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setembro 30, 2005

Pátria

Por: The
Lobo

Recebi por e-mail e não posso deixar de publicar.

È incrivel como Guerra Junqueiro em 1896 atravéz da sua obra "Pátria", descreveu Portugal dos nossos dias, conseguindo ser tão correcto e incisivo que mais palavras seriam desnecessárias.

"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonha, feixes de miséria, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia de um coice, pois que já nem com as orelhas é capaz de sacudir as moscas. [...]"

"Um clero português, desmoralizado e materialista, liberal e ateu, cujo Vaticano é o ministério do reino, e cujos bispos e abades não são mais que a tradução em eclesiástico do fura-vidas que governa o distrito ou do fura-vidas que administra o concelho [...]"

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não discriminando já o bem do mal, sem palavra, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo [...]"
"Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo [...]"
"A Justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara a ponto de fazer dela um saca-rolhas"

"Dois partidos monárquicos, sem ideias, sem planos, sem convicções [...]"
"Liberdade absoluta, neutralizada por uma desigualdade revoltante, o direito garantido virtualmente na lei, posto, de facto, à mercê dum compadrio de batoteiros, sendo vedado, ainda aos mais orgulhosos e mais fortes, abrir caminho nesta porcaria, sem recorrer à influência tirânica e degradante de qualquer dos bandos partidários"

"E se a isto juntarmos um pessimismo canceroso e corrosivo, minando as almas, cristalizado já em fórmulas banais e populares [...] teremos em sintético esboço a fisionomia da nacionalidade portuguesa [...], cujo reinado de paz podre vem dia a dia supurando em gangrenamentos terciários."


Publicado por Troll Urbano às setembro 30, 2005 07:08 PM

Comentários

O passado é o futuro. Se olhar-mos para o passado observa-se que muitas situações politicas ou sociais acontecem hoje, o que muda é o tempo e as vestes.
Um grande abraço.

Publicado por: peregrino [TypeKey Profile Page] às setembro 30, 2005 08:55 PM

Não podia ser mais actual.

A minha vénia.

Publicado por: Daniel Arruda às outubro 1, 2005 02:40 AM

Peregrino, mesmo assim as vestes não mudaram muito :), continuam é a vestir a pele do cordeirinho.

Publicado por: The Wolf às outubro 1, 2005 04:00 PM

Vejam só há quanto tempo andamos nesta pasmaceira. Há anos que alguem isto e continua actualizadissimo. Espectáculo.

Publicado por: Doomed às outubro 3, 2005 01:58 PM

Vejam só há quanto tempo andamos nesta pasmaceira. Há anos que alguem isto e continua actualizadissimo. Espectáculo. E há quem lhe chame futurologia.

Publicado por: Doomed às outubro 3, 2005 01:59 PM

Dois partidos monárquicos,...
"Liberdade absoluta, neutralizada por uma desigualdade revoltante, o direito garantido virtualmente na lei, posto, de facto, à mercê dum compadrio de batoteiros...

- Faz-me lembrar a grande curiosidade que tenho em saber quantos milhões de euros se está a dar mensalmente a politicos reformados, a antigos detentores de cargos de confiança politica, etc.

A lista toda!!!

E já agora os anos de serviço prestados.

Alguém consegue essa lista?

Publicado por: The Other às outubro 23, 2005 10:56 AM