« Adeus Tristeza | Entrada | Porque »

outubro 17, 2005

As cores dos sentimentos

Por:Isabel Faria

roda.jpg

Há algum tempo no Ruínas Circulares, a Clara fazia um post sobre a cor das vogais. Lembro-me de, na altura, ter pensado e comentado. Não tenho tempo de procurar o post. Mas recordo cada cor que a Clara dava a cada vogal.
Não é sobre a cor das letras, que queria, hoje, escrever. É sobre a cor dos sentimentos. Mais que escrever, questionar. Que cor têm os sentimentos? É um desafio. No seguimento do meu post de ontem à noite. A fotografia que publiquei e que entenderam, quem a comentou, como “tristeza” (o Daniel, no post a seguir), saudade e fado (o Golfinho), ou “abandono” (o Mário) é, apenas, uma fotografia do Mar. Com uma mulher sentada ao lado. Poderia significar contemplação, repouso, espera, esperança. Porque lhe associamos estes e não outros sentimentos? Confesso que eu própria lhe associei estes e não outros sentimentos. Foi um misto de sentimentos que procurei transmitir, mas, não tinha a ver com esperança...tinha a ver, sobretudo, com nostalgia.
A minha nostalgia é portanto em tons de lilás...nem sei se é lilás, a cor da fotografia, mas eu vejo-a assim.Lilás. A cor da nostalgia.
Já um dia disse num post ou em comentários que vejo a morte branca. Que não gosto de branco. Branco é cal e cal é morte. O meu medo, é portanto, sempre em tons de branco.
Creio que vejo a paixão, azul. Para mim, azul não é calma...associo-lhe o mar revolto...ou o mar calmo, a euforia, seguida do repouso. E o seu contrário.
A tristeza, que côr tem a minha tristeza? Não é lilás. Na nostalgia há algo de positivo, de activo, que a tristeza não tem. A tristeza tem pós de abdicação que não consigo vestir de lilás. Talvez castanho. Como as árvores nuas de Outono. A minha tristeza será, pois, castanha.
O amarelo dos campos do Alentejo ou o amarelo do Sol transmite-me, sempre, um sentimento de euforia. Só penso em amarelo, quando estou eufórica. Poder-lhe-ia, talvez, associar, paixão...não soubesse, eu, que a paixão tem sempre o reverso...o amarelo não tem reverso. Vestiria a minha paixão de amarelo, se soubesse que não tem, sempre, reverso. Assim, terá que ficar azul...
E esperança...a minha esperança tem a cor do senso comum? Verde? Não me parece. Associo verde a calma...a contemplação... A vida, talvez. Mas não a esperança. Creio que a minha esperança também é em tons de azul. Porque adoro azul? Ou porque só imagino esperança vestida de paixão? Ah, e amor ? Que cor tem, para mim, o amor? Penso e não encontro uma. Tem muitas cores, o amor. Penso no meu filho. E vejo-o de tantas cores. Azul da paixão. Amarelo de euforia. Verde de calma. De novo, azul de esperança. Claro que nunca veria o amor de branco vestido. Mas o branco, por definição, é a ausência de cor.É portanto o Branco, a ausência de cor que não consigo encaixar no Amor. Até lilás e uns toques de castanho, conseguem nele caber. Branco, não. Mas o Branco, por definição, não existe.

Publicado por Troll Urbano às outubro 17, 2005 10:41 AM

Comentários

O branco é a soma de todas as cores Isabel, não é a ausência de cor.

As cores foram variando de significado ao longo da história da humanidade, estou a ler sobre isso para o meu ofício agora.

O branco para mim é a luz pura sem a qual não pode haver vida.

Publicado por: Mário às outubro 17, 2005 12:17 PM

Foi esquecimento, Mário.Esqueci-me do "para mim" na frase. Seria assim: "Mas o branco,para mim, por definição, é a ausência de cor". Pensei que estaria implícito...
Claro que eu sei que é essa a definição "oficial"...não a minha definição. Fazer o quê??? Associo branco a gelo, a cal, a frio, a paredes nuas, a frio, a gelo, a cal, a ausência, a partidas...fazer o quê???

Possivelmente nenhuma das cores, por definição, tem a minha definição...mas algum sentimento, por definição, tem a nossa definição?

Publicado por: isabel faria às outubro 17, 2005 12:29 PM

Olha, eu nem penso em cores quando estou imerso neles ;)

Publicado por: Mário às outubro 17, 2005 01:58 PM

Olá, olá, venho aqui de passagem que hoje não é "dia de net" muito pelo contrário... Mas não podia deixar passar este post!!! É curiosíssimo como a este nível somos diferentes! Não só quanto ao branco ( como já sabes, nesta altura do campeonato, a minha visão é igual à do Mário ) mas um pouco quanto às outras. Devo ser muito tradicionalista, que para mim a paixão são mesmo as cores quentes. O vermelho, o laranja, o amarelo, eu sei lá! Tudo o que fôr quente é amor.
E o azul é a tal serenidade, se for mar, é mar tranquilo, ou céu de verão, ou lago...
A tristeza é cinzenta. Isso é que é a tal não-côr, para mim. Porque gosto do castanho, castanho é terra, é chão, é força.
Onde estamos de acordo é no amarelo. Essa é a minha côr. É a cor da alegria. Gosto mesmo muito da cor amarela, tem força e calor.
Ups! Esqueci-me do verde. Deve ser por algum motivo. Acho que não me aquece nem arrefece. Até me esqueço, vê lá... Claro que adoro o verde na natureza, os campos, as árvores, mas em si mesma nem por isso. (será que é porque essa é que eu associo aos hospitais?)

Publicado por: ML às outubro 17, 2005 02:21 PM

É verdade, e afinal sou do Sporting!!!!

Publicado por: ML às outubro 17, 2005 02:23 PM

Estou como a M.L. em relação às cores. Sou tradicionalista e associo o verde à esperança e ao Sporting. :)

Publicado por: Johnny às outubro 17, 2005 11:47 PM

Branco do Alentejo. Cal que cobre, da intempérie, as paredes que acolheram o crescimento do ser.
Uma parede caiada é um escudo ao sol, para raio de luz, luz e meia chega! Olha para cá dizem as casas ao Sol,- que cegas... Simbolo dum ritual anual que afasta o decair pardo amarelo do miolo que enche as paredes das casas do Alentejo. O vento trouxe o pó, pelas janelas entrou a luz... caia-se, caia-se e, sobre o pó nova alvura reflete a luz que o céu acolhe. De dentro, da porta, sai para a rua a coberto desse brilho que tudo ilumina, que tudo ofusca, que tudo apaga e respira livre o cheiro que a terra te dá. Agora que choveu e a luz presente é a de um Sol ainda ausente. Capturado por gotas. A pouco o libertam nesse gozo que dá iluminar do chão e das folhas todo o ar que as nuvens refrescam. Olha a luz a subir deixando de branco nuvens sem sombra. Nuvens ao Sol.

Publicado por: JR às outubro 18, 2005 12:55 AM

Minha amiga, o branco não é a ausência de cor. O preto é a ausência de cor. O branco é a síntese lumínica de todas elas.

Publicado por: susana às outubro 18, 2005 01:31 PM

Susanita, vai ver a minha resposta ao Mário, faxavor!!!
Atão mas cada um não pode ter as ausências onde quiser...uma pessoa parte do principio que se está a dar as SUAS (NOSSAS) definições está subentenedido...e, afinal, não tá??? Mas que coisa é esta????
Vou ter que lá ir juntar o "para mim" ??? :):):)
Nunca mais me meto com cores é o que é!!!! Que isto de ser lido por entendidos coarcta-nos (gostaste?) a criatividade!!!!!

Publicado por: isabel faria às outubro 18, 2005 01:53 PM

Gostastes. :DD

Publicado por: susana às outubro 18, 2005 03:17 PM

Falando de luz natural, a cor Branca é aquela que possui todas as outras, podemos dizer então que é a mais completa já que aqui o preto é a ausência de cor, ausência de luz. No entanto entre os pigmentos, mais especificamente na indústria gráfica, o preto é a cor formada por todas as outras juntas, realmente a mais completa, quando o branco é a ausência de cor, ausência de pigmento. Isso é bastante contraditório.

Publicado por: Otavio às outubro 23, 2005 09:10 PM