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janeiro 26, 2006

Sem título

Por:Isabel Faria

caminho.jpg

Quando nos tocamos, nos olhamos, interrompe-se o mundo. Os passos nas escadas, a voz no telefone, o cheiro e a memória da pele (não há nada que tanto perdure como a memória do toque da pele e o cheiro) ficam presos a nós e prendem-nos. Mais do que interromper o Mundo é a certeza que não haveria Mundo sem eles. Um dia, quase sempre de mansinho, o cheiro, o telefone, a pele e os passos continuam cá, mas parece que, afinal, descobrimos que há mundo sem eles. Continuam importantes, parece que deixaram, sem aviso prévio, de ser indispensáveis. Não é exactamente um momento, mas mais tarde recordá-lo-emos sempre como um único momento. Primeiro espantamo-nos, não queremos acreditar. Depois revoltamo-nos. Não queremos aceitar. Mas aí, recordamos que já houve outros passos em outras escadas. E outras peles. Outros espantos e outras revoltas. Como aprendemos a viver com a pele, como nos entregamos quando interrompemos o Mundo, acabamos por aceitar que na vida, na paixão e nos caminhos, não há unanimidades. Percorrem-se a tempos diferentes. Percorrem-se de formas diferentes. Não é o fim do Mundo. Mas temos sempre um bocadinho de nostalgia daquelas alturas em que o interrompemos. Em que ele não existe para além de nós. Faz-nos falta interromper mundos. Mas não está nas nossas mãos. Nem sequer nas nossas peles. Acontece.
(Obrigado à Rita, pela foto. Quando se percorrem são sempre os caminhos mais belos do Mundo…)

Publicado por Troll Urbano às janeiro 26, 2006 08:41 PM

Comentários

Não há linhas contínuas nem rectas, a descontinuidade é que pode ser mais ou menos evidente, a curva maior ou menor, mais ou menos acentuada, mas há sempre um condutor que nos leva ao próximo segmento. Porque esse segmento existe sempre.
:)

Publicado por: Daniel Arruda às janeiro 26, 2006 11:36 PM

Daniel, eu não quero nem vou perder esse segmento de que falas, amigo. Garantido!!! seja qual for o caminho para lá chegar...raramento desisto às primeiras...
Obrigado pelo sorriso.

Publicado por: isabel faria às janeiro 27, 2006 12:02 AM

A foto é tão expressiva como as tuas palavras. Quando as flores cobrem o caminho, podem ter caído das árvores, mas decerto já lá estiveram e foi lá que floresceram. E mesmo no chão são muito belas.
Como o Daniel diz, as linhas nem sempre são rectas, nem sempre são contínuas. Mas essa tua faceta de adolescente eterna é um dos teus encantos, Isabel.

Publicado por: Emiéle às janeiro 27, 2006 08:35 AM

Pois são, amiga. As flores, mesmo no chão, são lindas!!!!tens razão, sabemos sempre que para florescerem teve que ser nas árvores...
Até posso acreditar que tenha algum encanto...mas também dá cá uma trabalheira!!!:):)

Publicado por: isabel faria às janeiro 27, 2006 09:33 AM

A vida é um caminho! Porque não fazer cada jornada mais bonita que anterior? Lutar não é isso?
Força

P.s Um dia gostava de ir beber um cafézinho ou cházinho na sua presença

Publicado por: Rita às janeiro 27, 2006 10:46 AM

É Rita, mas também oa amigos, as paixões, os amores...são caminhos, que eu nunca me nego a percorrer...umas vezes com mais flores nas árvores, outras com algumas que vão caindo...(Obrigado, de novo, pela(s) foto(s). É (são) linda (s)!!!!).

PS: CLaro que aceito o convite...para um café, um chá...quem sabe um chocolate quentinho, que vinha mesmo a calhar com este frio!!!!

Publicado por: isabel faria às janeiro 27, 2006 11:03 AM

"De regresso, caminho devagar, no carreiro que escolhi. Não é o mais perto, teimo sempre nestes, dão-me mais tempo e hoje preciso.
Sinto as folhas caídas em cada passo, como se me amparassem, me protjessem do frio do chão. Deixo-me levar, até que pela frente, em vez do meu trilho, a lembrança...Caminho para a lembrança.
Só por este meu trilho o consigo. Sei, que se for por ali, quando chegar, terei tido tempo.
Quando o som das folhas pisadas torna, volto a mim, percebo que estou quase lá, percebo que o sítio é o mesmo.
Lembrança. Trago duas mãos cheias, consegui, nas mãos. Tive tempo..."

Publicado por: Grilo da Idanha às janeiro 27, 2006 12:19 PM

"protejessem" (desculpas)

Publicado por: Grilo da Idanha às janeiro 27, 2006 12:25 PM

Para além das papoilas...também teimo sempre nesses,Grilo. Sei que não serei mais eu, quando assim não for.
Ah...eu sabia. Que terias tempo.

Publicado por: isabel faria às janeiro 27, 2006 12:47 PM