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março 23, 2006

Divórcio

Por:Isabel Faria

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Duas pessoas encontram-se. Apaixonam-se. Decidem casar-se. Por vontade de ambos, decidem casar-se. Decidem, assim, “legalizar” os seus afectos.
Um dia, um dos conjugues deixa de amar o outro. Ou os dois deixam-se de se amar. Não há amores eternos, nem paixões. Legalizados ou não.
Às vezes, acontece que o amor desaparece primeiro num do que no outro. Não há timings nos afectos. Custa, mas é assim. O amor acaba e porque uma relação é sempre a dois, decide divorciar-se. Se já não paixão nem amor, não existem, portanto, os pressupostos que levaram ao casamento. Pelo menos para um deles, os pressupostos para o casamento desapareceram. Quando se apaixonaram e se casaram, foi preciso a vontade dos dois, logo de cada um deles. Se um não se quiesese ter casado não teria havido casamento.
O que é que isto tem de fracturante??? Desculpem lá, mas esta história de causas fracturantes serem as que têm a ver com os direitos individuais das pessoas, hoje está a fazer-me confusão. Deve ser da chuva...
Ah, é verdade, gostei da expressão de Fernando Rosas, ontem na conferência de imprensa, em que apresentou a proposta de Decreto Lei do Bloco, que permite o divórcio a pedido de um dos conjugues.
O casamento é o encontro de duas liberdades. O divórcio só pode ser entendido como o encontro ou o desencontro de duas liberdades.


Publicado por Troll Urbano às março 23, 2006 01:22 PM

Comentários

Só acho é que ao mesmo tempo deveria ser desencadeado um serviço de "aconselhamento parental". Os divórcios sejam eles de que tipo forem são sempre dolorosos e muitas vezes tornam-se "irracionais", em especial se existirem filhos.

Publicado por: Pina às março 23, 2006 02:03 PM

Concordo, Pina. mas isso seria necessário, seja ou não a Lei alterada.

A diferença que o Dec. Lei preconiza é que o divórcio passe poder depender apenas da vontade de um dos membros do casal.
Claro que estes casos já existem. Em divórcios litigiosos, com um ainda maior sofrimento para os filhos. Pelo tempo que demora, pelo ambiente que vivem em casa...

Publicado por: isabel faria às março 23, 2006 03:23 PM

Isabel, só não entendo muito bem uma coisa. Se o divórcio passar a depender apenas da vontade de um, não passa também ele a ser litigioso?

Publicado por: Pina às março 23, 2006 03:26 PM

Pina, legalmente deixaria de ser.
No casal claro que sim. Mas aí, não sei se o termo seria litigioso...deixar de amar alguém é um litígio? Depende da vontade? Pode-se mudar?
Se se entender o casamento não como uma instituições mas como uma forma de viver os afectos...

E depois a questão volta a colocar-se: uma criança sofre mais num processo de divórcio ou numa relação sem afectos?

Publicado por: isabel faria às março 23, 2006 04:14 PM

Isabel, claro que uma criança não deixa de sofrer em nenhuma das situações.
Então, a diferença deixa de ser apenas e somente do ponto de vista legal. Deixa de ser necessário o julgamento, as custas do processo (que são carissimas!!!), o dispendio de tempo, etc. Mas, não deixa de ser "litigioso".De qualquer forma entendi, bigada*.

Publicado por: Pina às março 23, 2006 04:19 PM

O de comum acordo feito apenas na conservatória, já é bastante fácil. Ainda é mais difícil do que o casamento ( casar é sempre mais fácil do que descasar) mas relativamente barato e também relativamente rápido. E o bom-senso diz que assim como são necessário dois para haver casamento também é necessário dois para continuar a hever casamento. Senão já não o é. Sem a concordância de dois, não é um casamento.
O problema dos filhos é muito sério, e deve ser ponderado sem a menor dúvida, mas o que a vida nos mostra é que entre as "cenas" a que assiste quando os pais se dão claramente mal, ou o vê-los separados, ela não sofre mais no segundo caso. É sempre mau, mas no segundo caso acaba por ser um alívio.

Publicado por: Emiéle às março 23, 2006 08:12 PM

Èmiéle, eu sei. O de comum acordo hoje já é fácil e sem necessidade de muito yempo e dinheiro. O pior é quando para um acabou e para o outro não. Aí tem mesmo que se entrar num divórcio litigioso e são as complicações que todos sabemos.
E é como dizes o segundo caso acaba para ser um alívio...e quanto mais depressa chegar o alivio, melhor deverá ser para eles.

Publicado por: isabel faria às março 23, 2006 10:46 PM