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março 28, 2006

CPE / Precariedade

Por:Isabel Faria

Em França, cada dia que passa são maiores as manifestções contra a politica do Governo. Hoje, mais de 3 milhões de pessoas fizeram a maior greve geral de sempre e tomaram as ruas das principais cidades francesas, para dizer não ao CPE. Em LIsboa, esta tarde, jovens sairam à rua, para dizer não à precariedade. Não é, ainda, a mobilização de França. Mas é necessário que nos convençamos que a Lei que Villepin, quer agora impor em França, já é Lei em Portugal, há anos. Carvalho da Silva falava hoje na televisão de um jovem que tinha dezenas de contratos, feitos na mesma empresa para tarefas differentes. Diariamente, quem trabalha numa empresa privada, conhece casos assim. Tenho colegas que já vi mudarem de empresa, mudarem de função, mudarem de salário, dezenas e dezenas de vezes, só nunca pude vê-los mudar de vida. Porque a lei lhes permite continuar assim, sem futuro, eternamente.
A mobilização em Portugal ainda não é a de França. Mas os problemas são os mesmos. O neoliberalismo, lá como cá, quer-nos fazer acreditar que se combate o desemprego, despedindo. Que se cria uma sociedade estável, com vidas instáveis, que se constrói o futuro com jovens sem presente.
Hoje, dia 28 de Março, dia Mundial da Juventude, os jovens sairam á rua em Lisboa, a exigir futuro. É o que fazem os milhões que diariamente saem à rua em França.

Publicado por Troll Urbano às março 28, 2006 11:49 PM

Comentários

É verdade, Isabel. E se a lei francesa passasse (acho que agora já não há essa hipótese), não demoraria nada até o resto dos governos europeus a copiarem ponto por ponto. No nosso caso nem precisavam de mudar a sigla...

Tenho tido alguns ecos de manifestações de apoio a este movimento francês noutros países (nomeadamente na Alemanha), frente às embaixadas francesas. Afinal a UE não é só a do conselho europeu e da comissão europeia.

E 3 milhões são 5% da população. Alguns sindicatos falam em 2,7 milhões, que dariam 4,5% da população. Seja como fôr, é muito: muita gente e uma enormíssima percentagem de franceses.

Publicado por: Helena Romao [TypeKey Profile Page] às março 29, 2006 12:59 AM

Será mesmo assim?? eu sei a teoria das pessoas que querem trabalhos certos, que nao possam ser despedidas e fazer montes de barbaridades...o que eu quero dizer é que...nos estados unidos da américa os empregados podem ser despedidos e readmitidos montes de vezes, e nao os vejo a queixarem-se ou a fazer manifestaçoes...a minha opinião é a de que se as pessoas têm um futuro incerto, tremido, nao ha nada que possam fazer, a culpa nao é do governo nem das leis, mas das pessoas...no fundo todos querem ter a vida garantida, LOGICO, mas ainda assim duvido que as manifestações venham a trazer a estabilidade que exigem...e é basico de entender porquê, ora, em frança eles não vão simplesmente aceder ás reivindicações dos manifestantes, porque isso pooderia desencadear a ideia de que quando se fizesse uma manifestação em grande escala, isso iria fazer automaticamente com que as reivindicações fossem respeitadas e aceites pelo governo, quero dizer, estado.

Publicado por: careca às março 29, 2006 01:04 AM

Careca, o governo está ao serviço da população. Por isso é que se chama democracia (poder do povo). É o povo que lhes dá o emprego quando vota e é o povo que lhes paga o salário e os gastos. Acho que é mais ou menos esta a definição de patrão, não?

Então a culpa é das pessoas, ora aí está uma lógica da batata! As pessoas é que têm culpa da precarização das suas próprias vidas...?
A culpa, podemos atribuí-la em parte às empresas e seus accionistas que têm uma febre de dividendos e lucros bolsistas. Fazem as AG e decidem o que fazer aos lucros: não lhes passa pela cabeça remunerar os empregados. E à legislação que permite isto.
E aos gestores: se não sabem gerir, vão fazer crochet! Mas a produção de uma empresa tem que ser planificada tendo em conta os custos de produção. Não percebo a dificuldade desta evidência, mas enfim... Não podem é contar com almoços grátis, porque não há! Nem almoços, nem trabalhadores.

A riqueza vai aumentando, os países vão crescendo (quando dizem que estamos em GRANDE recessão é porque cresce pouco acima de zero, mas cresce).
As notícias das bolsas de valores são de crescimento. Os dividendos crescem. Os salários e pensões dos administradores crescem exponencialmente. O fosso entre os ricos e os pobres cresce. Tudo cresce. A estupidez e a lavagem cerebral também.

Só os salários e as garantias dos trabalhadores é que diminuem.


O argumento do "monte de barbaridades"... é um clássico, claro! Não podia faltar... Sabe, o código do trabalho prevê e previu sempre, e ninguém nunca disse nada contra, a justa causa de despedimento. Ninguém em emprego nenhum pode fazer um "monte de barbaridades", porque isso constitui a tal justa causa de despedimento. Esclarecido? Para mais informações sugiro que consulte o dito código.


Esse sistema da liberalização do trabalho serve precisamente para o que diz dos EUA. As pessoas ficam na mão do empregadores e deixam de ter opinião sobre a sua vida, deixam de poder fazer manifestações, porque são despedidas no mesmo instante. Não há faltas nem greves, não há manifestações, não há desacordo nem diferendos, nem debates com o chefe. E esta é uma das razões pelas quais não são uma Democracia.

Claro que isto é o sonho de qualquer empresário... nunca mais tem que pagar a horas, nunca mais tem que deixar os empregados sair à hora contratada, nunca mais tem que pagar baixas, pode decretar o que quer, quando quer e como quer, nunca mais tem custos absolutamente nenhuns. O Paraíso!!!

Bom... pelo menos algum tempo. Claro que economicamente é insustentável... óbvio... basta ler qualquer livrozeco de História! Se não quiser dar-se a esse trabalho veja o Modern Times do Charlie Chaplin, também serve.
Quinta-feira negra, ring a bell? Um sistema económico assente num trabalho sem garantias, em que as pessoas eram contratadas ao dia com salários de miséria, só pagos de vez em quando (parecido com o sistema para onde recuamos). Os lucros eram obviamente astronómicos.
Quanto mais se produzisse mais se ganhava, mais se investia na bolsa. A classe média entusiasmou-se e desatou a investir na bolsa também. Mas só algumas pessoas tinham dinheiro para comprar o que se fabricava. A população passava fome e a produção foi-se acumulando nos armazéns até que deixou de se vender de todo. Esta super produção ligada à super-especulação bolsista que lhe esteve inerente, levaram ao que se sabe.

Publicado por: Helena Romao [TypeKey Profile Page] às março 29, 2006 04:53 AM

Sabes, Careca, a tua teoria, é das que nas empresas consideram sempre dois pontos de vista:
os trabalhadores têm previlégios (não direitos).
Os empresários têm direitos (não previlégios).
A garantia de trabalho, o trabalho com horários, com folgas, as férias, as horas extraordinárias, são previlégios.
Os lucros, o leque salarial (Portugal tem um dos mais elevados da Europa), o dispôr do presente e do futuro dos trabalhadores são direitos.
Mas sabes o que é mais estranho? È que até do ponto de vista das empresas e dos empresários, das entidades patronais, isto não parece lógico.
Trabalho numa multinacional americana que nos quer convencer que somos todos asscociados, que a empresa também é nossa, que temos que vestir a "camisola". Como é que se veste a camisola, a trabalhar à hora, ao dia, ao mês, ao ano???

É como diz a Helena, o trabalho sem direitos é o paraíso dos empresários...o pior é que é insustentável. As manifestações em França são uma pontinha dessa insustentabilidade...a história mostra om resto dessa insustentabilidade.

E de facto, careca, apetece perguntar coneheces o Código de Trabalho? A lei dos despedimentos? Acreditas mesmo que é possivel fazer "um monte de barbaridades", seja lá o que isso for, e continuar com emprego? Ou o monte de barbaridades é querer trabalhar 8 horas (lembras-te há quantos anos foi???), querer ter dias de folga, querer ter direito a férias, querer pensar a meses e não a dias, querer ter direito a ficar doente ou a poder ter um filho e tratar dele?

Publicado por: isabel faria às março 29, 2006 11:33 AM