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fevereiro 24, 2006

Provisório

Por: Daniel Arruda

A ministra admitiu que para já, na maioria dos casos, as crianças serão encaminhadas para "escolas de acolhimento". Uma solução "temporária", pois o objectivo passa por ter construídos, "dentro de três a quatro anos", centros escolares integrados suficientes para receberem os alunos.
DN, hoje

Claro, a solução é temporária. Mas será que é mesmo? Não a solução é definitiva, pelo menos para as crianças agora abrangidas. Quando, se os prazos forem cumpridos, os centros escolares estiverem concluidos as crianças agora abrangidas por esta situação já terão acabado o 1º ciclo. Mas reforço a ressalva das situações provisórias na educação portuguesa. Quem não conhece uma escola provisória que esteja nessa situação há decadas, quem não conhece os refeitórios escolares provisórios ou as instalações desportivas provisórias. Tudo na educação portuguesa é provisório, tudo menos uma coisa. A estupidez de quem nos governa. Essa parece ser definitiva.

Publicado por Troll Urbano às fevereiro 24, 2006 09:55 AM

Comentários

Se fôr como a via aérea de Alcantra, pelo que sei tambem era temporária há....20 anos.

Publicado por: Doomed às fevereiro 24, 2006 09:59 AM

Sei que não tem nada a ver com o post! Desculpa! Deixei no post da Isabel dois endereços de blogs que aderiram à corrente "um dia com Zeca", aqui está um terceiro http://fadosecompanhia.blogspot.com/

Beijijnhos

Publicado por: Rita às fevereiro 24, 2006 11:15 AM

Ainda sobre o Zeca queria dizer uma coisa sobre o nosso portugalzinho de anões (Bem visto, no post anterior, mas não é so o MM que é anão politico!). Sabiam que o Zeca estava sem dinheiro porque as editoras não lhe pagaram os direitos dos discos? Quando ele jà estava muito doente, os amigos dele, Zé Màrio, Sergio Godinho, Vitorino, Jorge Palma e muitos outros, lançaram um peditorio para lhe comprar um Renault 5 para a mulher - Zélia - o levar ao hospital! Sabiam que em Inglaterra uma pessoa como o Zeca teria uma pensão do Estado por mérito cultural? Portugal é uma vergonha!

Publicado por: dacar às fevereiro 24, 2006 11:22 AM

Dacar desconhecia isso. O que vale é que há sempre alguém que denuncia estas coisas.

Publicado por: Daniel Arruda às fevereiro 24, 2006 11:44 AM

“Tudo na Educação Portuguesa é provisório”. Pego nesta frase, que resume, de facto, o que se passa na Educação do nosso País. E não me refiro somente aos recursos físicos e/ou ao reordenamento da rede escolar. Refiro-me também aos outros recursos, os quais, sem eles, não poderia existir Educação.
Ontem ouvi o 1º Ministro dizer (relativamente às novas actividades extra-curriculares projectadas para o próximo ano lectivo) que a Escola é para todos. Não pude deixar de sorrir. Sim porque agora já só consigo “sorrir-me”.
Não posso deixar de achar graça a isto…Escola para todos. Fico a pensar nas crianças diferentes e/ou nas apelidadas “de risco”. Será que esta Escola também é para eles? É! Claro que é! Então, não temos nós uma óptima legislação quanto a esse assunto? Temos, claro que temos. Legislação temos. Mas o que irá operacionalizar essa legislação é que não temos!
De há uns anos para cá, considera-se quase uma heresia colocar crianças com atrasos severos e permanentes de desenvolvimento, em Centros apropriados ou CERCI’s. Não, isso não! Isso são “guethos”, não contribuem em nada para a integração, para a inclusão, para os direitos e oportunidades iguais.
Pois é, de facto não contribuem. Mas é nestes Centros que existem as melhores respostas às necessidades das crianças diferentes e das suas famílias. As necessidades, muitas vezes básicas, que não existem nas escolas inclusivas.
Na maioria dos casos, as crianças que se encontram nas CERCI´s são os chamados “casos pesados”. São as que necessitam, para além do apoio educativo, do apoio reabilitativo. Nos quadros do M.E. não existem lugares para este apoio reabilitativo. Não existem Terapeutas Ocupacionais, Fisioterapeutas ou de Fala. No caso destes últimos técnicos é até absurdo o que se passa. Tendo o M.E. percebido que a qualidade/quantidade de linguagem é fundamental para o desenvolvimento, mas não podendo (sabe-se lá porquê) abrir quadro para os técnicos que supostamente são da área da saúde, resolveu utilizar um subterfúgio. De facto, estes técnicos (os da Fala) começam a aparecer nas Escolas, mas não pertencem aos quadros do M.E. São contratados, ano após ano, e mais grave ainda, como não existe carreira para eles neste Ministério, são contratados como docentes.
Mas voltando às crianças diferentes e às suas necessidades. Para além dos apoios reabilitativos, existem, ainda, os educativos. E aí estamos mal novamente. Para o próximo ano lectivo haverá cerca de menos dois terços de docentes especializados em relação a este ano e pior ainda: o quadro de docentes especializados é geral, isto é, é-se docente especializado e ponto. Não interessa o grupo de docência ou o ciclo na qual se formou. Na prática, é existir a forte hipótese de um Educador de Infância ter que dar apoio a crianças que frequentam o 9º ano e, o inverso também se poder dar. Significa também, que devido à redução de recursos humanos, só serão atendidos, de facto, as crianças com défices moderados ou severos. Aqui é que por muito que um docente se queira “armar em equilibrista”, não tem hipótese nenhuma. Os currículos destas crianças são currículos adaptados e/ou funcionais. Adaptados às suas necessidades e virados para as suas funcionalidades, tendo em vista a sua melhor qualidade de vida possível. Estará, de facto, a Escola “preparada” para isto? Não, não está. Um currículo funcional exige determinadas condições. Exige que se “prepare” um currículo vertical e não horizontal, isto é, um currículo pensado para a vida. Um currículo “transanual” e transdisciplinar. Assim, interessa que se ensine estas crianças diferentes a “movimentarem-se” na Sociedade. Interessa que aprendam a por uma mesa, a ir a um banco, a apertar e limpar os sapatos, a saber utilizar os recursos, que nós naturalmente, aprendemos. Como se pode, por exemplo, ensinar uma criança a por uma mesa, se os refeitórios das escolas têm (e bem) empresas a servir que, tendo que aplicar as regras de higiene, não permitem que “elementos estranhos ao serviço”, entrem nas cozinhas? Como se pode ensinar uma criança a tomar banho se na maior parte das escolas não existem chuveiros (não falando já que estes devem também ser adaptados)? Como se pode ensinar uma criança a apanhar um autocarro, ou a preparar uma refeição ligeira, se não existe possibilidades de se comprar senhas ou alimentos (ok, esta é a pior das hipóteses, a melhor é conseguir-se isso com 1/2 meses de atraso)?
E não abordei aqui a questão tão básica, mas tão importante, que é o bem estar destas crianças com tudo o que isso significa e implica.
Antes de terminar não poderia deixar de abordar, ainda que duma forma extremamente ligeira, o apoio a crianças/famílias de risco, através da Intervenção Precoce. Só como “cheirinho” do quanto é provisória a Intervenção Precoce no nosso País, em 1999 é publicado o Despacho Conjunto nº891/99 de 13 de Agosto dos Ministérios da Educação, Saúde e do Trabalho e Solidariedade, que aprovam as orientações reguladoras do apoio integrado a crianças com deficiência ou em risco de atraso grave de desenvolvimento e suas famílias, no âmbito da intervenção Precoce.
Este despacho estabelece nas suas disposições finais que “ o desenvolvimento da intervenção precoce, nos termos estabelecidos, fica sujeito a um período experimental de 3 anos, findo o qual se deve proceder a uma avaliação global”.
De facto, não se fez qualquer avaliação nem foi produzido mais nenhum diploma, vivendo-se, presentemente, num vazio legal. “ Tudo na Educação Portuguesa é provisório”.

Publicado por: Pina às fevereiro 25, 2006 05:47 PM