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outubro 30, 2005

Diario de Belchior de dia 29 e 30-10-2005

Por: Daniel Arruda

Ontem não consegui escrever uma linha que fosse. Aliás nem conseguia pegar na caneta quanto mais escrever. Apanhei uma diarreia daquelas que me parecia que estava a desfazer aos bocados. Ao fim da tarde já estava com umas febres e até o levantar da cama para ir à casinha já me custava.
Confesso que me assustei um pouco, pois os sintomas eram iguais aos da malária, esse flagelo, que não sendo exclusivo de África tem aqui um vasto território de expansão e propagação das doenças e teria sido fácil eu ter sido picado por um mosquito qualquer durante a minha ainda curta estada neste continente.

É que a malária é responsável por cerca de 1,5 milhões de mortes por ano em todo o mundo sendo que o número de pessoas infectadas anualmente ultrapassa os 300 Milhões e eu não gostava de estar nesse lote de pessoas.
Por acaso, bem, não foi bem por acaso, foi por necessidade, até tomei todas as precauções antes desta viagem. Entre vacinas e comprimidos devo ter vazado o stock de medicamentos da farmácia da minha zona. Tomei a vacina contra a febre-amarela, contra o paludismo, contra sei lá mais o que que se pode apanhar numa viagem deste género pelos 4 cantos do mundo. Mas contra a malária não se pode tomar vacinas. Porque não há. Espantados? Mas é verdade. Numa altura em que nos preocupamos com tanta coisa, em que arranjamos solução para tantas doenças, em que a medicina faz avanços gigantescos parece que a malária não é uma prioridade. Se calhar é por matar maioritariamente pobres e excluídos. Pessoas de zonas rurais ou semi rurais, normalmente de países pobres ou em zonas pobres de países em vias de desenvolvimento como é o caso do Brasil, especialmente na floresta amazónica.

Numa época em que nos preocupamos com as guerras, em que inventamos conflitos, em que fazemos ouvir a voz das armas parece impossível que não nos preocupemos, leia-se, investamos naquilo que é responsável por milhões de mortos por ano. Ou seja, as doenças. Se calhar apenas quando somos confrontadas com elas é que damos o valor devido àqueles que sofrem com as doenças. Se calhar apenas achamos importante aquilo que nos afecta diariamente, e “felizmente” o mundo ocidental não está, ou não é, uma vítima destes flagelos pelo que não investe aquilo que deveria fazer. Um exemplo disso, populista talvez, é o facto de se canalizar mais verba para a defesa Norte Americana que para o estudo de medicamentos para estas doenças, ou de a agência espacial europeia ter um orçamento superior ao de todas as ONG’s juntas, que trabalham no terreno para que o mundo seja melhor para todos.

Hoje não estou em condições de vos relatar nada mais dado que ainda não saí do quarto onde me encontro. Amanhã espero voltar ao terreno para vos falar do que me trouxe à África do Sul. Mas este interregno não foi em vão. Levo uma nota de Dólar para o menino da palhas para que ele se lembre do que ainda falta fazer em matéria de investimento numa área que afecta tantos seres humanos.

Ah, uma nota. A minha diarreia foi apenas causada pelas diferenças de alimentação ou de clima. Não tenho nenhuma doença mas ……

….. e se tivesse??? Se calhar como todos nós gostaria de ter uma cura. E se a quero para mim também a quero para os outros.

Publicado por Troll Urbano às outubro 30, 2005 05:00 PM

Comentários

Belchior,não te esqueças que tens que beber muita água, mas que a tens que ferver. Tem cuidado com o que comes. Não podes beber leite. Come bananas (há aí bananas?). O que o Daniel ma havia de fazer, obrigar-te a andar por esses sítios. Só me dá preocupações aquele rapaz!!!

Publicado por: isabel faria às outubro 30, 2005 07:14 PM

Já estou melhorzito e já vou voltar à rua hoje. Agua e bananas??????

Já tinha ouvido falar de agua com farinha, agua de arroz, agora de banana é a 1ª vez.
Obrigado Isabel pela preocupação, mas olha que o Daniel não tem culpa nenhuma disto.

Publicado por: Belchior às outubro 31, 2005 09:05 AM

E há alguma coisa de que o Daniel não tenha culpa???

E,meu querido Belchior,não é água de bananas.É água e bananas. Dá para ver a diferença?

Publicado por: isabel faria às outubro 31, 2005 10:38 AM