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setembro 24, 2005

Joana Amaral Dias

Por: Daniel Arruda

Parece que a polémica do momento é a Joana Amaral Dias e o facto de ela ter aceite o lugar de mandatária para a juventude na candidatura de Mário Soares.

Não sei porque. As candidaturas presidenciais são pessoais apesar de suportadas normalmente por partidos. A Joana Amaral Dias fez uma escolha política e nada mais normal que as pessoas mudarem de opinião. Eu posso nem concordar com ela mas reservo o direito de achar que não tenho nada que emitir opinião sobre uma escolha pessoal. Parece-me até que existe alguma imprensa que está "danadinha" para que o BE assuma uma postura igual à de outos partidos da nossa esquerda e avance para processos de expulsão e linchamento na praça pública. Não me parece que seja isso que vá acontecer. O BE respeita as opiniões de cada um. Não digo, e seria ingénuo se o fizesse, que a confiança política não fica abalada. Obviamente que sim. Se o partido onde Joana Amaral Dias milita tem um candidato que defende a linha política por todos escolhida em convenção e ela opta por outro que podendo ter algumas parecenças tem demasiadas diferenças, é sinal que a escolha política está a sofrer uma alteração e como tal o posicionamento dentro do partido deve ser repensado.

Mas o príncipio do respeito tem de estar lá, da mesma forma que exigo que me respeitem a mim se por ventura os candidatos na 2ª volta forem Mário Sores e Aníbal Cavaco Silva e eu apelar ao voto nulo.

Por fim penso que a atitude de alguns dirigentes do BE deve ser repensada. Não é com intolerância que se constroi uma esquerda nova. É no direito pela diferença. Sendo ou não uma corrente ultra minoritária, como é o caso da Ruptura/FER, dentro do BE devem medir melhor o que dizem porque apesar de representarem muito poucos têm no BE um papel tão importante e relevante como os que pertencem a outras tendências bem maiores. Não é atacando o candidato presidêncial apoiado pelo Bloco que se chega a bom porto.
As pessoas têm de começar a compreender que o Bloco é diferente, para melhor. Que não exclui, inclui. Só assim se faz uma esquerda multicultural (no sentido político do termo) que possa ser alternativa em Portugal.

Publicado por Troll Urbano às setembro 24, 2005 05:03 PM

Comentários

Afinal Manuel Alegre sempre avança para as presidenciais. Até que enfim aparece um candidato que realmente quer ser Presidente da República. É o único que sempre demonstrou uma genuína vontade individual de o ser, fruto de um movimento abrangente à esquerda. Ainda por cima aparece outsider aos partidos, o que dignifica a eleição presidencial e credibiliza a sua figura. Todos os outros estão lá para o frete.

Publicado por: sizandro às setembro 24, 2005 05:14 PM

O que a candidatura de Alegre coloca ,e só, é um problema ao CDS, pois deixa de haver qualquer razão para avançarem com uma candidatura, que na primeira volta defenda as posições da direita mais conservadora, o espaço onde esse partido se situa.

Quanto a Manuel Alegre só uma pergunta porquê só agora e não em Abril...

Publicado por: a.pacheco às setembro 24, 2005 09:01 PM

Deixa de haver razão para o CDS NÃO avançar com uma candidatura....

Assuim é que está correcto

Publicado por: a.pacheco às setembro 24, 2005 09:11 PM

A questão Alegre é mais complexa. Se me deixarem dormir sobre o assunto amanhã farei uma posta.
Como já o referi aqui no Troll, Alegre perdeu o timing e a oportunidade de ser PR. Teria a esquerda com ele.

Publicado por: Daniel Arruda às setembro 24, 2005 10:00 PM

"Se o partido onde Joana Amaral Dias milita tem um candidato que defende a linha política por todos escolhida em convenção e ela opta por outro que podendo ter algumas parecenças tem demasiadas diferenças, é sinal que a escolha política está a sofrer uma alteração e como tal o posicionamento dentro do partido deve ser repensado."

Daniel, isso só é verdade se existisse uma posição para ela, nas listas do partido dela. A não haver, porque é que não se considera o facto de ela ter sido convocada por Sóares, Acabado Silva, ou outros, como uma vitória pessoal da pessoa e global do BE, pelo valor intrínseco das pessoas que o compõem? Porque é que o posicionamento do partido deve ser repensado? Só se for porque, agora, ela tem uma oportunidade sublime de transmitir a força dela e do partido numa posição com outro destaque?

Abraços.

Publicado por: Denis o Pimentinha às setembro 25, 2005 05:52 PM

Não é o Partido que deve repensar a posição Denis. É ela. Ela poderia fazer a mesma coisa que vai fazer no MASP III que poderia fazer na candidatura de Louçã.
E já agora, tu acreditas mesmo que o cargo para mandatário da juventude implica alguma influência política? MAs prometo que se Mário Soares tiver na campanha e depois na acção políticas de esquerda para a juventude vou dar o braço a torcer.

Publicado por: Daniel Arruda às setembro 25, 2005 10:59 PM

Se ela se sente bem no bloco e achar que consegue estar ao lado de Soares sem comprometer a sua posição... qual é o prob? Sim, mandatário para a juventude é só um tacho, daqueles quase rasos. Mas alguém do Louçã a convidou? É que, se sim, dou-te toda a razão desta posta. Se não, bem, ela pode estar com Soares e votar em Louçã. Eu, pelo menos, não tenho o hábito de votar "em mim", se é que me entendes :).

Publicado por: Denis o Pimentinha às setembro 25, 2005 11:57 PM

Há uma coisa na política que se chama confiança. No Bloco só temos a figura do mandatário quando ela é legalmente exigida, por isso ela não podia ser convidada. Mas voltando à confiança, é uma coisa que há ou não há. Eu pessaolmente perdi a confiança. Ela fez uma escolha política. Obviamente que será sempre militante do Bloco e nunca será ua militante de 2ª porque essa expressão por aqui não existe, agora permites-me a liberdade de não a nomear novamente, ou não votar novamente nela, para cargos em que ela represente o Bloco,porque deixei de ter confiança política nela. É uma opinião pessoal. Se calhar no BE há quem pense que a atitude dela foi um bom trunfo para dar visibilidade ao partido, não sei. Não se trata de excluir ninguém. É apenas a minha opinião, que vale o que vale.

Publicado por: Daniel Arruda às setembro 26, 2005 12:22 AM