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março 15, 2006

Miguel Vale de Almeida

Por:Isabel Faria

miguel.jpg

Miguel Vale de Almeida anunciou nos Tempos que correm a sua desvinculação da actividade partidária.
Muito antes de eu entrar para o Bloco, depois de anos de afastamento de qualquer actividade partidária, o Miguel era, para mim, dentro do BE, uma das referências mais marcantes. Durante estes anos, desde que me tornei militante, não sei se alguma vez nos falámos. Mas a referência manteve-se. Não preciso, neste momento, de nehuma explicação para além das que ele dá no seu post em que anuncia a saída.
O Bloco de Esquerda fica mais pobre sem o Miguel Vale de Almeida. Eu fico mais pobre sem o Miguel Vale de Almeida no meu Partido. O "meu" Bloco continua a passar por aquele que o Miguel ajudou a construir. Mesmo que ele lá não esteja. Tenho a certeza que nos iremos encontrar em muitos "casos" e em muitas "causas".
Até já, companheiro.

Publicado por Troll Urbano às março 15, 2006 09:07 PM

Comentários

Isabel desconheço as razões que levam o Miguel Vale de Almeia a anunciar publicamente a sua disvinculação do BE.

Ao longo dos anos independentemente da consideração que possa ter por ele sempre me pareceu um militante sui-generis.

Afirmava-se militante mas muitas vezes corria por fora.

Nada a obstar, o que me parece pouco curial é que alguem que se quer ligar a um projecto , e aceitando cargos de responsabilidade dentro desse projecto, depois parece que só tem direitos e não deveres.

Julgo que o caso da Joana Amaral Dias é de alguma forma semelhante.

Conheço muita gente que simpatiza e apoia o Bloco, mas não se querendo sujeitar a uma disciplina partidária, sempre necessária, para um partido funcionar minimamente, não aceita cargos de responsabilidade, apoia pontualmente acções, e não deixa, apesar de assim pensar, de intervir civicamente, e até defender muitos dos objectivos do Bloco.

Ainda não li as razões do afastamento do Vale de Almeida, mas creio que no fundo está uma agenda politica pessoal e de grupo, e que talvez neste momento entenda que não está a ser assumida pelo Bloco no seu conjunto como ele gostaria.

Só que o Bloco é isso mesmo ,uma força que não discriminando ninguem, não pode esquecer o que num determinado momento é prioritário, sendo um partido de causas , não pode ser só o partido de uma só causa.

Espero ,como tu, e estou certo disso, de ter ao nosso lado o Vale de Almeida nas batalhas que se avizinham, se não for como dirigente do Bloco, será como apoiante, disso estou certo.

Publicado por: a.pacheco às março 15, 2006 11:14 PM

Não coneço pessoalmente o Miguel Vale de Almeida mas, pelo que sei dele, tenha a certeza de que não deixará de haver pelo menos uma causa pela qual ele continuará a lutar.

Publicado por: Nuno às março 15, 2006 11:51 PM

Não conheço pessoalmente o Miguel Vale de Almeida mas, pelo que sei dele, tenha a certeza de que não deixará de haver pelo menos uma causa pela qual ele continuará a lutar.

Publicado por: Nuno às março 15, 2006 11:51 PM

Não conheço pessoalmente o Miguel Vale de Almeida mas, pelo que sei dele, tenha a certeza de que não deixará de haver pelo menos uma causa pela qual ele continuará a lutar.

Publicado por: Nuno às março 15, 2006 11:52 PM

Quem me leu por esta blogosfera fora sabe a admiração que nutria pelo Miguel. Como pessoa, como Homem e como pensador.
Como disse o a.pacheco, e bem, o BE é isto. Liberdade de estar e de partir sem resentimentos sabendo que nos vamos encontrar muitas vezes nas nossas lutas. Nas lutas da esquerda.

Publicado por: Daniel Arruda às março 16, 2006 01:07 AM

A.Pacheco, como escrevi no meu post, só conheço as razões apontadas pelo Miguel, nos Tempos que Correm. Creio que a vida nun Partido Democrático é msmo assim. Somos homens e mulheres livres. Num determinhado momento pensamos que a nossa luta se desenvolve melhor dentro duma estrutura partidária. E cá estamos. Um dia, concluimos que não e partimos.
Como escrevi, depois dum "luto" de muitos anos,a "correr por fora", o Bloco que eu conheci também tinha o Miguel. Também era o Miguel. Por isso lamento que tenha saído.Mas reitero o que todos dissemos nesta caixa de comentários e a ideia que tentei (espero ter conseguido) transmitir no post. Num Partido de homens e mulheres livres, a partida de um camarada, não o torna nosso adversário. Muito menos, inimigo. Apenas sabemos que, a partir daí, nos passamos a ver, nos mesmos lugares, com vinculos diferentes.
O Bloco, que o Miguel e todos nós temos vindo a construir é isto. E é por isso que cá estou.

Só uma nota para finalizar. Não considero haver qualquer semelhança entre a partida do Miguel e a posição da Joana nas Presidenciais. Considero que o Bloco cumpriu o seu dever em não impôr qualquer tipo de sanção à Joana. Não lhe tenho nenhum ressentimento pessoal nem politico, mas penso, e disse-o aqui na altura, que ela se devia ter desvinculado no Partido. Como tu dizes fazer parte dum Partido e aceitar cargos de rresponsabilidade dá-nos deveres. Que não creio que a Joana tenha cumprido.
De qualquer forma apraz-me que mais uma vez o Bloco tenha sido coerentemente diferente também nesse caso.

È Daniel, o Bloco é isto.

Publicado por: isabel faria às março 16, 2006 09:28 AM

Julgo porque aquilo que li, e talvez esteja a especular, depois de 7 anos no Bloco resolveu afastar-se da actividade partidária.

Como te disse ignoro as causas, porque ele tambem não as menciona com clareza, mas julgo percebe-lo nas entrelinhas.

Quando referia a Joana Amaral Dias, longe de mim a ideia de sanções, agora se eu fosse dirigente de um partido, o colectivo decidisse uma determinada actuação, e eu publicamente ponderasse que deveria seguir outra orientação numa determinada fase, por uma questão de coerência, abdicava de ser dirigente.

Outros terão outra opinião...

Mas não estou a ver um carro num rali em que o condutor quer ir numa direcção e co-piloto quer ir noutra, certamente não chegam a lado nenhum.

Publicado por: a.pacheco às março 16, 2006 12:35 PM

A.Pacheco, concordo contigo, quanto à Joana. Sempre o disse. Eu teria abdicado de ser dirigente....mas por isso é que realcei a diferença com o Miguel. Não sei se há ou não divergências politicas, mas se as houver, o Miguel decidiu afastar-se em vez de puxar o carro para outro lado...
Aliás, mesmo quando foi das Autárquicas, apesar de não apoiar o Sá Fernandes, nunca fez campanha por outro candidato e muito menos foi Mandatário...
Não é por terem divergências comigo que os meus camaradas passam a adversários. Mas há atitudes que respeito e outras não. E nesse aspecto entre a do Miguel e a da Joana, tenho essa diferença.

Publicado por: isabel faria às março 17, 2006 10:54 AM

No meu entender é bastante complicado para um antropólogo ceder a sua posição critica a um ideal ou partido político instituído que no fundo se apresenta como um arquétipo de filosofias mais ou menos puras, e como tal, tão repreensíveis como qualquer modelo ideal ou estático que se procure impor à realidade humana.

Obviamente reconheço que nada se faz sem sonhos, nada se concretiza sem apelos, sem “partidarismos” que concedam força ás causas. No entanto, e digo isto por experiência própria nesta minha igual tentativa enquanto futura antropóloga de ceder (enquanto cidadã) a minha força ás causas que defendo, confesso sentir sérias dificuldades em coadunar a consciência critica e relativista proveniente da minha formação que é por natureza relativista cultural e posicional com as normativas ideológicas que emergem forçosamente dentro dos partidos.
Tendo tomado consciência desta obrigatoriedade moral que parte da minha honestidade para comigo mesma, resta-me continuar apartidária (mesmo após as minhas rudimentares incursões nesse mundo tão atractivo que é a politica) e procurar o derradeiro elo que unifica coerentemente todas as minhas posições perante a realidade, politica, económica, cultural e social…que a avaliar pelo panorama político nacional, terei de ser eu mesma a descobrir.

Já dizia o Luís Represas naquele tom melancólico…


…Assim talvez me encontre ”

Publicado por: Lara às novembro 27, 2006 10:43 PM

No meu entender é bastante complicado para um antropólogo ceder a sua posição critica a um ideal ou partido político instituído que no fundo se apresenta como um arquétipo de filosofias mais ou menos puras, e como tal, tão repreensíveis como qualquer modelo ideal ou estático que se procure impor à realidade humana.

Obviamente reconheço que nada se faz sem sonhos, nada se concretiza sem apelos, sem “partidarismos” que concedam força ás causas. No entanto, e digo isto por experiência própria nesta minha igual tentativa enquanto futura antropóloga de ceder (enquanto cidadã) a minha força ás causas que defendo, confesso sentir sérias dificuldades em coadunar a consciência critica e relativista proveniente da minha formação que é por natureza relativista cultural e posicional com as normativas ideológicas que emergem forçosamente dentro dos partidos.
Tendo tomado consciência desta obrigatoriedade moral que parte da minha honestidade para comigo mesma, resta-me continuar apartidária (mesmo após as minhas rudimentares incursões nesse mundo tão atractivo que é a politica) e procurar o derradeiro elo que unifica coerentemente todas as minhas posições perante a realidade, politica, económica, cultural e social…que a avaliar pelo panorama político nacional, terei de ser eu mesma a descobrir.

Já dizia o Luís Represas naquele tom melancólico…


…Assim talvez me encontre ”

Publicado por: Lara às novembro 27, 2006 10:47 PM

No meu entender é bastante complicado para um antropólogo ceder a sua posição critica a um ideal ou partido político instituído que no fundo se apresenta como um arquétipo de filosofias mais ou menos puras, e como tal, tão repreensíveis como qualquer modelo ideal ou estático que se procure impor à realidade humana.

Obviamente reconheço que nada se faz sem sonhos, nada se concretiza sem apelos, sem “partidarismos” que concedam força ás causas. No entanto, e digo isto por experiência própria nesta minha igual tentativa enquanto futura antropóloga de ceder (enquanto cidadã) a minha força ás causas que defendo, confesso sentir sérias dificuldades em coadunar a consciência critica e relativista proveniente da minha formação que é por natureza relativista cultural e posicional com as normativas ideológicas que emergem forçosamente dentro dos partidos.
Tendo tomado consciência desta obrigatoriedade moral que parte da minha honestidade para comigo mesma, resta-me continuar apartidária (mesmo após as minhas rudimentares incursões nesse mundo tão atractivo que é a politica) e procurar o derradeiro elo que unifica coerentemente todas as minhas posições perante a realidade, politica, económica, cultural e social…que a avaliar pelo panorama político nacional, terei de ser eu mesma a descobrir.

Já dizia o Luís Represas naquele tom melancólico…


…Assim talvez me encontre ”

Publicado por: Lara às novembro 27, 2006 11:19 PM