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janeiro 14, 2006
Roseira, botão de gente
Por: Daniel Arruda
Ainda não tinha vindo hoje ao Troll. Aliás ainda não tinha vindo a casa hoje mas parece que aqui a assoalhada não sentiu a minha falta. A Isabel e o Lobo estiveram em grande. Mas não foi por isso que queria escrever uma posta.
Hoje ouvi novamente o 1º fado que me lembro de ter ouvido. Um poema fantástico que mais tarde vim a saber ser de Ary dos Santos. Um daqueles poemas que só ele poderia escrever como apenas muito mais tarde compreendi.(desculpem por falar tanta vez do Ary dos Santos mas ele era, foi e será dos mais belos poetas para musicar) Era o fado favorito do meu pai e é também dos meus.
Possivelmente este nome que vou aqui escrever não diz muito à maioria das pessoas e não está disponível na Net. O poema tem como nome "Roseira, botão de gente" e lembro-me de o ter ouvido deveria ter para aí os meus 12/13 anos cantado pelo meu pai, que não querendo ser vaidoso tinha muito jeito para a coisa. Logicamente que não compreendi o poema na sua plenitude mas o impacto ficou até porque foi cantado para mim. As coisas belas deixam sempre marcas não é?
Fica o poema pois não consigo encontrar a música em lado nenhum, a não ser naquele CD que vou preservar.
A força que tive no momento
Tecendo o teu corpo a 1ª vez
Está agora no teu ventre em movimento
No Filho que a gente fez
Depois irá pouco a pouco,
ficando maior, por dentro de ti
E o teu corpo que me segreda quando toco
Que o meu filho está ali
Eu fui a semente
Tu és o canteiro
Dum cravo de carne
que tem o meu cheiro
Eu fui o arado
Tu é a seara
Seara de trigo sem fim
Seara lavrada por mim
O que um homem sente
Quando a companheira
Dá flor no presente
Para vida inteira
É como se o sangue
Fosse uma fogueira
Roseira, botão de gente
Rosa da minha roseira
A vida que tece outra vida
É vida parida, é vida maior
Tens agora a palpitar a minha vida
No teu ventre meu amor
Depois o sangue dos dois
Será vida nova, será uma flor
Flor de carne a despontar da primavera
Do teu ventre meu amor
Para ti.
Publicado por Troll Urbano às janeiro 14, 2006 02:03 AM
Comentários
É um poema lindo, Daniel.
E deve ser muito bom "recebê-lo" e "dá-lo" a alguém.
Como tu do teu pai. Ou como, ontem, a pessoa a quem o "deste".
Parabéns pela escolha, amigo. E obrigado por mo dares a conhecer.
Publicado por: isabel faria às janeiro 14, 2006 11:20 AM
Daniel Parabéns! É sem dúvida um poema lindíssimo, o qual dá prazer ouvir, seja cantado ou proclamado! Obrigada!
Publicado por: Rita às janeiro 16, 2006 10:47 AM
Obrigado eu Rita, é sempre bom saber que alguém do meio tem os mesmos gostos que nós. O que me espanta é que este seja dos poemas de Ary dos Santos o menos publicitado.
Pode ser que um dia ainda te oiça cantá-lo. Quem sabe.
:)
Publicado por: Daniel Arruda às janeiro 16, 2006 01:18 PM