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março 24, 2006
O cheiro da relva
Por:Isabel Faria

Os sentidos todos.
Ver o meu filho crescer. Ver o Sol. Ver um campo de papoilas. Ver a Lua Cheia. Ver o olhar dos nossos amigos. Do homem que amamos. Ver as rugas dos nossos pais e vermo-nos nelas. E as nossas. Ver alguém sofrer e vermos que só podemos lá estar.
Ouvir o canto dum pássaro. E a voz dos nossos amigos. E ouvir mãe. E filha. E os gemidos do teu prazer quando te toco. E os sons de luta e de esperança numa manifestação contra a Guerra e contra a fome. E uma canção do Zeca ou do Leonard Cohen.
Saborear uma cereja. Ou um quadradinho de chocolate. Ou a água salgada do Mar da costa alentejana. Ou um arroz doce, acabadinho de fazer, ainda quente de açúcar e de canela. Ou o som de uma palavra de alento. Ou a tua pele.
Sentir os lençóis frescos numa noite quente de Verão. A manta quente numa tarde cinzenta de Inverno. O calor de uma mão quando tudo parece fugir debaixo dos pés. E a pele. A pele que percorro antes de adormecermos. A água quente a acariciar-me o corpo cansado.
Mas não era de nada disto que queria falar, hoje. Este post era sobre o cheiro da relva. Com que esta manhã, ao passar no jardim do Campo Santana, molhada da chuva torrencial de ontem, mas já rendida à Primavera, acordei. Era sobre o cheiro da relva, este post. Desculpem ter-me deixado levar pelas palavras. Pelas outras todas. Só queria mesmo falar sobre o cheiro da relva.
Que não me larga desde manhãzinha....
Publicado por Troll Urbano às março 24, 2006 12:27 PM
Comentários
É bom quando sentimos. É bom quando gostamos. É óptimo quando encontramos alguém que as consiga descrever.
Publicado por: Daniel Arruda às março 24, 2006 12:48 PM
Pois é, amigo. É tão bom sentir e gostar...o resto é porque és meu amigo...mas obrigado na mesma. E ainda bem que gostaste.
Publicado por: isabel faria às março 24, 2006 01:09 PM
Ah, Isabel, que agradável ler-te. Logo hoje, que vejo tudo tão cinzento, esse verdinho aquece o coração. Isso e as tuas recordações.
Publicado por: Emiéle às março 24, 2006 04:28 PM
Com as tuas palavras, levas-nos aos sentidos, a todos eles!
É bom ler-te. (Percebe-se que foi dos tais sem respirar)
Publicado por: Grilo da Idanha às março 24, 2006 04:58 PM
Émièle, eu estava a sentir que precisavas de um pouquinho de verde...coisas que os amigos sentem...
Foi. Dos sem respirar,Grilo. Nunca respiro quando sinto.
Também é tão bom ler-te!!
Publicado por: isabel faria às março 24, 2006 05:11 PM
Já cá tinha vindo "ler-te", mas não me senti muito inspirada para dizer algo. Não é que agora me sinta muito mais, mas é de facto muito bom ler o que escreves. Renova. Beijito
Publicado por: Pina às março 24, 2006 08:30 PM
Pina,
:)
Dois de volta.
Publicado por: isabel faria às março 25, 2006 12:02 AM