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outubro 19, 2005
August Lumière
Por:Isabel Faria

Creio que a primeira vez que entrei numa sala de cinema foi para ver a Branca de Neve. Devia ter uns seis anos . Cheguei atrasada e a sala estava escura. Tropecei o tempo todo e devo ter deixado a mão do meu pai toda negra de tanto apertar. Já conhecia a história da Princesa adormecida. E do beijo do Príncipe. E já deveria, creio, pensar que não me importava nada de adormecer por uns tempos se fosse acordada por um Principe assim. O que vi no primeiro livro que me ofereceram, tinha cabelo louro ( prefiro príncipes morenos, mas não era por aí...) e vestia-se de verde.
No cinema não me recordo. Sei que prometi ali mesmo que voltaria mais vezes. Um Príncipe, assim, grande e tão pertinho, não se encontra todos os dias. Depois lembro-me de voltar lá para ver o Asterix e um filme maluco qualquer sobre touros e touradas. Ok, o filme talvez não fosse maluco. Mas eu não gosto de touros nem de touradas.
Entretanto o cinema da vila, foi servindo para outras coisas e não só para filmes. A mim, serviu-me para o meu primeiro beijo. Havia um lugarzinho ao fim das escadas, ensaiávamos uma peça de Teatro, ouviamos o Zeca às escondidas e a minha paixão tocava-me e cantava-me a India . Se não resistia a um Príncipe no écran, como é que poderia resistir a uma paixão que tocava viola e cantava a India?
Entre “teus cabelos negros nos ombros caídos” e “teus lábios de rosa para mim sorrindo”, não devo ter tido tempo para me lembrar que, em última análise, fiquei a dever o meu primeiro beijo a August Lumiére, que nasceu no dia 19 de Outubro, há 143 anos. Como prova que não sou ingrata aqui fica registada a efeméride. Tenho a certeza que ele compreendeu que, naquela altura, não lhe tivesse agradecido. Ele devia saber que o primeiro beijo não nos deixa tempo para agradecimentos. Nem para ler biografias.
O cinema, entretanto, fechou e é hoje um estabelecimento comercial. Mas tenho a certeza que lá bem ao cantinho, no funda das escadas, ainda há magia. E ainda se devem ouvir os sons de “ e chegar a hora dizer adeus, fica nos meus braços só mais um instante e deixa meus lábios se unirem aos teus...” . Vai uma aposta?
Publicado por Troll Urbano às outubro 19, 2005 01:59 PM
Comentários
"Eu fui ver a minha amada
L p'rs baixos dum jardim
Dei-lhe uma rosa encarnada
Para se lembrar de mim
Eu fui ver o meu benzinho
L p'rs lados dum passal
Dei-lhe o meu leno de linho
Que do mais fino bragal"
;)
Publicado por: Golfinho às outubro 19, 2005 03:56 PM
Golfinho, a nossa causa comum até que funciona... agora arranja lá uma letra para a prenda que eu vos deixei lá em cima...;)
Publicado por: isabel faria às outubro 19, 2005 05:47 PM
Desculpa, é lenço e não "leno" e, onde está p`rs é pr`rós
Publicado por: Golfinho às outubro 20, 2005 11:17 AM