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janeiro 11, 2006
Música Portuguesa
Por: Daniel Arruda
A partir de hoje está em vigor a nova Lei da Rádio que "obriga" as estações de rádio públicas e privadas a passar entre 25 e 40% de música portuguesa.
Em tese a lei a óptima, e é pena que o seja mesmo apenas em tese. Eu sou um defensor da música portuguesa, ou melhor sou um defensor de alguma música portuguesa, aquela que eu gosto, e isto tem tudo de subjectivo, porque não sou eu, e já agora ninguém é, que defino qual é que é a música com qualidade e qual não a tem. Há coisas que eu gostava de ouvir na rádio que provavelmente mais ninguém quer ouvir, mas se calhar há dentro daquilo que passa nas rádios coisas que eu não gosto e que se calhar a maioria das pessoas gostam.
Porugal deve ser dos países da Europa que tem mais rádios por habitante. Não há localidade que não tenha a sua rádio local e eu confeso que até hoje nunca tive dificuldade de encontrar uma rádio que no momento estava a dar o género musical que na altura me apetecia ouvir. Se me apetece ouvir musica comercial tenho as emissoras nacinais como a RFM, Antena3 ou a Comercial, se me apetece ouvir êxitos antigos tenho o Rádio Clube Português ou a Antena1, se me apetece música electrónica do género "ao metro" tenho a Orbital, Se me apetece música clássica tenho a Antena2, Se me apetece um electrónico mais apurado tenho a MIX, se me apetece música africana tenho a RDP Africa, e por aí fora. Ainda tenho a oferta de todas as rádios locais e devo dizer que nestas se ouve muita música portuguesa.
O problema que se põe é que se vamos obrigar as rádios a passar música portuguesa terão de contemplar todos os géneros, incluindo o Pimba entre outros e, meus amigos, estão a ver a RFM a passar Ágata ou Emanuel? Se contemplarem todos os géneros terão de passar Fados. O problema é que para estes géneros músicais já existem rádios e, convenhamos, a oferta em Portugal não é assim tão grande que dê programação para um dia. Basta ver o Natal dos Hospitais para ver o que lá aparece.
O que se podia pôr em causa e, aí sim, talvez se aumentasse a qualidade eram as "Play Lists" que são dominadas pelas editoras e que moldam e adaptam ao sabor ds suas vontades os formatos das rádios, agora impor quotas para a música portuguesa não me parece solução.
Já agora, e não tendo a ver com o tema música, o próprio Estado deveria dar o exemplo e nas quootas para o acompanhamento das campanhas eleitorais deveria dar tratamento igual a todas as candidaturas e isso o estado não quer ou não sabe fazer.
Publicado por Troll Urbano às janeiro 11, 2006 11:33 AM
Comentários
Caro Daniel! Sempre fui de acordo que as rádios passassem música portuguesa, contudo penso que ha rádios demasiado específicas, a nível de géneros musicais, que não se enquadram com o nosso tipo de música, ou o vice-versa.
Eu canto Fado, e tenho dificuldade de ouvir nas rádios, nas rádios locais uma hora por dia, e com muita sorte. Não é por falta de diversidade, porque existe não está é divulgada, e cada vez mais existem jovens a cantar, o problema é que não há apoios para a nossa própria música. Eu sei que sou suspeita mas se ha algo que ainda é verdadeiramente nosso é o FAdo, faz parte de uma cultura que, na minha opinião, temos vindo a perder. Há apoios para muitas coisas a nível musical, mas quando chega ao Fado parece que tudo tem medo de arriscar,... ainda hoje não percebi porquê! Sou suspeita, mas o Fado imortalizou os maiores poetas portugueses (aqueles que poucaspessoas leem, como José Régio, Pedro Homem de MEllo, etc.. até o Camões), e depois quando os estrangeiros ouvem ficam todos euforicos por que é interessante (embora não percebam nada do que se canta, no sentido da letra) e os portugueses fogem, Fado não interessa.
TEnho pena que falte brio nacional aos portugueses.
Publicado por: Rita às janeiro 11, 2006 12:05 PM
Olá Rita, eu também sou um amante do fado como já aqui o disse diversas vezes. Tens razão quando dizes que existe um pudor em relação ao Fado ,mas o que se vê quando se vai a uma casa de fados a um concerto (embora não goste de fado em grandes salas) é que a assistencia é cada vez mais jovem.
Nas rádios realmente não passa, é verdade e indesmentível mas penso que aos poucos, especialmente as rádios locais e as mais temáticas já começaram a incluir nas suas músicas um número maior de fados. Mas a questão nesta lei é a de que será que uma quota vá resolver isso ou os 40% de música a ser tocada nas rádios vai ser apenas aquela de raíz anglo saxónica tipo Xutos, GNR, Clã, Rui Veloso, etc. É que não me acredito que músicos como Nê Ladeirs, Rita Guerra, Mariza, Camané, José Cid, Fausto, Banda dos 4 caminhos, entre uma enormidade de muitos outros venham a ter lugar nessa cota e porventura é nessa enormidade que está muita da nossa identidade cultural.
Publicado por: Daniel Arruda às janeiro 11, 2006 12:48 PM
Caro Daniel
Tem toda a razão. No atelier onde estou a estagiar o rádio está a tocar o dia todo, nem me pergunto em qual, mas neste momento está a tocar a musica do Rui Veloso que fala do anel de Rubi, que penso que tem por titulo Paixão (não sei...), não duvido que sejam bons musicos, mas a verdade é que se ouve as mesmas músicas todos os dias, quase sempre à mesma hora, mecanizado para não dar trabalho. Daí concordar consigo quando fala do controlo das play lists, para que não tivesse que ouvir a musica da madonna 10 vezes por dia! Ai está ela outra vez (nem de propósito, eu a escrever sobre a musica e ela a tocar, até parecia um disco pedido)! A verdade é que o dinheiro manda, para nossa infelicidade.
Em relação aos jovens, felizmente que começaram a ouvir Fado, tenho amigos de Faculdade que não gostavam, diziam que não gostavam, mas como eu cantava fizeram um esforço, primeiro para me ouvir porque era amiga, e depois para repetir porque afinal até gostavam, e até tinha a ver com eles. O problema é que muitas vezes as pessoas não querem ouvir e nem sabem que gosta... ou seja, não gostam mas nunca provaram.
Mas espero ouvir mais musica portuguesa, daquela que me faz sentir realmente portuguesa.
P.S. Não mudo a rádio onde trabalho, por respeito as outras escolhas, porque afinal sou uma estagiária.
Publicado por: Rita às janeiro 11, 2006 05:16 PM
O facto de seres estagiária não te devia inibir de dar opiniões. É um mau princípio. Quem sabe se todos toleram porque acham que o parceiro, no sentido de colega, quer aquilo naquela estação e depois se descobre que ele achava o mesmo de ti.
Publicado por: Daniel Arruda às janeiro 11, 2006 06:06 PM
Muito pessoalmente concordo teoricamente com a lei, mas também posso dizer que se a rádio que eu costumo ouvir passar fado ou música popular eu mudo de estação. Simplesmente porque não é o tipo de música que eu procuro numa rádio (é diferente de gostar ou não da música). No entanto se for sair à noite e apanhar um barzinho com uma noite de Fados sou capaz de estar lá toda a noite a ouvir! Não sei se me faço entender, mas acho que é diferente a música que gostamos da música que gostamos de ouvir na rádio...
Publicado por: Farpas às janeiro 11, 2006 09:42 PM
Essa ainda é outra vertente Farpas. Também há que ter isso em conta embora eu ás vezes no carro tenho necessidade do meu Fausto ou do Camané
Publicado por: Daniel Arruda às janeiro 11, 2006 10:16 PM
Malta tenho a solução para a vossa musica, nomeadamente para a fadista. Em vez de porem ó rádio em FM experimentem a correr as frequências em AM e depois digam qualquer coisa. Penso que vocês só conhecerão o as frequências em FM e em AM perguntam que raio de bicharoco é esse. Aconselho-vos vivamente a ouvir AM já que gostam tanto de musica portuguesa e principalmente de Fado. Eu por mim gostava mais de ouvir Heavy Metal na rádio mas para minha desgraça só posso ouvir cd ou então fico acordado até as tantas para ouvir 1 ou 2 horas de musica que gosto. Os desgraçados de musica alternativa então, nem sei se haverá alguma rádio que passe musica alternativa.
Publicado por: Doomed às janeiro 12, 2006 07:50 AM