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fevereiro 25, 2006

De costas voltadas

Por:Isabel Faria

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Ando desde ontem a tentar pegar nisto e continuo sem saber por onde.
Catorze miúdos, com idades entre os 13 e os 16 anos, assassinaram uma pessoa no Porto. Assassinaram-na com requintes de sadismo , usando a tortura continuada que levaria à morte.
A pessoa assassinada era um travesti, sem abrigo e toxicodependente. Os miúdos eram miúdos das Oficinas de S.José.
Segundo as notícias, já tinham vários antecedentes de agressões e segundo o resultado nunca ninguém fez nada .
Esta é e única parte, porque é a palpável, que escrevo sem medo e sem dúvidas.
Essas entram agora:
A vítima foi escolhida por, para eles, representar alguém ainda mais “miserável” do que aquilo que eles se sentem? O ódio demonstrado teve apenas a ver com a sua vulnerabilidade?
Que valores são transmitidos àqueles jovens, na Instituição onde foram parar?
Qual o papel que esses valores tiveram na “escolha” da vitima (parece que é “das vítimas” porque que já não é o primeiro caso de perseguições a homossexuais por parte destes jovens)?
Quem se responsabiliza pelos actos destes jovens?
Treze anos…o que leva um jovem, uma criança de treze anos a matar? Qual a importância do grupo? Individualmente algum daquelas jovens seria capaz dum acto proporcional de violência?
E lembramo-nos daquelas tentativas do PP de baixar a idade de responsabilização criminal. Aos 13, 14, 15, 16 anos, não somos nós, pais, educadores, Escola, Instituições os responsáveis pela segurança e pelo comportamento dos nossos jovens e das nossas crianças? Uma criança de 13 anos, acorda uma manhã e decide ser delinquente e mata? Assim, do nada? Sem antecedentes nem avisos? E nós pais, sociedade, não temos nada a fazer? Não temos contas a prestar?

Recordo um filme do Fassbinder que vi há muitos anos. “O Direito do mais forte à Liberdade”, creio. Na entrada do Metro, um homem jazia no chão. Era hora de ponta. As pessoas passavam, entravam e saíam, apressadamente, na estação. Nenhuma parava. Algumas vezes para poderem manter o passo apressado, desviavam-se do cadáver.
Creio que passamos a vida assim. Desviamo-nos de crianças que acabam a matar porque não temos tempo, nem vontade de as ver. A tempo. Desviamo-nos de pessoas sem presente, porque não temos tempo nem vontade de as ver. A tempo. E depois, quando uma coisa destas acontece, olhamo-nos espantados. E, talvez, chocados. Mas tenho a sensação que o choque seria maior se a vitima fosse uma pessoa “normal”. Aí, talvez se procurassem causas. Responsabilidades. Nem que fosse por uns tempos. Assim, encontram-se desculpas. E desce-se rapidamente para que o próximo metropolitano não parta antes de nós. Temos todos o jantar para fazer.

Publicado por Troll Urbano às fevereiro 25, 2006 05:24 PM

Comentários

Nem mais Isabel, nem mais: "Temos todos jantar para fazer"...O que nos interessa se os outros têm jantar ou "jantares"?

Publicado por: Pina às fevereiro 25, 2006 05:55 PM

Isabel
A-Os indivuduos que praticaram este crime são ASSASSINOS e como tal devem ser julgados e punidos.

B-Estavam a cargo de um COLÈGIO CATÒLICO, que penso eu lhe deveria dar noções básicas de cidadania , de tolerância, e de respeito pelos outros, pelos vistos fizeram tudo ao contrário, tambem os padres do dito colégio devem ser responsabilizados pelo que sucedeu.

C- Os governantes que têm passado pela pasta que tutela os colégios com menores em risco tambem deveriam ser censurados pela total ausência de uma politica real de inserção de delinquentes juvenis na sociedade.

D- Este caso demonstra a quem ainda tem dúvidas a razão de ser do projecto de lei do Bloco de Esquerda que quer penas para quem incite ao ódio racial , de religião ou de opções sexuais.

C-Por último defendo que a idade em que um jovem deveria ser julgado por este tipo de crimes deveria baixar para os 14 anos, idade em que um jovem já tem plena conscência dos seus actos.

Publicado por: a.pacheco às fevereiro 25, 2006 06:48 PM

Pacheco, nãoo concordo inteiramente contigo.

Como tu dizes no ponto B, os padres do colégio dever-lhe-iam ter dado noções básicas de cidadania, de tolerãncia e de respeito. Eu juntaria, e de humanidade. E deveriam ser responsabilizados também. E se fossem adultos, por mais que pudessemos ir buscar as causa de tais comportamentos a estas bases ( a estas faltas delas) não irias falar em responsabilização, se eu presumo bem que falas em responsabilização penal. Por isso há algumas diferenças.

Não concordo com a descida da idade para os 14 anos. Não acredito que aos 14 anos um jovem tenha consciência de todos os seus actos. Aos 14 anos ainda os levas ao pediatra, porque fisicamente ainda estão em formação. Esperas pelos 18 para lhes dares direito de voto, porque ainda estão em formação cidadã, então como se pode, sem contestar isto, presumir que aos 14 já se é responsável pelos seua actos criminais?
A responsabilidade pelos actos dos nossos filhos nesas idades, pelos principios que lhes transmitimos, pelas portas que não lhes permitimos que abram, pelo respeito pela vida e pelo outro, tem que ser uma tarefa nossa. Pais. Ou neste caso, Iinstituições.Teremos que ser nós a pagar por elas.

O projecto de Lei do Bloco, nada tem a ver com este caso, este o da deminuição da idade. Tem a ver com juntar os crimes por opçõees sexuais, aos por motivos politicos e raciais, que já estão contemplados na Lei.

Não me parece correcta a nossas desresponsabilização em relação aos nossos filhos. Nem me parece correcto que se parta do principio que uma criança de 13 anos (alguns tinham 13 e tu na tua alinea A, não fazes distinção, no julgamento que fazes....) já esteja na posse da consci~encia plena dos seus actos.

A nossa função passa por exigir responsabilidades a quem as tem. Neste caso à Instituição que não os controla, não os educa, não os cria como homens. Não me parece que passe pela descida da idade de responsabilização criminal

Quero, no entanto, realçar que falo um pouco de cor. Não tenho conhecimentos sobre psicologia nem sobre legislação que me permitam ter muitas certezas...fico-me mais por aquilo que o coração me diz, do que por uma cabal análise da situação.

Publicado por: isabel faria às fevereiro 25, 2006 08:29 PM

Isabel ainda não sabemos TODOS os contornos do crime, mas aquilo que se vai sabendo revela requintes de sadismo, e de total desprezo pela vida humana.

Por isso a minha palavra ASSASSINOS, essa é a única que deve ser aplicada a estes individuos independente da idade.

Depois podem surgir certas circunstâncias atenuantes, que podem ter a ver com a idade e com o espirito de grupo, mas atençãoatenuante não no sentido de desculpabilizar, quem fez isto é sem qualquer dúvida um assassino e no futuro um criminoso em potência.

Sou duro talvez, mas porque espero que este soco no estomago nos faça refletir sobre a melhor maneira de lidar com a criminalidade juvenil que por vezes é tão violenta como a praticada por adultos.

Sendo jovens tem a sociedade o país TODOS NÒS a obrigação de se criarem condições para que no futuro sejam cidadãos úeis ao pais, e não párias criminosos, é por isso que não se podem ter paninhos quentes nestas situações, estes jovens precisam de quem,com compreenção mas com disciplina e sem transigências, os ajude a percorrer um caminho de responsabilidade.

Ser de esquerda não é ser permissivo....

Publicado por: a.pacheco às fevereiro 25, 2006 09:42 PM

Já andava para peagr neste tema há uns dias mas não sabia por onde. Ainda bem que a Isabel o fez.

Levanta-se aqui uma questão. Como queremos responsabilizar criminalmente (dar deveres) a quem não tem direitos. Mais que necessário é preciso urgentemente dar deveres e direitos a quem vive á margem da lei.
Miudos conscientes que faziam merda são assassinos. Ponto Final. Mas onde está a responsailização de quem os educa, onde está o dever do Estado de zelar pelas pessoas.
Aco que é urgente que se mude a lei em vigor. Se as pessoas são responsáveis para arcar com as responsabilidade tb devem ser livres de escolher.

Publicado por: Daniel Arruda às fevereiro 26, 2006 04:43 AM

isso és tu e as pessoas que te rodeiam. eu nunca me desviei de quem precisou de mim. é isso que nos distingue, miguinha. eu ajo quando é preciso e nunca pactuaria em crimes.

Publicado por: candida às março 2, 2006 12:20 AM

Miguinha, gosto destes termos. Desta intimidade. Alguém que tem comentadores que usam estes termos mimosos, só pode levantar aos mãos ao céu...e agradecer.

Tens razão. Aliás, eu queria aqui deixar um testemunho. Cada vez que à noite passo ali pelo Martim Moniz, e vejo aqules sem abrigo enrolados em caixotes de cartão, há um som que sai...Candida, Candida...a muguinha está lá.

Cada vez que numa Instituição de recolhimento de cranças e jovens não se lhes transmite valores de solidariedade, de humanidade, de cidadania, há uma voz que se ouve...Candida, Candida. A miguinha está lá...

Eu e as pessoas que me rodeiam...pactuamos com crimes...a miguinha, está lá!!!!

Miguinha, só mais uma coisa. Adoro estes nicks com imaginação.
Ninguem arranja um nick, Isabel, Maria, Joana, Manuela, Margarida...que raio...isso é uma total falta de charme...Candida, não. É forte,puro...claro que também me faz lembrar lombriga, mas, miguinha, isso é da minha mente perversa....

Volta sempre, miguinha.

Publicado por: isabel faria às março 2, 2006 09:15 AM

Sinceramente acredito em penas mais rígidas para adolescentes assassinos, quando o assassinato não tenha sido para defender a própria vida. Alguns anos atrás , eu até acreditaria que um adolescente de 12, 13 ou 14 anos não tivesse consciência dos seus atos, mas agora? Com toda a informação, a liberdade que se dá esses jovens, acho que quem não tem consciência do que está acontecendo são os que defendem esses marginais. Soube de um caso alguns dias atrás, de um adolescente que estuprou 01 menino de anos, a mãe do garoto levou o adolescente até a delegacia e sabe o que aconteceu? Quando o adolescente teve oportunidade, riu da mãe do garoto e disse que a polícia não poderia fazer nada pq ele era de menor. Aí eu pergunto, ele não tem consciência do mal que ele fez a essa criança e a essa mãe, mas tinha consciência que nada aconteceria com ele pq ele é de menor. E sabe o que aconteceu? a mãe acabou matando esse adolescente e agora está presa, na minha opinião ela deveria receber um muito obrigado, pq livrou a sociedade de mais um marginal.

Publicado por: Elaine às março 11, 2006 01:15 AM

Sinceramente acredito em penas mais rígidas para adolescentes assassinos, quando o assassinato não tenha sido para defender a própria vida. Alguns anos atrás , eu até acreditaria que um adolescente de 12, 13 ou 14 anos não tivesse consciência dos seus atos, mas agora? Com toda a informação, a liberdade que se dá esses jovens, acho que quem não tem consciência do que está acontecendo são os que defendem esses marginais. Soube de um caso alguns dias atrás, de um adolescente que estuprou 01 menino de 3 anos, a mãe do garoto levou o adolescente até a delegacia e sabe o que aconteceu? Quando o adolescente teve oportunidade, riu da mãe do garoto e disse que a polícia não poderia fazer nada pq ele era de menor. Aí eu pergunto, ele não tem consciência do mal que ele fez a essa criança e a essa mãe, mas tinha consciência que nada aconteceria com ele pq ele é de menor. A mãe do garotinho em um momento de desespero acabou matando esse adolescente e agora está presa, na minha opinião ela deveria receber um muito obrigado, pq livrou a sociedade de mais um marginal.

Publicado por: Elaine às março 11, 2006 01:18 AM

Sinceramente acredito em penas mais rígidas para adolescentes assassinos, quando o assassinato não tenha sido para defender a própria vida. Alguns anos atrás , eu até acreditaria que um adolescente de 12, 13 ou 14 anos não tivesse consciência dos seus atos, mas agora? Com toda a informação, a liberdade que se dá esses jovens, acho que quem não tem consciência do que está acontecendo são os que defendem esses marginais. Soube de um caso alguns dias atrás, de um adolescente que estuprou 01 menino de 3 anos, a mãe do garoto levou o adolescente até a delegacia e sabe o que aconteceu? Quando o adolescente teve oportunidade, riu da mãe do garoto e disse que a polícia não poderia fazer nada pq ele era de menor. Aí eu pergunto, ele não tem consciência do mal que ele fez a essa criança e a essa mãe, mas tinha consciência que nada aconteceria com ele pq ele é de menor. A mãe do garotinho em um momento de desespero acabou matando esse adolescente e agora está presa, na minha opinião ela deveria receber um muito obrigado, pq livrou a sociedade de mais um marginal.

Publicado por: Elaine às março 11, 2006 01:19 AM