« O 1º folheto da campanha do BE Seixal | Entrada | Lá por ser estangeiro, não é obrigatóriamente melhor. »
agosto 22, 2005
Um dos meus temas preferidos. Religião
Por: Daniel Arruda
Nestas coisas da religião sou um tipo terrivelmente básico. Não me passa pela cabeça acreditar em algo que eu não consiga ver ou apalpar. Essa coisa do sobrenatural nunca me fascinou.
Acho os religiosos na sua maioria vendedores de banha-da-cobra. Tentam vender o peixe deles da melhor forma que sabem e/ou podem. Uns dizem que o que é bom é Igreja Apostólica Romana (ICAR), o outro diz que é a Protestante, outros ainda defendem que é a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) tal como os Islamicos defendem o produto deles, e os budistas, os Jeovás, os judeus ortodoxos, os Adventistas, os dos Santos do 7º dia, ....... mas no fundo se os reunissemos todos dentro de um salão de exposições a imagem que passaria cá para fora era a mesma do que a que passa na Expo Motor ou da NautiCampo, onde cada um se mostra e diz que o produto dele é o melhor. Na organização também é parecido. Temos os grandes grupos que tentam denegrir a imagem dos pequenos, apesar de tudo ser igual no produto, mas evitando que os pequenos se tornem grandes e concorrentes e os pequenos a tentarem-se afirmar pela diferença começando a entrar por nichos de mercado, os descontentes, os desiludidos, ...
Enquanto lia as declarações de Ratzinger lá na conferencia de jovens, parecia que estava a ouvir o tipo do stand da Ford que me vendeu o carro.
- Oh amigo, não vá ali ao lado que esses franceses não sabem fazer carros, aquilo é bricolage.
"Religião faça você mesmo" foi como ele chamou as novas seitas. Nem sequer vou discutir se está correcto. Para mim religião é religião. Respeito mas não compreendo e numa altura em que o mercado neste sector está tão competitivo acho que a estratégia de ICAR não é correcta. A ICAR deveria marcar a diferença. Assim um misto de tradição com inovação. Por exemplo Um pouco de humanismo, que tem faltado á Igreja misturado com uns canticos ousados ou missas via Internet.
As novas religiões nesse particular têm estado melhor. Inovaram nos locais de culto como a IURD. Linguagem moderna e a apelar ao consumo, neste caso de milagres e curas. Já se viu que o pessoal está numa de se agarrar á fé. É preciso é que apareça o produto certo com o marketing correcto.
Eu sei que há sempre aquela coisa da fé e outras coisas do género, mas com os anos que as Igrejas já levam como unidades de negócio, já eram para ter ultrapassado essa coisa. Ninguém se acredita nisso. Qual o Bispo que ainda reza convicto ou o padre que realmente é convicto naquilo que prega. Eles até podem ser religiosos mas quando chega á altura de tomar decisões importantes é sempre a vertente negócio que vem ao de cima. Qual o partido que se apoia na Africa Central, qual a campanha que deve ser dinamizada nunca perdendo de vista o fim com que a Igreja é criada. Se é de afrontamento, de enriquecimento individual ou colectivo, se é apenas de fachada para algum ego ou disturbio cerebral.
Acho que se devia de criar uma comissão reguladora para as religiões. Começa a ser impossível o normal consumidor de religião saber distinguir entre o que é oferta séria e o que é embuste. As religiões deveriam se juntar e regularem este mercado. Há consumidores para todos.
Numa altura em que tanto se fala de crise, quem sabe se esta não poderá ser a hipótese de negócio, que os nossos empresários tanto esperavam para poder dar a volta á crise. É tudo uma questão de capacidade de investimento e com a sede de algo sobrenatural que as pessoas por cá estão, acredito que seja um ramo com futuro em Portugal e quem sabe para exportar.
Publicado por Troll Urbano às agosto 22, 2005 07:46 PM
Comentários
Como ateia militante (adoro esta palavra...ateu não tem piada, é mesmo um bocado foleiro, mas ateia tem pinta)...tenho que reconhecer que sabes os nomes de muito mais religiões que eu...nunca me iria lembrar dos Adventistas, por exemplo se quisesse fazer um post sobre religião (também nunca faria um post sobre religião, mas isso é outra história)...o que tu sabes, camarada!!!!
Achas que me fazem perguntas sobre este tema tão enriquecedor na oral para a Junta de Freguesia? Tou feita ao bife, isto é a deus...isto é muita herege, né? Mas eu sou uma herege, mesmo. Até concordo contigo que a religião, mais do que fé (que por principio, respeitaria ) se transformou num negócio e numa teia de interesses sem ética e sem moral.. Em que alguns conseguiram fazer algumas inovações, de facto. Dançar, cantar. Tal como as parvíces que o teu carro tem e o meu não, ou vice versa (olha lá mas eu não tenho carro...o que uma noite a pensar em religião como tem sido esta me faz dizer...é por estas e por outras que não me meto nisto...never!!!!).
Publicado por: isabel às agosto 22, 2005 10:09 PM