publicado por: Daniel Arruda às setembro 5, 2005 01:49 PM

Nos dias de hoje ser de esquerda não significa automaticamente que se seja contra o capitalismo e pelo poder dos trabalhadores, isto é, ser-se de Esquerda não significa que se seja de esquerda. Ou: a esquerda já não é o que era.

Mário Soares é de Esquerda?
Se considerarmos a social-democracia (corrente política que advoga um capitalismo cujos malefícios serão atenuados por um Estado que, "ao serviço dos cidadãos", procura manter o equilíbrio entre as contradições do Trabalho e do Capital) uma ideologia de esquerda, então Soares é de esquerda.

Para esclarecer, um pequeno interregno dedicado aos mais novos e também aos cábulas de ciências políticas e, já agora, para a malta que arrumou os clássicos marxistas no sótão: a corrente social-democrata de que falo tem origem na degenerescência dos partidos operários marxistas do início do século XX, de que o SPD alemão e o PS francês são os expoentes maiores. Não tem nada a ver com o PSD português, anteriormente PPD, partido criado a partir do aparelho da ANP (partido único do antes do 25 de Abril de 1974), herdando-lhe os caciques locais, e de alguns liberais da ditadura. A passagem de PPD a PSD foi uma chico-esperteza que teve o intuito de impedir que o PS adoptasse o "D" que a maioria dos partidos irmãos do PS ostenta há séculos.

Voltemos a Soares.
Aquando das movimentações populares do após 25 de Abril de 1974, este aliou-se à reacção internacional (CIA, serviços secretos britânicos e mesmo aos assustados franquistas espanhóis) e à extrema-direita contra a Revolução Portuguesa. O seu objectivo foi o de impedir uma revolução em Portugal, o argumento foi o da "ameaça comunista" de um PCP que, ao contrário do propagandeado, obviamente preferia ter uns lugares no aparelho de Estado a promover uma revolução - as superpotências já tinham definido que Portugal iria ficar na esfera de influência dos E.U.A., lembremo-nos pelo caminho das posições do PCP contra as manifestações anti-NATO.

Soares, no governo, procurou desarmar o forte e reivindicativo movimento operário existente então em Portugal. Com a criação dos Contratos a Prazo, conseguiu-o.
(Estás a ver, jovem, por que és precário? Foi para combater a "ameaça comunista")

Para Soares, o social-democrata, a conciliação de interesses na sociedade é a solução.
Só que a burguesia portuguesa nunca quis quaisquer convivências com direitos mínimos dos trabalhadores, como vinha acontecendo nas sociais-democracias europeias – mesmo nestas, hoje em dia, a maré não joga a favor dos “pactos sociais”.
A burguesia portuguesa não gosta de concessões, gosta de escravos. E, diferença substancial em relação às outras burguesias europeias, é como nenhuma delas uma predadora dos recursos do Estado: subsídios por tudo e por nada, privatizações "arranjadas", empreendimentos estatais e autárquicos ao serviço dos seus desejos de multiplicação de capital. Essa de passar a vida a vociferar contra o "estatismo" é para inglês-ver, esqueçam.

Soares, em nome da luta contra o comunismo desarmou os trabalhadores, isto é, enfraqueceu aqueles que impuseram os direitos consignados pela social-democracia na Europa e, face às adversidades económicas, escolheu o campo e tornou-se a ponta de lança política dos interesses dos poderosos.
Pelo caminho foi feito presidente da república pela esquerda que o odiava, porque era “necessário derrotar a direita”. Soares foi de esquerda. Foi o que a malta quis. Pelos vistos vai voltar a querer. Soares far-lhes-à a vontade.

A próxima campanha de Soares, mais do que um debate ideológico mobilizador contra Cavaco e a direita sobre o que deve ser este país, será um pretender salvar da face a um PS que desiludiu no governo e que se preparava para encarar as presidenciais com o mesmo estado de espírito de um animal que vai para o abate.

A candidatura de Soares, “homem de esquerda”, representa ao fim e ao cabo a impossibilidade do PS conseguir ser social-democrata. Depois de uma prática política de décadas que despojou o partido das referências à esquerda que, apesar de tudo, a social-democracia contempla. O PS agarra-se ao velho líder, não se agarra à sua ideologia, agarra-se ao poder.

Poderemos considerar que as diferenças manifestadas por Soares em relação a Blair, não só em relação à guerra no Iraque mas também em relação às privatizações que o partido trabalhista protagonizou em Inglaterra, mais as repetidas críticas de Soares a Sócrates, quando este iniciou o seu magistério à frente no PS, são a preocupação de um homem de esquerda indignado com a deriva para a direita da social-democracia em direcção ao neo-liberalismo. Nestas condições, o primeiro sapo que foi engolido nestas presidenciais foi em grande medida aquele que Sócrates engoliu.

Assim, Soares corre, uma "referência" que já não é farol político para quase ninguém no partido que fundou. Semeou ventos, colheu a tempestade. Poderá ganhar a presidência mas já perdeu o partido, por culpa própria. Decidiu ser "de esquerda" tarde de mais. Poderá voltar a ser eleito em nome da esquerda, para desgraça desta.

Publicado por: CausasPerdidas às setembro 6, 2005 06:49 AM