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fevereiro 20, 2006
As greves
Por: Daniel Arruda
Se há coisa que me irrita é uma greve mal feita. A sério, porque uma greve mal feita é dar trunfos ao partronato. Felizmente que na minha história sindicalista apelei por duas vezes à greve e em ambas o resultado foi esmagador, mais de 80% de adesão. Foram greves bem explicadas e decididas em plenário geral de trabalhadores.
Vem isto a propósito da greve de hoje dos professores às aulas de substituição. O motivo é mais que justo e merecia que as associações de pais se juntassem também ao protesto (não sei se foram convocadas ou consultadas , mas isso seria tema para outra posta), porque realmente os moldes em que se processam as aulas de substituição não ajudam ninguém. Eu fiz parte do ensino na Alemanha onde esta metodologoia é usada desde a primária e confesso que não dei por mal empregue nenhuma aula de substituição, e tive várias porque os professores lá também faltam, como em todo o lado. Porque estavamos na realidade a falar de aulas, onde se aprendia algo. O que se passa em Portugal é que os alunos ficam na sala de aula a fazerem o que bem lhes apetece porque o professor está lá apenas para que eles não fiquem na rua ou no recreio. e não é assim porque os professores querem, é assim porque o sistema está mal montado. porque faltam profesores para implementar este sistema eficazmente.
Mas porque é que eu digo que esta greve foi mal feita? Porque se perguntarmos aos pais o porquê da greve poucos saberão responder e se o motivo da greve não chegar à população o que ficará para a história é que os professores fizeram mais uma greve. Porque se os motivos não forem bem explicados permite-se ao patrão, neste caso o estado, fazer demagogia e ainda passar por competente. Porque se a greve não for bem explicada os malandros serão os trabalhadores e não os patrões.
Este princípio vale para todas as greves, porque só quando se conseguir explicar às pessoas todas, que somos todos trabalhadores, é que se pode fazer uma luta plena. A quem é que não custa fazer uma greve, da Carris por exemplo, e ouvir as pessoas em vez de se queixarem do mau serviço e de estarem do lado dos trabalhadores, falarem mal de quem trabalha e dizerem "esses malandros que estão em greve".
Volto a dizer, a greve é mais que justa, é pena é que coo tantas outras não consiga fazer passar a mensagem para a população.
Publicado por Troll Urbano às fevereiro 20, 2006 08:52 PM
Comentários
Totalmente de acordo e sou eu que infelizmente o digo e o vivo...pois as ditas são lugar para um total impatanço de tempo, chatices com os alunos que não nos conhecem de lado nenhum...só faz sentido as aulas se forem essencialmente professores a substituirem em tres disciplinas fundamentais: Matematica, portugês, Inglês e, por professores dessas mesmas disciplinas. Para isso teria de haver uma bolsa específica para essa necessidade...o resto é ser treinado pelo Koeman e digo-o eu que sou benfifiquista.Estou realmente farto de sofrer este ano, com dois treinadores desta invulgar, imprevista e insaneável envergadura...irra!
Um abraço e como prof. agradeço a tua consideração.
MOrfeu, professor de Filosofia a aturar putos que por sua vez o aturam...
Publicado por: morfeu às fevereiro 20, 2006 10:57 PM
Um destes dias os nossos sindicatos vão entender que a Greve é uma arma. E tem que ser usada como arma. A banalização da greve, não nos ajuda em nada. Não se não tivermos imaginação e, sobretudo, preocupação em tornar os outros trabalhadores aliados e não inimigos.
(Olha amanhã vou recuperar aqueles posts sobre o sindicalismo da outra casa, lembras-te? Acho que vêm a propósito...).
Publicado por: isabel faria às fevereiro 20, 2006 11:25 PM
Isabel, acho que sim.
Morfeu, obrigado. Nem sabes que o que me conforma saber que alguém da classe da qual eu falava concorda comigo.
Infelizmente até no Hoeman tenho de concordar contigo mas estou com uma fé que o Liverpool éque vai pagar as favas.
Publicado por: Daniel Arruda às fevereiro 21, 2006 12:30 AM