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setembro 28, 2005

Crescer custa

Por:Isabel Faria

mochila.jpg

É cansativo. Nestas ocasiões tenho a certeza de como são muitas vezes injustas as palavras que ouvimos para as pessoas que decidem meter-se nisto da “coisa/causa pública”.

Quem corre por gosto…eu sei a história. Sei e , como é claro, não me venho para aqui armar em coitadinha. Estou ali porque quero. Porque acredito. Mas nada é fácil. Nem sai fácil. O Bloco é um Partido pequeno em militantes, pequeno em infra-estruturas, pequeno em capacidade financeira. Estas são, verdadeiramente, as primeiras eleições autárquicas em que nos metemos a sério, não somos um Partido de funcionários e temos que reconhecer que não temos capacidade de mobilização para as tarefas de uma campanha como esta, que se comparem à de outros partidos. Claro que eu sei que em muitos casos (a totalidade, com excepção da CDU?) a capacidade de mobilização tem outro nome...mas nós não podemos nem queremos dar-lhe esse nome.
Às vezes, pergunto-me se estamos a crescer demasiado para as disponibilidades humanas que temos. Votar num Partido não é militar nele. Não é estar disponível para as tarefas do dia-a-dia. As licenças de candidato são, para quase todos, uma distante miragem. Num mundo de trabalho precário e sem direitos, quantos de nós se pode dar ao luxo de chegar ao Departamento de Pessoal da empresa ou do serviço e dizer “Meus senhores, aqui está...volto daqui a 11 dias...vou fazer campanha pelo Bloco!).
No caso de Lisboa, talvez a questão ainda se coloque com maior acuidade. Somos 52 freguesias. Temos uma candidatura que não é SÓ do Bloco. Isso obriga a que se façam arranjos, uma ou outra curva e contra curva. A agenda vai mudando todos os dias. Nem em todos os locais temos o indispensável “anfitrião” que nos permita lá entrar.
Nascemos como Partido há meia dúzia de anos. Estamos, agora, a começar a Escola Primária. Temos muita vontade de aprender e de fazer coisas. Mas, algumas vezes, parece que não temos força para aguentar a mochila. Claro que não desistimos de crescer e de nos tornarmos adultos. Mas que esta mania de colocar tanto peso na mochila nos dá cabo das costas, lá isso dá.

Publicado por Troll Urbano às setembro 28, 2005 08:44 PM

Comentários

Com a ternura sugerida pela imagem dá para continuar com ela: se se é ainda pequenino não se adquiriu os vícios dos adultos, não é? Quando se vai de mochila às costas temos muito que aprender e o espírito abeto e limpo ainda. Mas para mim imagino antes a imagem do adolescente, com pernas compridas, um pouco tragalhadanças... Quando já não é bem criança mas ainda não é adulto. Essa fase de crescimento, de encontrar o seu espaço certo, é dura.
Mas enfim, quem conhece o Bloquinho não sou eu...

Publicado por: ML às setembro 28, 2005 09:41 PM

Olha, amiga, nesta história das Autárquicas ainda me parece mesmo infãncia...já estamos naquela de não querer bibe...mas as pernas ainda não tão essa coisa que dá um trabalhão a escrever...posso acabar o comentário amanhã???Please...

Publicado por: isabel faria às setembro 28, 2005 10:29 PM

O drama do crescimento é que não podemos deixar de crescer.
No caso do bloco, crescer significa fazer um esforço suplementar de organização interna e de alguma profissionalização.
E acho que o passado assombra ainda um bocado o BE (as origens em vários movimentos, um conotação com uma franja mais jovem e inexperiente) e é dificil fazer o salto para um partido com maior representatividade, porque implica perder algo pelo caminho (já podiam mudar aqueles discursos com chavões que soam demasiado datados e só apelam a convencidos).
Mas isto seria um comentário muito longo e não quero ser desmotivador porque não é essa a minha intenção.

Publicado por: Mário às setembro 28, 2005 10:48 PM

Eu sei que não é, Mário... Mas acredita que cada dia sinto mais que, após estes tempos complicados que se avizinham essa terá que ser uma reflezão a fazer. È complicada a noção da distãncia que se terá que percorrer para que a organização se imponha sem que isso implique uma profissionalização, que creio sinceramente, no Bloco todos recusamos. Será uma reflexão estimulante, mas, por vezes, parece-me que poderá ser algo dolorosa. Como as dores de crescimenteo, não é?

Publicado por: isabel faria às setembro 28, 2005 11:56 PM

Talvez o bloco não tenha capacidade humana neste momento para fazer face ás espectativas, talvez os passos já dados tenham sido maiores que as pequeninas pernas do bloco, mas , de um coisa eu tenho a certeza; o bloco não pode estagnar no tempo á semelhança de outros partidos e se for necessário sentir dores nas costas.

Publicado por: The Wolf às setembro 29, 2005 07:03 AM

Exacto Isabel, mas nada se ganha sem se perder algo, que sejam as características não essênciais.

Publicado por: Mário às setembro 29, 2005 09:33 AM

Lobo, eu não me importo muito com as dores nas costas...quero é que eleas signifiquem crecer com qualidade. Porque dores nas costas e crescer sem qualidade pode dar marreca...

È essa a minha esperança Mário. Que sinto revigorar quando leio um post como o que o Daniel, acabou agora de publicar.

Publicado por: isabel faria às setembro 29, 2005 10:29 PM