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janeiro 17, 2006
Amanhã há tempo...
Por:Isabel Faria
Todos queriam falar ao mesmo tempo. A sala estava cheia. É pequena e estava cheia.
Falaram de falta de respeito. E de tristeza. E de mágoa. Muitos estão na empresa há trinta anos. Ha trinta anos que têm o pior trabalho e os salários mais baixos. Agora que a empresa entra em obras, são os primeiros a quem são pedidos sacríficios. Estão cansados. No olhar não há brilho. Está baço. De cansaço e de tristeza. E de mágoa.
Entre os gritos - todos querem falar ao mesmo tempo - escrevo um papel com a sua resposta para entregar à Direcção. Têm que sair, uns, que voltar ao trabalho, outros. Tem que ser rápido. Quando acabo de ler o que acabei de escrever, o brilho voltou. Começam a bater palmas, peço-lhes que parem. Eu sou a Isabel. Agarram-se a mim e choram. Não sei se a luta se faz com lágrimas. Chorámos todos. Amanhã, quando o papel que escrevi no meio dos gritos - todos precisam de falar - for entregue, a luta já não poderá ser com lágrimas. Hoje foi. O brilho voltou. Com alguns Kleenex à mistura.
Publicado por Troll Urbano às janeiro 17, 2006 05:45 PM
Comentários
Pela tua palavra, a esperança...
Pela tua palavra, a força do brilho que trazes nos olhos consegues aos outros dar!
E por esse teu brilho, irradiado por tantas lágrimas, permanece no ar uma luz que, amanhã, eu tenho a certeza, te indicará o caminho!
Publicado por: Grilo da Idanha às janeiro 17, 2006 06:13 PM
Muito bem, Isabel.
É por momentos assim que vale a pena lutar. Para semtir esse brilho, essa esperança. É curioso que quem fala desdenhosamente de política, ou diz que "não percebe de política", no fundo reditando a velha frase "a minha política é o trabalho" não imagina o que seja essa tua sensação. Às vezes penso que devia fazer parte do 'estágio da vida' assistir-se a reuniões como a que descreves aqui...
Publicado por: Emiéle às janeiro 17, 2006 08:57 PM
Não há Cavaco que corte, a raiz ao pensamento
De ser livre como o vento...
De ser livre....
Por muitos Cavacos que nos surjam no horizonte.
Enquanto tivemos forças, e coragem para nos indignar-mos com as injustiças,
Este País terá futuro
É de pessoas como tu que precisamos Isabel
FORÇA
Publicado por: a.pacheco às janeiro 17, 2006 11:43 PM
Sei o que sentes amiga. É nestas alturas que desistimos daquela ideia estúpida de mandar tudo ás malvas e acreditamos que vale a pena lutar. Por um brilhozinho nos olhos que seja.
Publicado por: Daniel Arruda às janeiro 18, 2006 12:46 AM
Preciso das vossas palavras. Hoje. Agorinha mesmo. Quando está na hora de substituir as lágrimas.
Da luz e do brilho. Lá vou eu, então.
Publicado por: isabel faria às janeiro 18, 2006 09:46 AM
Essa é a tua melhor contribuição para o sonho, defender quem não tem capacidade para o fazer, e já é muito embora pareça pouco.
Publicado por: Mário às janeiro 19, 2006 09:24 AM