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janeiro 14, 2006
Saltimbancos
Por:Isabel Faria

Gosto de mudanças. Durante anos mudava quase regularmente de casa. Devo ter, escondida em qualquer lugar, uma costela de saltimbanca, a cuja magia e imposição não consigo fugir. Trouxa na mão, normalmente pouca trouxa, lá ia eu para o próximo lugar. Nunca soube muito bem o que procurava, sequer se procurava algo. Era como se fosse empurrada e nada fizesse para deter o empurrão.
Para compensar, precisava, no entanto, de um porto. Algum sítio onde depositar a trouxa e as buscas de não sei de quê. Encontrei no emprego esse porto. Por muito que me tentassem ao longo da vida, nunca fui tentada a mudar. Só os amigos mais intimos conseguiam perceber porquê.
Quando o meu filho nasceu e, sobretudo, quando vim viver para Lisboa, assentei arraiais. Senti-me finalmente em casa e convenci-me, finalmente, que os saltimbancos, afinal, também podem ter vontade de parar.
Havia no entanto que continuar a dar liberdade à tal veiazita sob pena de me sentir presa. E eu não suporto prisões. Assim, os móveis cá de casa de quando em vez mudam de lugar, a mesa passa para o meio da sala, a cama encosta-se à parede ou, no caso de não haver força para mudanças tão radicais, a vela da mesa redonda tem que passar para o armário e a jarra do armário, conclui-se que fica mesmo a matar na mesa redonda. Pelo caminho, passa-se pela loja e compra-se uma moldura nova, aliás, como é que consegui passar tanto tempo sem concluir que não podia deixar passar a estante sem aquela moldura, é um dúvida que me assalta na altura de pagar a dita.
Passa-se o mesmo nos Blogs. Afinal, quando se é saltimbanca é-se saltimbanca nos mundos todos. Como mudar de Blog, agora dava um certo trabalho, fazer outro ainda dava mais ou mudava a vela ou não suportaria a falta de ar.
Hoje ao abrir o Troll, voltei a gostar muito de mesita com a vela nova. Acho que aquilo é o Troll.
Um eléctrico que para mim simboliza a ligação entre o passado e o futuro, a minha cidade, a cor forte no meio do cinzento, a cidade suficientemente desfocada para dela apenas me dar ao luxo de retirar a beleza e a certeza que aquele eléctrico nos levará a qualquer lugar. Como eu tinha cada vez que pegava na trouxa e mudava de casa.
Continuo sem saber onde quero que ele me leve. Nunca soube. Já me habituei.
As alterações que ontem fiz (ok…presunção e água benta…um amigo me pegou na mão e me levou a fazer) são a minha forma de dizer a quem aqui está comigo, a quem lê e a quem comenta o Troll que isto já é tanto a minha casa que já trouxe para cá os vícios das outras casas e dos outros mundos. O de mudar velinhas, molduras e de pegar em trouxas. Por isso, não se espantem se qualquer dia me der na cabeça e mandar um SOS e mudar isto tudo outra vez. Até porque entre os meus vícios de estimação, está o de não gostar nada de imagens de marca. Os saltimbancos não têm imagens de marca. E quem me quiser convencer do contrário vai-se haver comigo.
Ah, é verdade. Ainda um dia hei-de mudar o Mundo. Também não vos passe pela cabeça tentarem convencer-me do contrário.
Publicado por Troll Urbano às janeiro 14, 2006 01:06 PM
Comentários
E uma das vantagens das mudanças é que "fica sempre melhor". Pelo menos na minha casa. Ou quando se muda de corte de cabelo ou de cor do dito (ups, às vezes não, mas só às vezes )
Como dizes, pensamos "como é que não se viu que isto assim fica muito melhor?", com mais espaço, ou com mais luz, ou mais confortável, ou mais.....
Quanto ao Troll aí é uma evidência. Eu gostava do conteúdo, mas a farpela era do pronto a vestir, que me desculpem os "trolles" antigos. O que valia é que a gente vinha logo cá abaixo, e nem ligava ao cabeçado ou baner ou lá como se chama essa coisa.
Isabelinha, está uma beleza! Bonito e simbólico, junta tudo. Clap, clap, clap,!!!!
(não queres vir decorar a minha casa? ando aqui às voltas, e a senhoria já me deu licença...)
Publicado por: ML às janeiro 14, 2006 03:19 PM
Oh, amiga eu ainda estou a fazer o estágio...e tenho que ter sempre o Professor (não te assustes mulher não é esse, brrrrrrrrr) por perto... e se eu te estrago a casa???? achas mesmo que é boa ideia essa da minha ajuda???
Publicado por: isabel faria às janeiro 14, 2006 07:56 PM
Definitivamente, não gosto do novo Troll. Quem foi o professor? O Golfinho? O exilado?
Publicado por: monty às janeiro 15, 2006 01:44 AM
Monty, sempre achei que tinhas mau gosto...tá confirmado.
O anonimato faz parte do contrato. Não sejas abelhudo (sabes o que é que isto quer dizer???).
Publicado por: isabel faria às janeiro 15, 2006 12:36 PM