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setembro 16, 2005

Portugal é um estado LAICO

Por: Daniel Arruda

Hoje tive reunião de pais na escola do meu "Nino", a 1ª. E não começou bem, mesmo nada bem.

Ao entrar na sala olhei, curioso, à minha volta, como penso que qualquer pai faz quando entra no espaço onde o seu filho vai passar 5 horas diárias durante um ano. Estava lá tudo. Até lá estavam coisas a mais. Quando olhei para o quadro, qual não é o meu espanto quando, por cima deste, vejo um crucifixo, com cristo e tudo.

Terminada a reunião dirigi-me à professora a perguntar o porquê daquele artefacto numa sala de aulas de uma escola pública, de um estado laico. A professora muito atrapalhada, justificou-se dizendo que ela era apenas a professora e que esse tipo de questões era coma directora. Como a directora estava ocupada não cheguei a falar com ela, pelo que vou ter de lhe enviar uma carta.
Soube, entretanto, que é normal que alguém da paróquia vá de vez em quando à escola, para falar com os miúdos sobre religião e que os pais são informados "a posteriori" dessa situação.
Espero bem que essa situação não aconteça este ano, mas pelo sim pelo não vou-me precaver e alertar para esse assunto na reunião da Ass. de Pais.

Confesso que ainda estou a digerir este abuso por parte daqueles que acham que Portugal é um estado católico na sua lei. Não o é. É laico e deveria respeitar todas as correntes religiosas e também aqueles que como é o meu caso, não têm qualquer corrente.
Quem trata da educação do meu filho, sou eu e a mãe, para o bem e para o mal e por isso foi decidido por nós que há 3 coisas em que não o iremos influenciar nunca. Na escolha do clube, do partido e da religião.

Se lá mantiverem o símbolo religioso só me resta uma solução. É arranjar um símbolo de cada uma das seitas e religiões que existem em Portugal e pedir para os afixarem todos. Assim já não haveria problemas, se calhar até era melhor, pois assim os miúdos ficavam a saber que há muito por onde escolher.

Publicado por Troll Urbano às setembro 16, 2005 05:18 PM

Comentários

Não desistas,Daniel. È uma abuso e é anti constitucional. O que me admira é que, ao longos dos anos, a maioria das escolas (sobretudo as primárias, mas não só) manteve inalterado esse "habito". E quase ninguém faz nada...
Na escola onde o meu filho fez o 1º ano, havia um crucifixo, como tu dizes, "com cristo e tudo". Na altura, na primeira reunião de pais, falei no assunto e fui eu, quase crucificada...ok, como em democracia a maioria vence, pensava então, acabei por condescender...
Quando veio para Lisboa, não havia crucifixos em nenhuma sala de aula. Pouparam-me trabalho...

Uma vez sei que foi lá um padre. Sem o meu conhecimento, nem o de nenhum pai...mas a professora que já me conhecia bem de outras andanças, teve a preocupação de me ligar (era, como fui nos outros três anos, membro da A. de Pais) a informar...perguntei-lhe se tinham avisado os outros pais...disse-me que não...não dava...ameacei que ia à escola...o Padre não falou.

Tal como tu também nunca influenciei o meu filho em principios fundamentais, como os que falas, por exemplo. Mas, enquanto eles são muito pequeninos, isso passa por ser a nossa posição e não a de outros a prevalecer.
Nunca inscrevi o JP em religião e Moral, enquanto andou na primária. Quando foi para o 5º ano, aos 9 dvevria ouvir a opinião dele e agir em conformidade. "Achas, mãe?", foi a resposta...até hoje..

Publicado por: isabel faria às setembro 17, 2005 11:22 AM