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outubro 31, 2005

Umas perguntas que se impõem.

Por: Daniel Arruda

Quando é que Portugal vai cumprir as suas obrigações e vai interferir diplomaticamente no conflito da Guiné- Bissau?

Se não é para estes casos, para que serve a CPLP?

Para que serve estar representado em todos os organismos mundiais com relevância se não fazemos lá nada?

Política externa para o Governo português resume-se a discutir défice e apoiar os EUA?

Publicado por Troll Urbano às outubro 31, 2005 09:23 AM

Comentários

Respostas às perguntas que se impõem:

1) Portugal não pode interferir diplomaticamente no conflito interno da Guiné-Bissau.

2) A CPLP tem por objectivos a concertação político-diplomática entre os seus Membros em matéria de relações internacionais, a cooperação, particularmente nos domínios económico, social, cultural, jurídico e técnico-científico e a materialização de projectos de promoção e difusão da língua Portuguesa, nomeadamente a dinamização do Instituto Internacional da Língua Portuguesa.

3) No âmbito das Nações Unidas, só pode existir interferência na jurisdição interna de um Estado se isso colocar em causa a paz internacional.

4) Défice não é política externa e os EUA não são chamados para aqui.

Regista-se, com agrado porque partilho dela, a mentalidade neo-colonial do Daniel.

Publicado por: Augusto Castro às outubro 31, 2005 10:38 AM

Não se trata de mentalidade neo colonial, pois aí não partilhamos nada. Se há coisa que não sou é neo colonialista. Gosto é da democracia e detesto ditadores corruptos como Nino Vieira.

Quem é que falou em nações unidad. Poderiam ser comissões de acompanhamento criadas ao nível da UE, por exemplo.
A CPLP é mais do que diz aí e poderia ser muito mais se houvesse vontade política.
Quanto a poder interferir ou não, é uma questão de vontade.

Publicado por: Daniel Arruda às outubro 31, 2005 10:52 AM

Foi por uma questão de vontade que George Bush Jr. invadiu o Iraque. O Daniel acaba de justificar, de uma forma simples, uma acção belicosa do imperialismo americano.

Realço a vontade que tem de converter a UE num novo imperialismo através das chamadas comissões de acompanhamento.

Para resolver o problema da Guiné-Bissau tem uma solução simples: corte-lhes os fundos de apoio internacional e vai ver como implementam a democracia rapidamente.

Publicado por: Augusto Castro às outubro 31, 2005 11:21 AM

Portugal pode inferir diplomaticamente no conflito interno da Guiné-Bissau - artº 8º da CRP., a pedido da própria Guiné.

A CPLP existe para esses casos.

o Daniel tem razão na forma como expõe os problemas, apesar de omitir certos pontos da nossa política externa.

Daniel, não ligues, gazes da reacção.

Publicado por: Franz às outubro 31, 2005 11:24 AM

É completamente falso que o artigo oitavo da CRP permita a ingerência de Portugal nos assuntos internos de um Estado soberano como o é a República da Guiné-Bissau. Portugal não tem o direito de interferir na Guiné-Bissau por ter sido uma antiga potência colonial. Apenas a ONU, no exercício das suas atribuições, de acordo com a Carta das Nações Unidas, o pode fazer.

O que o Daniel escreveu é extremamente perigoso porque ele defende o direito de, de acordo com o critério dele do que é uma democracia e uma ditadura, ingerência nos assuntos internos de um Estado membro.

Só a ONU é que o pode fazer em representação da comunidade internacional. Não faz sentido criticar a actuação dos EUA por esse mundo fora e depois defender-se a interferência de Portugal em África, passando um atestado de menoridade aos africanos para se governarem.

A CLPL não pode interferir na Guiné-Bissau porque isso não faz parte das suas funções. Leiam os estatutos da CLPL para ficarem melhor informados.

Sobre a possibilidade de interferência "a pedido da própria Guiné" isso é um terreno muito perigoso. Um Governo demitido tem direito a pedir essa interferência? O Nino Vieira vai pedi-la? Quem tem direito a pedir uma interferência externa? Que lições de democracia temos nós a dar aos guineenses com casos como os que aconteceram nas eleições autarquicas do Seixal?


Publicado por: Augusto Castro às outubro 31, 2005 11:49 AM

Para onde remete o artº 8º? Ordem jurídica internacional - ONU

Publicado por: Franz às outubro 31, 2005 02:00 PM

Augusto Castro, sabe que há uma frase que certas pessoas gostam muito de utilizar que se chama magistratura de influência.

Aplicado á diplomacia pode trazer sempre bons resultados.

A Guiné -Bissau ,é de todas as antigas colónias portuguesas, aquela em que a estabilidade governativa mais dificil tem sido de conseguir

O nosso aliado na U.E. a França não é estranha a esse facto.

As fronteiras coloniais , com a situação de Casamanssa no Senegal, e certos apetites territoriais da Guiné Conakri, não são estranhos á instabilidade continua na Guiné -Bissau.

Não é errado DIPLOMATICAMENTE , Portugal fazer sentir aos governantes da Guiné-Bissau que as continuas reviravoltas e golpes de estado , não favorecem uma relação pautada pelo respeito mutuo , dado que o Estado Português é em muitos casos o fiador dos creditos pedidos pela Guiné.

Quando da invasão da Guiné pelo Senegal, a pedido de Nino, e com o apoio da França, Portugal, e bem, apoiou a facção de Mané, pois estavam em causa a integridade territorial da antiga colonia, e mais a França estava a proceder como potência ocupante por entreposto país.

O neo-colonialismo que eu REPUDIO LIMINIARMENTE, nada tem a ver com o papel que a CPLP pode desempenhar, como força de pressão, para que os governantes da Guiné Bissau ,possam encontrar dentro de principos e normas democraticas, soluções para as divergências que os separam .

Isto nem de perto nem de longe se assemelha ás atitudes belicistas ,e de invasão de países soberanos, levadas a cabo pela Administração Bush.

Publicado por: a.pacheco às outubro 31, 2005 02:05 PM

Augusto Castro, Depois de todo o argumentário fico com uma dúvida. Devemos assibiar para o lado ou fechar os olhos. É que se nada é possível fazer então devemos deixar os Guinienses entregues à sua sorte, não é? Ou esperamos por um genocidio para actuar.
As pessoas não são mercado e como tal não se aplica a máxiam capitalista que o mercado se regulará sozinho.

Essa sua visão de política externa deixa-me aterrorizado. Pelos vistos até podiamos fechar todas as delegações que temos por esse mundo fora. Com a net é tão fácil falar ao embaixador se ele estiver algures no mundo ou em Portugal.

Ah, já agora agradeço o facto de ter insinuado 1º que eu era neo colonialista e depois, noutro comentário, imperialista.

Publicado por: Daniel Arruda às outubro 31, 2005 02:06 PM

Num ponto estamos de acordo: as pessoas não são mercado. Estamos em desacordo noutro ponto: que os africanos sejam incapazes de se governar e de resolver os seus problemas sózinhos.

Não se absepinhe com as críticas que lhe fiz de "colonianista" e "imperialista". Estamos num debate político e usamos os argumentos necessários para "descredibilizar" o adversário. Alguns posts atrás chamaram-me "reaccionário" e relacionaram-me com gazes intestinais o que não me provocou qualquer desagrado contra o seu autor.

Quando se escreve muitas vezes exageramos na forma como expomos as nossas ideias. "Ao vivo" teríamos o bom senso dos seus 100 Kg não chocarem contra os meus 120.

Resposta ao Franz: a ordem jurídica internacional não aceita interferências na ordem interna dos Estados. A intervenção na ex-Jugoslávia ganhou legitimidade a partir do desmembramento daquele Estado e dos conflitos inter-religiosos. Acções "preventivas" fazem a delícia dos americanos. É preciso de ter cuidado com isso. Não se pode ser "preventivo" nos casos que defendemos e recusar aos outros o direito da prevenção, supondo-nos donos da verdade.

Publicado por: Augusto Castro às outubro 31, 2005 02:27 PM

Resposta ao 3º parágrafo: leia a tese de Doutoramento do Prof. Doutor João Mota Campos, eu abro um blog e depois discutimos esta questão nesse outro sítio, para não incomodarmos mais estas belas pessoas. como sabe existem várias teses sobre o que estamos a discutir.

Publicado por: Franz às outubro 31, 2005 02:35 PM

P.S. que falta me fazem nestes dias o Golfinho e o exilado :(

Publicado por: Franz às outubro 31, 2005 02:37 PM

Caro Franz

Tenho uma regra: nunca chatear um blog mais do que um dia. A minha tarefa está terminada. Vou procurar a próxima vítima.

Um abraço mal cheiroso deste gajo reaccionário

Publicado por: Augusto Castro às outubro 31, 2005 02:43 PM

Augusto Castro, deve-me ter escapado alguma coisa mas aqui não estamos num debate político e eu não quero de forma nenhuma descredilizar adversários políticos. Fazer isso numa caixa de comentários de um blog em que todos sabem qem sou e eu apenas sei o "Nick name" de quem está a escrever seria absurdo.
O que um blog faz é dar espaço a quem nele escreve de emitir as suas opiniões se ser censurado por elas ou receber o acordo de quem aqui comenta.

Posto isto um comentário ao que diz. Eu acho que os Africanos tÊm forma de se defenderenm sozinhos. Não é disso que se trata. É de bom senso e de proactividade em relação a questões que não sendo exclusivamente políticas são também de justiça para com os guinienses que tal como em Portugal muitas vezes são ultrapassados pelos políticos que têm. Já agora e não venha dizer que é diferente, quando o presidente do Irão foi eleito e mesmo antes de toda e qualquer declaraçõ já a UE estava a mandar "bitaites" sobre a política iraniana. PElos vistos há dois pesos e duas medidas.

Franz, as caixas de comentários são mesmo para isso e por cada indicação que dão sobre leis e coisas a ler estou (estamos todos) a ficar mais ricos pois dá-nos pistas e dicas para lermos e nos instruirmos. Não te acanhes, esta assoalhada é também tua.

Publicado por: Daniel Arruda às outubro 31, 2005 02:46 PM

Peço desculpa então Daniel, não queria afugentar o Augusto, só que em matéria de D. Internacional público existem imensas teses sobre esta matéria que davam para colorir um blogue inteiro.
Tudo em direito é viável, desde que devidamente fundamentado, e quando li aí "totalmente falso"... e, no fim acabou por dar-me razão. No entanto tb tenho de lhe dar razão porque existe Doutrina e Jurisprudência que lhe dá razão. Mas isso é matéria demasiado pesada, longa para ser trazida à colação a este blog.

Publicado por: Franz às outubro 31, 2005 03:00 PM

Franz ele volta, com outro nome mas volta. Já teve pelo menos 3 diferentes aqui no Troll.
Aliás tu só afugentas quem não tem capacidade argumentativa para ti o que é mau apenas para quem desiste e nunca para a tua pessoa.

Publicado por: Daniel Arruda às outubro 31, 2005 07:05 PM

deixa-me especular para não saír ofensa: o católico assumido que apareceu por aí? e o j. miranda de ontem?

Publicado por: Franz às outubro 31, 2005 10:03 PM

Confirmo, caro Franz. O católico assumido e o J. Miranda são nicks do mesmo ente. Por meu lado, sou o terceiro heterónimo do ente dos outros dois.

E quem escreve é o ente dos três nicks. Mas cansei-me rapidamente. Vou ler sem opinar. Paz nos vossos e no meu coraçãozinho.

Publicado por: Augusto Castro às novembro 1, 2005 12:38 AM

Augusto, a conversa não é comigo, mas deixe-me meter, por momentos, a colher.
Ao meu coração o Sr. nunca trouxe, nem acredito que viesse a trazer problemas de maior. Claro que, às vezes, me fez (epero que o verbo seja no presente, sinal que voltará) "passar" (como ontem com aquela dos meninos de África (e aquele, afinal, tinha um sorriso lindo e feliz...tantas vezes, neles, raro, para mal dos seus e meus "pecados"), mas isso não significa que não gostemos de o ver por aqui. Na minha óptica a vida não teria nenhuma piada sem divergências de pontos de vista. Creio que é claro para si que não pretendemos ofender ninguém. Pretendemos, apenas, usar a liberdade que tanta dor custou aos nossos pais, para expormos livremente os nossos pontos de vista. Discutívies? Errados? Possivelmente muitas vezes.
Quanto aos seus "hetenónimos", posso não entender que tenha sentido necessidade deles, mas não me sinto com o direito de por eles o questionar. Quantos terei eu, ao longo do dia, meu caro Augusto? Quantos teve o Fernando Pessoa (e, claro que não nos vou comparar a ele...) e o prazer que nos dá, que os tivesse tido.
Espero, pela minha parte, que reconsidere. E espero até (aqui faz-nos falta o Hope, em vez do Wait) que lhe apeteça vir discutir connosco ao Troll, sem dos seus heterónimos sentir necessidade.

Publicado por: isabel faria às novembro 1, 2005 11:04 AM

Bom dia Isabel

Os heterónimos revelaram-se necessários porque se usasse sempre o mesmo nome as respostas que receberia, sendo eu um católico assumido, viriam sempre no mesmo registo, isto é, "ataques" às minhas convicções. Ao assumir-me "discípulo" de Bukarine (a grafia é errada mas é para "aportuguesar"...) mudei o registo das respostas (vidé o colega comentador a.pacheco) e pude usar a ironia como forma de debate.

Quanto a ter-se "passado" lamento muito que isso tivesse acontecido consigo porque não foi essa a minha intenção. Pretendi levar o debate para a questão da exploração da mão-de-obra infantil mas fui mal entendido. Desculpe-me pelo equívoco.

Sobre a minha participação como comentador deste Blog, eu decidi terminá-la por vários motivos, que lhe explicarei de seguida.

Gosto do debate mas, devido às minhas características de personalidade, vivo as coisas com paixão o que, bastantes vezes, e é um defeito meu, perco a frieza e o distanciamento necessário e excedo-me no que escrevo. Reajo a "quente" e depois de clikar no "submeter" fico arrependido daquilo que escrevi, penso se terei magoado alguém, etc, etc. O problema é que depois repito as mesmas acções, fico com os mesmos remorsos, etc, etc. É um circulo vicioso que eu quero quebrar.

Eu considero-me um cristão com vistas abertas para o mundo. Geralmente almoço com 3 ateus que entre duas garfadas no cozido à portuguesa contam anedotas sobre padres e freiras só para me provocar. Leio jornais de direita, como diz o a.pacheco, mas também leio jornais de esquerda se os encontrar. Já tenho comprado o Avante. Para mim, um ateu, um agnóstico, um protestante, um militante da new age, um budista, um muçulmano, merecem-me todos o máximo respeito. Converso com todos sem problemas nem preconceitos. Exijo apenas que respeitem apenas as minhas crenças e convicções tal como eu respeito a deles. Se eu acho que estou na religião verdadeira e certa também aceito que os outros pensem o mesmo da religião deles. Há pontos comuns com todos: o respeito pelos direitos fundamentais da pessoa humana, a defesa da paz, a tolerância, etc. São regras simples que nos permitem viver em sociedade sem nos agredirmos uns aos outros.

Na política as coisas funcionam, para mim, da mesma maneira. Respeito quem me respeita e respeito quem não me respeita. Não tenho partido "fixo", pertence a uma classe de eleitores que decide em função de programas e pessoas. Votei Sócrates e Guterres, como também votei uma vez Cavaco Silva para depois me arrepender de o ter feito (também me arrependi de ter votado Sócrates porque penso que um político deve ser verdadeiro e leal com os seus eleitores). Votei Soares e Sampaio, recusei-me a votar nas últimas autarquicas por não me reconhecer em nenhum candidato e programa. Nas próximas eleições presidenciais, não sei ainda em quem vou votar. Provavelmente no poeta Manuel Alegre ou em ninguém. Na segunda volta, entre Cavaco e Soares irei abster-me porque não gosto nem de um nem de outro. Poderei um dia votar no Bloco se o Bloco apresentar ideias e programas que me cativem. Mas há um óbice: o facto de ser anti católicos, de uma maneira bastante exacerbada. Poderei eu votar num partido que agride as minhas convicções profundas sem as respeitar? Claro que não. É por isso que o crescimento do Bloco está limitado. Tal como eu milhares de pessoas pensam o mesmo. E mesmo os católicos que votam Bloco fazem-no como um voto de protesto. Se um dia o Bloco tivesse hipóteses de chegar ao poder eles mudariam o sentido do voto, podem ter a certeza.

O Bloco só crescerá se um dia Francisco Louçã for entrevistado na TSF, como foi no último Sábado, e à pergunta venenosa da Margarida Marante "é ateu?" não responder um simples "sim" e acrescentar "sim, mas..." e demonstrar um profundo respeito pelas convicções dos outros.

E é tudo. Isabel. Se me permite, despeço-me com um beijo respeitoso desejando-lhe as maiores feilicidades pessoais, profissionais e politicas (na sua função na junta freguesia...).

Publicado por: Augusto Castro às novembro 1, 2005 12:24 PM

A resposta foipara a Isabel mas não resisto a meter a colher. Desde quando é qie o BE é anti católico. Se sim porque haver pessoas profundamente religiosas na direcção do partido?

Eu sou ateu, e crítico da igreja mas eu não sou o BE. O Fransisco Louçã é Ateu, mas ele não é o Bloco como querem fazer crer.

Não percebo o porque de se ter de dizer sim sou ateu , mas....
Sou porque sim.

Publicado por: Daniel Arruda às novembro 1, 2005 01:17 PM

Augusto, não precisava de dar explicações. Para mim é claro que apesar de o Augusto parecer não pensar isso, fui "feita" a respeitar os outros. Mesmo que os não entenda (sobretudo se os não entender?).
Só uma notinha em relação à sua afirmação que o Daniel comentou.
Não gosto de mas...a sério, em princípio e por princípio não gosto de conjunções adversativas. Não se é ateu, mas...ou não se é crente mas...é-se ateu porque não se acredita em Deus, é-se crente porque se acredita...não se é democrata mas...não se é tolerante mas...é-se democrata porque se aceita e respeitas as ideias dos outros. É-se tolerante porque se aceita e se respeita as opções dos outros.
Não acho que tenhamos que recorrer a qualquer "mas" ou qualquer "no entanto". Seria, tem que ser um pleonasmo.Tem que estar subentendido, a nossa prática tem que fazer perceber que sou ateia mas...respeito os que não são. Penso, sinceramente penso, que a prática do Bloco e de F.L. prescindem sem dificuldade do mas...mas respeito, claro, que você não pense assim.

E é tudo. Obrigado pelos voto de felicidades.Retribuo.

Publicado por: isabel faria às novembro 1, 2005 01:44 PM

Uma resposta ao Daniel Arruda

Qual o significado do "mas..."? É muito simples, Daniel: Que garantias tenho eu se um dia o Daniel chegar ao poder com 80% dos votos, que a minha liberdade religiosa, de expressão e opinião, sendo eu uma minoria, seja respeitada? Que garantias tenho eu de poder educar os meus filhos nos princípios e valores em que acredito? Que garantias tenho eu que o Daniel um dia não queira acabar com a "fábula" porque ela impede o "progesso"?

No mundo em que vivemos, o Daniel é completamente livre para escrever o que muito bem entender, assim como eu o sou. Mas (cá está o mas...) no mundo do Daniel eu teria essa liberdade? Não será que é uma questão omitida porque é incómoda?

Um abraço de despedida

Augusto Castro / Joaquim Miranda / António Parente

Publicado por: Augusto Castro às novembro 1, 2005 02:24 PM

Actualmente também se vive na intolerancia. O que me diz ao facto de o meu flho ter um crucifixo na sala de aula a escola é pública e o estado é laico.

QUanto à sua pergunta. Teria toda a liberdade tal como todas as religiões e congregações em pé de igualdade. Acabava-se era com essa vergonha que é a concordata.

Publicado por: Daniel Arruda às novembro 1, 2005 02:41 PM

Posso? Heterónimos? Fernando Pessoa? Fernando Pessoa
foi rotulado, e bem, como bipolar com personalidade boderline pelos psiquaitras devido a esse facto, e não foi crucificado por essa blogosfera for como eu.
E dava erros de ortografia como Daniel...
Para que conste da acta!
quero ver se roubam se este comentário...

Publicado por: golfinho às novembro 1, 2005 02:56 PM

Ai, Golfinho aqui ninguém anda a roubar nada a ninguém. Nem comentários, nem heterónimos...E já tá na acta...
(olha lá andaste a correr atrás das bruxas??? Temos sentido a tua falta por aqui!!! Não sabes que para estar tanto tempo sem vir ao Troll tem que se meter licença? Cad~e o papelucho???)

E deixa só que te diga, para terminar que o Daniel não dá erros de ortografia...:):) e nem te atrevas a alterar-lhe a pontuação que ele é grande e bate na gente!!!

Publicado por: isabel faria às novembro 1, 2005 03:04 PM

Olha tô a caminho, tô a caminho. Tô com o Rafa a jogar Fifa 06. Um beijo para ti e um abraço grande para o daniel e para o Lobo.

Publicado por: Golfinho às novembro 1, 2005 03:15 PM

Leu o texto da Concordata? Estou convencido que não o fez.

Pesquise na internet, leia-o, compare-o com a lei da liberdade religiosa e depois emita a sua opinião.

Só umas dicas:

1)de acordo com a lei da liberdade religiosa qualquer Igreja ou confissão religiosa pode assinar com o Estado português um acordo semelhante ao da Concordata;

2) O acordo entre a Igreja Católica e o Estado português chama-se Concordata porque é um tratado internacional (o Franz pode explicar-lhe melhor isto) que garante liberdade à Igreja Católica e define a separação completa entre Estado e Igreja Católica; há Concordatas assinadas entre a Santa Sé e vários Estados, Portugal não é caso único;

3) mesmo a menção sobre o divórcio, condenada pelo deputado António Filipe do PCP na Assembleia da República, não é chocante porque apenas refere que é um dever dos católicos respeitarem as leis canónicas quanto ao casamento. Como deve saber nada impede um católico de se divorciar. A única consequência é apenas religiosa e mesmo essa é bastante leve nos tempos actuais, não afasta ninguém da Igreja.

4) a questão de poder existir numa escola uma cadeira de educação e moral católica, se existirem pais que o requeiram, está prevista na lei da liberdade religiosa, nomedamente no seu artigo 5º que afirma que "O Estado cooperará com as igrejas e comunidades religiosas radicadas em Portugal, tendo em consideração a sua representatividade, com vista designadamente à promoção dos direitos humanos, do desenvolvimento integral de cada pessoa e dos valores da paz, da liberdade, da solidariedade e da tolerância".

Quanto ao crucifixo na escola pública penso que o Daniel deve exigir que seja retirado. Está no seu pleno direito. No entanto, o objectivo do Daniel é outro: afastar a religião da vida das pessoas, porque a "religião é o ópio do povo", tal como disse Karl Marx. Se todos os simbolos religiosos forem abolidos da sociedade então atinge-se o máximo da laicidade e aí deixa-se de ter o problema dos crentes e não-crentes porque todos seremos ateus. Ao defender um estado laico o Daniel pretende um Estado ateu, ou seja uma forma do Estado adoptar os seus pontos de vista sobre os malefícios da religião na sociedade. Laicidade é muito mais do que isso. Não lho vou explicar, descobrir por sí próprio será muito mais interessante... Mas olhe que a Igreja Católica aos jovens ensina-lhes basicamente a cumprir os 10 mandamentos. Basta que eles cumpram o respeitar o pai e a mãe, o não matar, o não cobiçar mulher alheia, e já lhes evita muitos problemas na vida... Última observação: o Daniel beneficia da Concordata. O Domingo é feriado porque é um feriado católico respeitado pelo Estado Português de acordo com o estipulado na Concordata. A maioria dos feriados religiosos são acordados entre a Igreja e o Estado. Sabe quem quis acabar com esses feriados? Cavaco Silva.

Quando eu andei no ISEG em no fim dos anos 70, início dos anos 80, eu tinha uma cadeira que se chamava "Economia Política" e onde tive de ler, na íntegra, "O Capital" além de textos de Rosa Luxemburgo, Gramsci, etc. Fui o melhor aluno daquele ano nessa cadeira. O ISEG era (e é) uma escola pública. Considera correcto que uma escola pública difundisse uma fisolofia/ideologia política de que uma parte significativa da sociedade discordava frontalmente? Os contribuintes não marxistas deviam pagar a difusão do marxismo pela sociedade, contra os seus princípios?

Quando quer colocar a Igreja Católica em pé de igualdade com todas as outras confissões religiosas o Daniel não está preocupado com questões de justiça. Pretende apenas diminuir a importância da Igreja Católica, colocando-a ao nível de uma Igreja Maná ou IURD.

O Daniel tem um ódio doentio contra a Igreja Católica por motivos que desconheço mas que devem ser justificados e muito respeitáveis. Escreva o que escrever sobre religião nota-se um ressabiamento forte. E isso assusta qualquer católico assumido porque o Daniel encara-nos como "inimigos". Pode negá-lo mas esta é a interpretação que faço das suas palavras. E se o Daniel chegar um dia ao poder eu fico com medo que ele me impeça de eu viver a minha "fábula". Aí é que está o busilis da questão.

Publicado por: Augusto Castro às novembro 1, 2005 05:32 PM

Epá oh franz parece que te saíste muito bem sem nós dois, Parabéns!

Publicado por: Exilado às novembro 1, 2005 05:38 PM

Augusto Castro, vou tentar ser breve na resposta, até porque é tarde. Eu embirro com tudo o que falseia a verdade. Para mim, e olhe que estudei o fenómeno igreja, as religiões são 80% de mentiras sob um manto de humanismo. As mentiras vão desde a apropriação de rituais pagãos até à omissão de escritos não conformes com a doutrina da igreja.
Embirro também com tudo aquilo que provoca morte e sofrimento de 3os e aí incluo a intolerancia religiosa no que á contacepção e ao aborto diz respeito bem como as guerras em nome da religião.

Mas se me ler com cuidado verá que tenho essa postura com todas as pessoas partidos ou instituições que tenham essa prática mas normalmente só sou lido e criticado quando aponto os mesmos defeitos que aponto a tantos outros quando falo da igreja.
Chama-se a isso intolerancia de quem acha que a igreja é perfeita e indiscutivel e muito menos criticável.

Uma nota eu falo em igrejas, não em ICAR, embora ache que são farinha do mesmo saco.
Não defendo que as pessoas devem ser todas ateias, o que defendo é que todas as religiões deveriam ser iguais perante o estado e perante os cidadãos e isso não acontece.
Se eu for a uma igreja e der uma donativo e pedr recibo não mo dão. Sabe porquê? Porque não pagam impostos. Acho imoral e injusto especialmente de quem apregoa o que a igreja apregoa. Sabe que a Igreja se pagasse impostos estes representariam 1,2% a menos no défice?
É contra isso que sou.

Quanto à escola, nem deveia ir por aí. Se deu Marx na faculade já tinha idade para pensar por si, mas quando se fala do Natal católico nas escola primárias, da Páscoa Católica, isso é o quê? Eu chamo-lhe manipulação.
Eu também dei pensadores de filosofia com os quais não concordei, foram importantes na minha formação, quanto mais não seja para saber o que eu não queria. Estudei Hegel, para hoje saber exactamente que aquele é um caminho que eu não defendo.

Já agora sou batizado e fiz a 1ª comunhão. Tornei-me ateu aos 17. Há quem diga que abri os olhos nessa altura mas antes frequentei 6 seitas diferentes para ter a certeza do que falava. Encontrei lá muita gente boa mas no que a ideias diz respeito foi para mim uma desilusão. Nunca gostei de fundamentalistas.

Publicado por: Daniel Arruda às novembro 2, 2005 01:31 AM

Com a sua resposta considero terminada a nossa conversa sobre religião. Felicidades com o Blog, vou continuar a lê-lo embora me abstenha de o comentar.

Publicado por: Augusto Castro às novembro 2, 2005 08:46 AM

Castro,Miranda ou Parente, só uma pequena correcção se me permite, BUKARINE, como aportuguesou, NUNCA, foi anarquista na vida dele, há um russo Bakounine que esse sim foi teorico, de um certo anarquismo do seculo XIX.

Quanto ás convicções religiosas do Bloco, dir-lhe-ei, que o mandatário nacional do Francisco Louçã, e cabeça de lista ás ultimas eleições legislativas por Coimbra, José Manuel Pureza é um
católico convicto.

Agora não confundir a liberdade religiosa, que eu defendo plena, com tentivas de sectores extremistas da Igreja Católica, que tentam impôr á sociedade no seu todo, normas e valores ,que só devem ser seguidos pelos que aceitam a crença católica.

No pluralismo da Igreja Católica , da teologia da libertação ao Papa Ratzinger, quantas diferenças, quantos fossos a separá-los, mas tal como não quero imiscuir-me numa fé que já não é a minha, tambem exijo que os católicos respeitem o meu ateismo , e não pretendam impor-me os seus dogmas.

Por último desconheço porque sentiu a necessidade de usar heteronimos, o debate nunca é á volta de pessoas, mas de opiniões escritas, e essas é que eu tento rebater, dentro das minhas capacidades e conhecimentos....

Volte sempre com qualquer nome, opine, que é das poucas coisas que nos dia de hoje não paga taxa....

Publicado por: a.pacheco às novembro 2, 2005 05:20 PM

Caro a.pacheco

Tem razão no que diz respeito ao Bukarine. Eu queria-me referir ao anarquista mas a memória já não é o que era...

Quanto ao resto, ao longo dos meus comentários já expliquei a minha posição por isso escuso de me repetir...

Quanto ao uso de nomes diferentes foi uma tentativa de não receber sempre o mesmo tipo de respostas... Foi giro ter sido referido como um gaz da reacção, como um leitor de jornais direitistas, demagogo, etc, etc... Se eu fosse só o António Parente chamarme-iam trezentas vezes "beato" o que seria cansativo para vcs e para mim... :-)

Felicidades pessoais, profissionais e políticas... Tudo de bom na sua vida. Se alguma vez for perseguido por causa do seu ateísmo ou das suas ideias e opiniões eu estarei do seu lado.

Um abraço do António Augusto

Publicado por: Augusto Castro às novembro 2, 2005 07:23 PM