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novembro 27, 2005

Paris - I

Por:Isabel Faria

Comecei a fazer umas notas sobre o que vi em França. Mas não sei escrever pouco. Sou exagerada em tudo. Nada a fazer. Serão, portanto, arbitrariamente divididas, até porque aqui, no Troll, ainda não aprendi, a fazer um post com entrada alargada (Zoingo!!! Tás aí????). Ficarão assim divididos por três posts, em três dias. Para não apanharem uma overdose de França.

Anos 70
Recordo uma mescla enorme de gentes e de cores. Saída duma pequena vila ribatejana para a cidade Luz, sem nunca ter posto um pé em Lisboa, as pessoas que se amontoavam nas entradas dos monumentos e dos museus, ou nas entradas e nas plataformas do metropolitano, eram um mundo. Desconhecido. Gigante. Mas nunca, o recordo, assustador.
Novembro de 2005
A mescla de gente tornou-se a de todas as cidades. Muitos japoneses. Alguns espanhóis, italianos. Ouve-se falar inglês, mas não me parecem tão grandes a aglomerações nas entradas dos monumentos ou nas plataformas do metro. Ouço, sobretudo, falar francês. Se parar e olhar melhor, apesar da mesma língua, continua a haver cores de pele diferentes e variadas. Mas parece que os sotaques se perderam. Na manhã de Domingo, as estações do Metro por onde passei, estavam tão vazias que, sem querer e, sobretudo, depois da experiência matinal na validação dos bilhetes, dava comigo a, desconfiadamente, olhar em volta e a procurar "companhia"

Por todo o lado via norte africanos, com ar ocidentalizado, mas cujos sotaque e tez não enganavam. Sempre juntos e sempre barulhentos eram uma imagem dos comboios suburbanos que me levavam, nos finais de cada Domingo, a Évry, mas também das estações e das carruagens do metropolitano em pleno centro da cidade.
Não vejo quase ninguém no centro da cidade com tez da África do Norte. As mulheres que encontro (muito poucas) usam agora burka e há, desta vez, muitos mais africanos da África Negra, do que os que me recordo ver então. Com os anos e explicando o que se acaba de passar em Paris, parece claro que os imigrantes magrebinos e os seus descendentes foram definitivamente expulsos do centro da cidade.

Nos bancos do Jardin des Plantes ou nas carruagens do Metro, na entrada de Nôtre Dame, nas ruas de Corbeil ou saindo do comboio perto dos bidonvilles de Villeneuve St George, voltava, cada minuto a sentir-me em casa. Chocada, ouvia uma linguagem a que os meus pais nunca me habituaram. Mas reconfortada, voltava ao meu mundo.
Nunca ouvi falar português em Paris, durante a minha estadia, a não ser no Hotel de luxo onde, por razões profissionais, me encontrava. Olhar cada um que por nós passa e tentar encontrar a fisionomia dos nossos conterrâneos, tornou-se tarefa complicada. Ou porque já lá estão há muito tempo ou porque os filhos e netos de portugueses à custa da língua sem sotaque e da roupa sempre igual tornaram difícil descortinar a sensação de voltar a casa que, então, me enchia os dias.

Publicado por Troll Urbano às novembro 27, 2005 12:39 PM

Comentários

Post com entrada alargada: Escreves uma parte no "Entry Body" e o resto no "Extended Entry", depois aparece aí o famoso "continue a ler"

Publicado por: Rafael às novembro 27, 2005 02:57 PM

Rafael, o problema é que aqui no Troll não me aparce essa frase em lado nenhum. No Afixe, sim aparecia. Aqui não. Possivelmente é necessário fazer algo que uma azelha como eu não descortina. Ou então somos pobrezinhas e não temos direito...

Publicado por: isabel faria às novembro 27, 2005 03:31 PM

Hotek de luxo, serviço de luxo ;)

Publicado por: Golfinho [TypeKey Profile Page] às novembro 27, 2005 06:04 PM

Ena, estou o dia todo sem aqui vir ( entra agora a tal frase "a minha vida não é isto"...) e dou com vários posts da Isabel. Pois é, mulher, a produtividade tem o teu nome!
Este primeiro é muito sério, mas se calhar diz-me mais a mim, por uma experiência parecida no tempo, do que a outras pessoas que por aqui passem. Gostei muito da escrita cinematográfica em flash-back, assim em bold e normal. Estás a apurar-te, e a resultar bem. Vi a menina do vestido de cerejas e rabo de cavalo, e a Isabel apaixonada e sindicalista, tudo numa só.
Mas...
...resumindo, tenho de voltar a Paris, gaita!!!

Publicado por: ML às novembro 27, 2005 06:46 PM

L'aventure est au bout de la rue

Publicado por: Mário às novembro 27, 2005 07:05 PM