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fevereiro 21, 2006

Stop precariedade

Por: Daniel Arruda

stop

Que comentários fazer a esta notícia? Nem sequer é novidade, é um facto que já todos sabemos mas que no entanto não nos deixa indiferentes.
Reconheço que falo de barriga cheia, sou efectivo e nos meus 16 anos que levo de vida activa apenas durante 1 ano estive a contato. Falo sem saber o que é o drama de não se poder planear a vida, porque se é precário. Falo sem saber o que é querer comprar uma casa e não poder recorrer a um empréstimo porque se está a contrato. Mas tenho olhos na cara. Sei olhar á minha volta. Sei ver a expressão quando vou de comboio de manhã para Lisboa e sei ver que ali há imensa angústia. 6 em cada 10 pessoas vão hoje para o trabalho sem saber se amanhã irão apanhar aquele comboio de novo. dessas pessoas muitas não sabem a que horas vão voltar para casa pois não se podem recusar a trabalhar mais horas pois se o fizerem perdem a ilusão de que no fim do contrato podem passar ao quadro, mesmo que isso implique não ir buscar o filho, não ter tempo para brincar ou simplesmente ver a telenovela.

Sei qeu falo de barriga cheia porque onde trabalho olho á minha volta e vejo emprego estável. Vejo uma unidade fabril com 99,7% (falo de 3000) empregados) de trabalhadores efectivos e mesmo nas empresas de apoio que por ali andam existe uma grande taxa de efectivos. Falo de barriga cheia mas isso não me deixa de dar algum orgulho, porque pertenço ás ORT?s da empresa, porque este é o exemplo de que se pode resistir. A minha esperança aumenta quando vejo que um grupo bancário como o Santander teve de passar ao quadro dezenas de precários porque estes ousaram lutar e tiveram ao lado deles uma CT que lhes foi fiel.

Ser precário é mau. É tão mau ou pior que ser desempregado. Mas é possível rebentar com os muros da prisão que nos querem impôr. Lutemos. Todos juntos pela luta toda.

Publicado por Troll Urbano às fevereiro 21, 2006 08:50 AM

Comentários

Daniel!
Não sou precária! Mas também não tenho a "barriga cheia"! Sou estagiária não renumerada, se calhar até me posso ver por precária, não posso fazer empréstimos para adquirir casa, continuo a ter que ter a ajuda dos meus pais... e trabalho oito horas como a maioria das pessoas! Enfim... queria ter a minha autonomia, mas não posso porque os estágios curriculares não são obrigatórios que se paguem... e a verdade é que passo os meses com "um corda ao pescoço"...
Enfim, temos que lutar, eu lutei enquanto estudante para que se pagasse os estágios, para que não se pagassem proprinas(não o preço absurdo e quase inacessível que estão agora), entre outros assuntos! Mas pronto... Deixar de lutar não deixo!

Obrigada Daniel, ás vezes precisamos de ler certas coisas na nossa vida para tomarmos uma decisão...

Publicado por: Rita às fevereiro 21, 2006 10:27 AM

RIta, sem dúvida que estás no rol dos precários e sim tens razão. É nas escolas que se tem de começar a fazer esta luta, porque é aí que as coisas têm de começar.
Por isso acabei a posta com a expressão que melhor representa o espírito que a luta social deve ter.

TODOS JUNTOS PELA LUTA TODA.

Publicado por: Daniel Arruda às fevereiro 21, 2006 10:36 AM

Daniel! Estas coisas deixam-me triste! Da minha turma de finalistas a maioria decidiu ir para fora,... eu decidi ficar,... não po falta de coragem, mas porque simplesmente não queria deixar o meu país! Mas ás vezes pergunto-me senão o deveria ter feito!
É bastante chato não ser renumerado! Trata-se da Independência, minha e dos meus pais (pois eles estão na idade de aproveitar... enquanto é tempo)... E minha porque o que faço ou não faço não diz apenas respeito à minha pessoa!

Eu quero lutar, raramente desisto, mas confesso que ando um pouco cansada! E como estou na Assembleia Municipal pela primeira vez, reparo porque é que as coisas não andam, perdem tanto tempo com mesquinhez! Enfim...

Eu lutarei... Sempre!

Publicado por: Rita às fevereiro 21, 2006 11:04 AM

Daniel, como estou com pouco tempo para comentar...deixa-me só dar-te, para já, os parabés pela fotografia. É forte, é linda, é cheia. Inversamente cheia ao vazio que é a vida dos precários sem direito a presente nem a futuro.

Publicado por: isabel faria às fevereiro 21, 2006 11:09 AM

excelente texto, Daniel. Hoje o trabalho precário é o "modelo de sociedade" desejado pelo maior parte das entidades patronais. Sem direitos, sem protecção social, sem horários, sem futuro, é assim que os empresários, sem escrúpulos, querem. O medo, a chantagem deixam os trabalhadores inseguros e paralisados. Hoje as grandes empresas só empregam trabalhadores a prazo ou recibos verdes. Uma vergonha!Segundo a Mariana Aiveca, no universo da PT, Vodafone, Sonaecom, são mais de 80% de trabalhadores precários.

Publicado por: Fernando às fevereiro 21, 2006 12:03 PM

Daniel, como disse lá na "minha casa" tinha pensado pegar neste assunto, mas assim, já está! Fiz o link para cá para não haver dúvidas.
Quanto à Rita, olha amiga, tenho muito perto de mim um caso semelhante mas pior. Há quase cinco anos ( pelo menos os 4 são 'bem medidos') que um jovem anda a "colecionar" estágios não remunerados em tudo o que é sítio!!!! Daqui a pouco está com 30 anos e nem emprego nem sequer estágio pago. Anda a ficar louco...

Publicado por: Emiéle às fevereiro 21, 2006 01:21 PM

é a primeira vez que aqui comento qq coisa. O seu texto é bom. Mas como não sei bem o que dizer de novo, vou repetir o que deixei noutro blogue sobre este mesmo assunto:

é o resumo de uma peça de Samuel Beckett; aqui fica:

Um homem mandou fazer um fato no alfaiate. Este disse-lhe: "Venha cà para a prova daqui a oito dias".
O homem foi là e o alfaiate disse-lhe: "Ainda não està bom, venha cà daqui a mais oito dias".
O homem voltou na data marcada e o alfaiate disse-lhe: "Ainda não està bem, volte daqui a oito dias".
Então, o homem retorquiu: "Fogo! Você demora mais a fazer um fato do que Deus demorou a fazer o mundo!".
O alfaiate respondeu: "Mas depois você vai comparar um com o outro... o seu fato serà perfeito!"

Publicado por: dacar às fevereiro 21, 2006 02:03 PM

Se o estilo adocicado à lady Di/Madre Teresa da Isabel Faria já é um tanto intragável, mais ainda o é o do yuppie-da-mutinacional-da-moda Arruda. Sob o título “Stop precariedade” (e a propósito da notícia do DN sobre o aumento do desemprego) o Arruda aproveita para gabar a CT da sua empresa e do Santander e assim indirectamente ajustar contas…com os “precários” e as “CT’s que não ousaram lutar”.

E se isto em si já é estapafúrdio, mais o é tendo em conta que a notícia diz, em resumo, que a taxa de desemprego real da economia portuguesa já estará nos 10,9%, se forem contabilizados os "inactivos disponíveis" e os que estão em situação de "subemprego" e que para esta realidade contribuem a incapacidade da economia criar empregos e também a contenção nas admissões para a Administração Pública.”

Mas os disparates do Arruda não ficam por aqui, pois ao terminar escreve: “Ser precário é mau. É tão mau ou pior que ser desempregado.”

Em resumo, para o Arruda, não há pai nem para o desemprego nem para a precariedade, pois esconde a matriz política e ideológica das políticas que levam ao aumento do desemprego e da precariedade e assim não assume uma posição sobre as questões de fundo.

Tão impregnado está pela “cultura” da sua empresa (que inclui o estímulo à competição, com tudo e com todos), que nem repara que é uma barbaridade atribuir aos trabalhadores precários a responsabilidade dessa situação. E uma tontice dizer que ser precário é “tão mau ou pior que desempregado”. Tivesse ele estado alguma vez desempregado e não teria dito tal disparate.

E ele que se confessa de “barriga cheia” acaba com um enigmático: “Mas é possível rebentar com os muros da prisão que nos querem impôr.” Fiquei sem perceber se afinal se referia à ORT ou à empresa de que parecia tão orgulhoso. E ainda mais baralhada fiquei com o remate: “Lutemos. Todos juntos pela luta toda.” Mas se é tudo tão perfeito no mundo dele, se os malandros são só quem não quer lutar a que raio de luta se refere ele?

Publicado por: Margarida às fevereiro 21, 2006 07:07 PM

Dacar, como o Daniel a estas horas está no meio dum estádio de futebol, a sofrer (mas também a gozar, espero) desalmadamente e não pode fazer as honras da casa...Bem vindo ao Troll.
E para trazer o Beckett, até não importa que vás repetindo o comentário por aí...até porque como visitamos casa comuns...o prazer de te ver a ti a ele por aqui, apenas, sai redobrado

Oh, Margarida...oh, Margarida, porra pá...fiquei tão comovida. Não me saem as palavras, mulher...não tem a ver com a comparação à Madre Teresa de Calcutá, isso é o menos...agora aquele "um tanto"...eh, pá...un tanto...quer-se dizer não totalmente...vindo de ti, Margarida!!! Um tanto...intragável...quer dizer um tanto tragável, vendo as coisas do lado positivo... Será que tenho salvação?

Publicado por: isabel faria às fevereiro 21, 2006 07:25 PM

Margarida o teu comentário é tão mau que apenas vou fazer um comentário. Leia o que disse Carvalho da Silva sobre os acordos na AE bem como a posição do PCP sobre o assunto. Tenho razão em estar orgulhoso quanto ao trabalho por nós realizado.

Falas aí em ajustes e contas. Não o são mas já que falas nisso acho que se deve dar o valor a quem luta e condenar quem o não faz, e a CT do Santander lutou. Desculpa mas não é do teu partido, mas lutou.

Quanto ao resto o Augusto respondeu-te mais abaixo, noutro post e não vou perder mais tempo com isso.

Publicado por: Daniel Arruda às fevereiro 22, 2006 02:24 PM

Dacar, é bom ver-te por aqui.

Publicado por: Daniel Arruda às fevereiro 22, 2006 02:28 PM

mais uma frase ...........ser precário é “tão mau ou pior que desempregado”.Tivesse ele estado alguma vez desempregado e não teria dito tal disparate.... diz a Margarida, nota-se que quando quer dar respostas que não vem na cassete utiliza as mesmas frases da direita portuguesa...lembremos Bagão quando ministro na Assembleia no debate sobre o código do Trabalho no capitulo sobre contratos de Trabalho a responder a Jerónimo de Sousa, dizia o tal ministro.. mais vale ter um emprego precário que não ter emprego nenhum.... como eles se entendem.

Publicado por: augusto às fevereiro 22, 2006 02:56 PM

O Augusto deve ser como o Arruda que nunca esteve desempregado. Eu já estive desempregada e já estive com contractos a prazo. E sei o alívio que foi ter arranjado um contracto a prazo. E garanto-lhe que ambas as situações - o desemprego e a precariedade - não foram da minha responsabilidade, nem da responsabilidade dos meus colegas. Se não passou por estas situações, respeite quem passou.

Publicado por: Margarida às fevereiro 22, 2006 07:04 PM

Respeito todos os trabalhadores, os empregados a pazo, os contratados a termo certo, os contratados a termo incerto, e os desempregaods que continuo a achar trabalhadores. O problema é que acho o artigo do Arruda muio bom, e as criticas que a Margarida levanta ao mesmo são como sempre criticas de ambito partidário, porque nunca se lembrou de escrever algo, porque o partido dela é o maior, o melhor, é vanguarda e como tal os outros que vão a reboque.
Não acrescenta uma linha ao pensamento da esqueda sobre este assunto, não dá uma dica sobre como fazer, como mobilizar sem desgastar os trabalhadores, como organizar os desempregados, como mantê-los ligados ao movimento sindical, como envolvê-los nas decisões daquilo que interessa.
Em relação aos contratados há hora, ao dia ou ao mês, como fazer para os manter sindicalisados, como pessionar o estado acabar com esta situação ou limitá-la ao minimo, como obrigar a Caixa Geral de Depósitos a conceder emprestimos para compra de casa a estes trabalhadores.
Se discutirmos no plano das ideias, cada um de nós terá a sua e do conjunto de todas sairão soluções para os problemas desta democracia avançada (seja lá isso o que fôr).
Mas se como sempre vierem as vanguardas, os que sabem tudo, os que tem controleiros, os que ou é com eles a dirigir ou é contra eles, então quem se continua a lixar (é o termo) são os precários.

Publicado por: augusto às fevereiro 23, 2006 09:52 AM

Respeito todos os trabalhadores, os empregados a pazo, os contratados a termo certo, os contratados a termo incerto, e os desempregaods que continuo a achar trabalhadores. O problema é que acho o artigo do Arruda muio bom, e as criticas que a Margarida levanta ao mesmo são como sempre criticas de ambito partidário, porque nunca se lembrou de escrever algo, porque o partido dela é o maior, o melhor, é vanguarda e como tal os outros que vão a reboque.
Não acrescenta uma linha ao pensamento da esqueda sobre este assunto, não dá uma dica sobre como fazer, como mobilizar sem desgastar os trabalhadores, como organizar os desempregados, como mantê-los ligados ao movimento sindical, como envolvê-los nas decisões daquilo que interessa.
Em relação aos contratados há hora, ao dia ou ao mês, como fazer para os manter sindicalisados, como pessionar o estado acabar com esta situação ou limitá-la ao minimo, como obrigar a Caixa Geral de Depósitos a conceder emprestimos para compra de casa a estes trabalhadores.
Se discutirmos no plano das ideias, cada um de nós terá a sua e do conjunto de todas sairão soluções para os problemas desta democracia avançada (seja lá isso o que fôr).
Mas se como sempre vierem as vanguardas, os que sabem tudo, os que tem controleiros, os que ou é com eles a dirigir ou é contra eles, então quem se continua a lixar (é o termo) são os precários.

Publicado por: augusto às fevereiro 23, 2006 09:53 AM