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fevereiro 13, 2006
Zeca
Por:Isabel Faria

Até ao dia 23 de Fevereiro, decidi guardar um pedacinho deste espaço, para falar do Zeca. Para colocar fotos. Poemas. Algumas músicas. Por nenhuma razão especial, apesar de no dia 23 de Fevereiro se completarem 19 anos sobre a sua partida. Mas só nos apercebemos que o Zeca partiu porque teima en nos fazer muita falta. A altura escolhida não é, pois, importante. Apenas um pretexto. Para o ter aqui connosco. Mais visivelmente.
Vejam bem
que não há só gaivotas em terra
quando um homem se põe a pensar
quando um homem se põe a pensar
Quem lá vem
dorme à noite ao relento na areia
dorme à noite ao relento no mar
dorme à noite ao relento no mar
E se houver
uma praça de gente ma dura
e uma es tátua
e uma estátua de de febre a arder
Anda alguém
pela noite de breu à procura
e não há quem lhe queira valer
e não há quem lhe queira valer
Vejam bem
daquele homem a fraca figura
desbravando os caminhos do pão
desbravando os caminhos do pão
E se houver
uma praça de gente madura
ninguém vai
ninguém vai levantá-lo do chão
Cantares do Andarilho - 1968
Publicado por Troll Urbano às fevereiro 13, 2006 09:48 PM
Comentários
Fui confirmar só para não errar: Os meus documentos\A minha música\Zeca Afonso\ está certo 14 álbuns, faltam-me muitos eu sei... mas vai-se arranjando! Muito me agrada esta tua ideia, não só pela música como também pela mensagem! Se precisares de algum mp3 dele para pores aqui é só avisares!
Há uma coisa que eu gostava de perguntar, eu não vivi nesse tempo, mas há letras que só não via quem fosse muito burro... como é que estas coisas passavam?
Publicado por: Farpas às fevereiro 14, 2006 12:11 AM
Das histórias que ouvi, muitas vezes não passavam. Se vires os discos de alguns destes cantores (assim como muitos livros) têm edição francesa, apareciam em Portugal clandestinamente. Havia até rusgas a concertos. Às vezes quando apareciam já o concerto estava acabado e o local deserto, porque se tinha conseguido alterar as coisas em relação ao que tinha sido divulgado com mais antecendência (e que era sabido pela polícia)...
Por outro lado também havia às vezes jogos do próprio regime para mostrar "abertura" a quem andasse de olhos fechados, ou para não levantar ondas de protestos quando não dava jeito. E se os discos até tinham uma pequena divulgação, poderia compensar.
Mas já agora, se alguém tem informações mais precisas sobre este processo, também gostava de saber.
Publicado por: Helena Romao
às fevereiro 14, 2006 02:41 AM
Farpas, vou recorrer à tua oferta, sim.
Como a Helena, diz, muitas eram editadas em França e depois passavam clandestinamente. Esta noite ou amanhã, conto uma ou duas histórias (já as contei, noutras ocasiões, creio, mas ficarão, de novo), que demonstram isso.
E mostram também a ignorância dos censores, de então.
Publicado por: isabel faria às fevereiro 14, 2006 12:03 PM
Estava também a guardar-me para mais tarde. Mas uma das motivações que tinha em aprender a colocar músicas no Pópulo tinha aver com isso.
O ano passado, sei que esse dia passou a correr e só deixei um post no dia seguinte. Fiquei irritada comigo mesmo. Este ano não queria que acontecesse. Mas se calhar também recorro ao Farpas, porque afinal tenho muita coisa em vinil, e isso é que não dá mesmo!!!! Faaaarpas???? És amiguinho, não és?
Publicado por: Emiéle às fevereiro 14, 2006 12:54 PM
Isabel, Emiéle estejam à vontade! Tenho mesmo muitas músicas de intervenção!... um bichinho que os meus pais me meteram!
Publicado por: Farpas às fevereiro 14, 2006 10:13 PM