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dezembro 23, 2005
Natal, e não Dezembro
Por:Isabel Faria

Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presidio,
no prédio que amanhã for demolido…
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos, e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.
Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave…
Entremos, despojados, mas entremos.
Das mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.
David Mourão Ferreira
Publicado por Troll Urbano às dezembro 23, 2005 11:09 AM
Comentários
São votos. E podemos sonhar com "universal a consoada", mas é ainda tão distante...
Lindos, os versos.
Publicado por: ML às dezembro 23, 2005 07:14 PM