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setembro 29, 2005
"Os Putos"
Por:Isabel Faria

Uma bola de pano, num charco
Um sorriso traquina, um chuto
Na ladeira a correr, um arco
O céu no olhar, dum puto.
Uma fisga que atira a esperança
Um pardal de calções, astuto
E a força de ser criança
Contra a força dum chui, que é bruto.
Parecem bandos de pardais à solta
Os putos, os putos
São como índios, capitães da malta
Os putos, os putos
Mas quando a tarde cai
Vai-se a revolta
Sentam-se ao colo do pai
É a ternura que volta
E ouvem-no a falar do homem novo
São os putos deste povo
A aprenderem a ser homens.
As caricas brilhando na mão
A vontade que salta ao eixo
Um puto que diz que não
Se a porrada vier não deixo
Um berlinde abafado na escola
Um pião na algibeira sem cor
Um puto que pede esmola
Porque a fome lhe abafa a dor.
Ary dos Santos
Publicado por Troll Urbano às setembro 29, 2005 11:01 PM
Comentários
Isabel, adoro este poema cantado pelo Carlos do Carmo. É lindo.
Publicado por: soslayo às setembro 29, 2005 11:22 PM
José Carlos Ary dos Santos deve ter sido dos maiores a compor poesia para canção.
Um Homem com uma história de vida fantástica, que assumiu a homosexualidade quando era quase crime fazé-lo.
Das letras dele cantadas por Carlos do Carmo destaco duas que já aqui postei, que me dizem muito. "Um Homem da cidade" e a "Estrela da Tarde"
Publicado por: Daniel Arruda às setembro 30, 2005 01:32 AM
O José Carlos é eterno! E os "Putos", foram uma excelente escolha, Isabelinha!
=)
Publicado por: zOinGo às setembro 30, 2005 01:47 AM
è bom ser recordado destas coisas...
Publicado por: The Wolf às setembro 30, 2005 06:05 PM
e lembraste me um texto que escrevi ha uns tempos. Se me permites deixo-te o link. http://abarcadelyra.blogspot.com/2005/02/o-puto.html um abraço Isabel. Até um dia destes.
Publicado por: lyra às outubro 1, 2005 02:44 AM