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março 11, 2006
Por: Daniel Arruda
Não vou por fotogrfia neste post. Não me apetece.
Morreu Slobodan Milosevic. Morreu esta noite numa cela do TPI. Tenho pena que tal tenha acontecido. Não pela morte, mas porque morreu sem ter sido condenado pelas atrocidades que cometeu.
Publicado por Troll Urbano às março 11, 2006 01:48 PM
Comentários
E quer o Arruda desenvolver as "atrocidades" que o Milosevic cometeu?
Publicado por: Margarida às março 11, 2006 03:41 PM
Desta vez escrevi o meu post depois do teu, mas não tinha vindo cá... estava a almoçar!
Pois é, parece-me que o Troll e o Pópulo estão destinados a ser blogs-geminados (isso existe? assim como as cidades, estás a ver?)
Publicado por: Emiéle às março 11, 2006 04:25 PM
Émiéle, podia-se fazer uma festa com copos e bolos e tudo...para a germinação dos Blogs, quero dizer.
Daniel, fizeste bem em não colocar fotografia. Teria que ser muito negra para fazer jus à obra.
Sabes que me questino sempre. Na hora da morte, se a gente dá por ela chegar, sentirão o quê, pessoas como Milosevic ?
Publicado por: isabel faria às março 11, 2006 04:58 PM
Alargo a pergunta às outras "albanesas" residentes emiéle e faria. Afinal que "atrocidades" cometeu o Milosevic? Eu sei que vocês têm que justificar o investimento do Soros, mas podiam esforçar-se um pouquito mais, não acham? Porque é que não falam então das "atrocidades"?...
Publicado por: Margarida às março 11, 2006 05:19 PM
E o pior é que a gente não acredita no inferno.
Publicado por: trilby às março 11, 2006 05:36 PM
trilby: já que os outros escrevem porque são obrigados mas nada dizem, quer ser você a esclarecer as "atrocidade"?
Publicado por: Margarida às março 11, 2006 06:29 PM
Depois do silêncio sobre essa infâmia das "atrocidades", aprendam lá ao menos, qualquer coisinha:
Milosevic no tribunal da NATO:
quando os criminosos se arvoram em juízes
por Comité Internacional para a Defesa de Slobodan Milosevic
VERDADE vs. CRIME: O 4º ANIVERSÁRIO
No dia 12 de Dezembro de 2005, o Presidente Milosevic pediu para ser libertado temporariamente para fazer um tratamento médico no Instituto Científico Bakulev de Moscovo, dirigido pelo Professor Leo Bockeria, cardio-cirurgião superior da Federação Russa. Com base no pedido do Presidente Milosevic e nas opiniões de eminentes médicos especialistas internacionais, como o próprio Professor Bockeria, o Governo da Federação Russa prestou as devidas garantias estatais ao Tribunal de Haia em 17 de Janeiro de 2006. A decisão do Tribunal continua pendente.
Na origem deste pedido esteve um alerta dramático sobre o estado de saúde do Presidente Milosevic, feito por uma junta médica internacional em 4 de Novembro de 2005, recomendando uma suspensão urgente dos trabalhos, seis semanas de repouso total e exames e tratamentos adicionais num estabelecimento médico especializado. Este alerta foi repetido pelo ICDSM numa sessão especial em Belgrado a 12 de Novembro, através de um apelo público urgente assinado pelos co-presidentes do ICDSM, Ramsey Clark e Velko Valkanov, e pelo vice-presidente da Duma russa, Sergei Baburin. Posteriormente, grupos de médicos especialistas da Sérvia e da Alemanha vieram também a público com apelos idênticos. Sloboda obteve 25 000 assinaturas em apenas dois dias para que o Parlamento Sérvio incluisse esta questão na sua agenda (uma coisa que nunca tinha acontecido, apesar da Constituição sérvia). A Duma russa aprovou por unanimidade uma resolução exprimindo profunda preocupação quanto ao estado de saúde do Presidente Milosevic.
O tribunal está a actuar burocraticamente, com lentidão e hipocrisia. Foram concedidas ao Presidente Milosevic (que entretanto quase teve um colapso na sala do tribunal) seis semanas de repouso extremamente necessário apenas na sequência das habituais férias do tribunal no Natal. E apesar de todos os argumentos médicos e garantias estatais apresentadas, ainda não foi tomada nenhuma decisão quanto à libertação temporária. Tudo isto confirmado pelo Prefeito de Moscovo, Yuri Luzhkov, que, inteiramente de acordo com a possibilidade de o Presidente Milosevic ir a Moscovo, afirmou em 21 de Janeiro que a situação do Presidente Milosevic 'é uma vergonha para um tribunal europeu, que tomou a iniciativa de um processo judicial contra ele sem ter razões suficientes, o manteve preso durante anos e agora não sabe o que fazer. Todas as acusações cairam por si, e agora estão a tentar salvar as aparências nesta questão. Não querem pedir desculpa a Milosevic pelos vários anos que foram riscados da vida dele', e acrescentou que devia haver uma regra nas práticas judiciais, para que os juizes que cometem um erro devam ser mantidos sob custódia durante o mesmo tempo que a pessoa que foi ilegalmente presa por causa do erro deles.
Mas o resumo mais preciso do que representam estes quatro anos do processo de Haia foi feito pelo próprio Presidente Milosevic numa das suas intervenções mais fortes neste processo (evidentemente, completamente esquecidas pelos media ocidentais) – em 29 de Novembro (por sinal, o Dia Nacional da Jugoslávia) de 2005, quando, doente, foi obrigado a combater (com a ajuda de argumentos legais do ICDSM e de outros advogados internacionais) a tentativa do Tribunal para o acusarem de três graves crimes (em conjunto, desde o início do processo).
O Presidente Milosevic (não deixem de ler a transcrição completa das suas observações, mais abaixo) disse aos juizes:
"A situação presente é o resultado directo da ambição megalómana da outra parte e muito provavelmente do desejo de ter uma quantidade de material que se sobreponha a quaisquer provas graves contra mim. Quantidade em vez de qualidade. Porque os senhores não conseguem arranjar provas válidas para mentiras. E têm apoiado a outra parte por meio duma relação tolerante com eles, e a mim pedem-me para ser limitado no meu tempo . Eu sou a principal vítima por ter sido bombardeado com diversos documentos, testemunhos materiais, etc., que a parte oposta sempre teve a liberdade de apresentar com o vosso beneplácito. Acho que isto é uma forma de tortura e uma forma de cinismo atirar o peso dessa responsabilidade para cima de mim, tanto mais quando isso está ligado com o meu estado de saúde, que se tem agravado consideravelmente com a tortura a que tenho sido sujeito. E que diabo é esta organização criminosa que se está aqui a discutir? E o que é que se está exactamente a alegar? Primeiro que tudo, as pessoas que aqui estão sentadas, eu inclusive, o senhor inclusive, não temos hipóteses de saber tudo o que está referido em todos esses documentos que o Sr. Nice apresentou –um milhão de páginas, nem menos – e ninguém sabe qual é a acusação da Promotora Pública, a começar por ela própria. Ela também não sabe. Acho que até Franz Kafka acharia que não teve grande imaginação comparado com isto".
"Todo este tribunal foi concebido como um instrumento de guerra contra o meu país. Foi constituído ilegalmente com base numa decisão ilegal e imposto pelas forças que desencadearam a guerra contra o meu país. Aqui só há uma coisa que é verdade: É verdade que há uma organização criminosa, mas não tem como centro nem Belgrado nem a Jugoslávia, mas sim aqueles que, numa guerra desencadeada na Jugoslávia, a partir de 1991 em diante, destruiram a Jugoslávia".
"Quer dizer-me quem lhe paga o seu salário? Vai dizer que recebe o salário das Nações Unidas? Quem financia este tribunal, Sr. Bonomy? Quem constituiu este tribunal, Sr. Bonomy? Quem efectuou uma agressão contra o meu país, Sr. Bonomy? Os vossos países. E quem é que eu peço que se apresente aqui para testemunhar? Os vossos presidentes e primeiros-ministros. A Jugoslávia não se desintegrou nem desapareceu por um acaso qualquer, foi destruída duma forma planeada, pela força, por meio duma guerra, e essa guerra continua a ser travada, está em andamento. E um dos instrumentos dessa guerra é o vosso Tribunal ilegal".
"Permitam-me que diga desde já não tenho medo nenhum no que se refere aos vossos julgamentos e regras de capelinhas porque, se o vosso julgamento fosse segundo a lei e a verdade, então este processo nunca teria existido. Mas como temos um julgamento, este só pode acabar de uma maneira: Uma decisão da não-existência de culpa. E se não se basearem na justiça e na verdade, então o vosso poder desintegrar-se-á e rebentará como uma bola de sabão, porque o tribunal mundial e o tribunal da justiça e da verdade é mais forte do que qualquer outro tribunal. Depende de cada um de vós, e apenas de cada um de vós, meus senhores, optar e escolher qual o lugar que vão ocupar perante esse tribunal da história, e qual será a sua decisão".
Ver texto completo das declarações do Presidente Milosevic, em 29 de Novembro de 2005 em http://www.resistir.info/europa/milosevic_fev06_p.html
Publicado por: Margarida às março 11, 2006 07:50 PM
Ó Guidinha, confessa lá. Atinges o orgasmo logo ao primeiro copy-paste ou são necessários pelo menos 3?*
Publicado por: Monty às março 11, 2006 08:06 PM
Monty,3???? uma noite destas foram necessários mais de 240!!!!
Publicado por: isabel faria às março 11, 2006 08:13 PM
Daniel não posso estar de acordo contigo.
Todo o processo da ex Jugoslávia teve dois pesos e duas medidas.
Os aliados dos EUA e de certa Europa puderam cometer todos os crimes que quiseram , e foram o falecido Presidente da Croacia, o actual primeiro-ministro do Kosovo, e chefe de um bando de criminosos chamado UCK, e mais uns quantos figurões, que cometeram atrocidades de todo o tipo que o TPI não pôde ou não quer julgar.
Os sérvios mais próximos de Moscovo não tiveram semelhante sorte.
Belgrado bombardeada, lembras-te, chefes sérvios perseguidos, em suma, que moralidade pode ter o TPI para julgar alguns criminosos de crimes da ex-Jugoslávia desculpando ou mesmo ignorando outros.
Como pode a União Europeia aceitar que o chefe de um bando de criminosos o UCK possa ser o primeiro ministro do Kosovo.
Em suma não pode haver dois pesos e duas medidas.
Não pode haver responsáveis de massacres bons porque são aliados dos EUA ou da Alemanha e responsáveis de massacres maus porque procuram outro tipo de alianças.
Publicado por: a.pacheco às março 11, 2006 08:34 PM
Não andam a morrer muitos tipos lá em Haia? se calhar é melhor fazer como cá e tirar os atacadores ao pessoal.
Publicado por: sizandro às março 11, 2006 08:35 PM
Emiéle, ainda não tive tempo para ir ver mas agrada-me a ideia da Isabel dos bolos.
Isabel, não sei se damos pela morte a chegar. Se for assim no caso dele deve ter sido um alívio.
trily, é qe não acredito mesmo. O inferno é na terra.
Monty, bom ver-te por aqui. (a Isabel já respondeu ao resto)
a.pacheco, concordo inteirmente contigo, mas isso não tira um pingo da essencia da coisa. O que está mal é não se levar a julgamento os que referiste. Isso é que está mal.
Não posso ter pena de alguém que mandou matar ou é responsável por milhares de mortos.
Publicado por: Daniel Arruda às março 11, 2006 08:42 PM
Sizandro, vamos esperar pela autópsia para saber o que aconteceu.
Publicado por: Daniel Arruda às março 11, 2006 08:44 PM
Nem se entende para o que é que o Arruda quer tribunais e julgamentos, se para ele o Milosevic "mandou matar ou é responsável por milhares de mortos". Há gente que engole tudo o que alemães, norte-americanos e ingleses lhe dão para engolir. Veja lá se percebe que o único "crime" que Milosevic cometeu foi ter-se oposto ao desmantelamento do seu país, a Jugoslávia. E que o mesmo crime cometeram por exemplo o Gonzalez e o Aznar e actualmente comete o Zapatero: não permitem que o seu país se desmembre.
Publicado por: Margarida às março 11, 2006 08:52 PM
E já agora, cá vai a opinião do PCP:
Comentário do PCP à noticia da morte de Slobodan Milosevic
Nota do Gabinete de Imprensa do PCP
11 de Março de 2006
1. O anúncio da morte de Slobodan Milosevic — o ex-presidente da República da Jugoslávia que resistira às imposições dos Estados Unidos e da NATO — ocorrida nas instalações do «Tribunal de Haia» para onde havia sido ilegalmente conduzido após o bombardeamento e desmembramento da Jugoslávia, não pode deixar de suscitar as mais legítimas interrogações.
2. O desaparecimento de Milosevic, curiosamente uma semana após a notícia do «suicídio», naquele mesmo local, de um outro destacado responsável político de territórios da ex-Jugoslávia, constitui um oportuno acontecimento para todos quantos — a começar pelos Estados Unidos — desejam iludir as graves consequências do seu intervencionismo, ver enterrada a verdade sobre a guerra que ali desencadearam e a nova situação na região dos Balcãs decorrente do processo de desmembramento que ainda hoje prossegue como o revela a tentativa em curso de separação do Kosovo.
3. O falecimento de Milosevic contribuirá para que perdure o conjunto de mentiras e falsificações históricas que deram suporte à ilegítima guerra de agressão, movida pelos Estados Unidos e pela NATO na base dos mais diversos pretextos, ao processo de sequestro e entrega de Milosevic ao «Tribunal de Haia», ao desmembramento violento do Estado Jugoslavo e à criação de uma nova situação geopolítica que visou, no essencial, a criação de um conjunto de novos países e protectorados subordinados à estratégia e objectivos de dominação dos Estados Unidos e dos seus aliados naquela região.
Publicado por: Margarida às março 11, 2006 09:47 PM
O que tu Margarida necessitavas, era de conviver com alguns Croatas como eu tive a felicidade de conviver e de os ouvir...
Pessoas que tiveram a sua vida totalmente destruida, país, irmãos, sobrinhos, tios, tias até avôs e avós, pessoas que viram crianças de tenra idade serem assassinadas brutalmente, velhotes que já nem sequer se conseguiam levantar,atrocidados em prol de algum ideal estupido que nunca fez muito significado á semelhança da época nazi...
O que tu necessitavas era de dois minutos com essas pessoas, dois minutos apenas para lhes poderes ler na alma a angustia e o pesadelo que viveram, o terror porque passaram.
Não é necessário recorrer aos Croatas, os Sérvios servem perfeitamente, sabes por acaso que Sérvios fugiram do seu país apenas porque não concordavam com a forma como Slobodan Milosevic liderava o país e a guerra que existia na altura? Alguns Margarida ainda hoje não podem pisar solo Sérvio porque apesar da guerra já ter terminado ainda hoje existem alguns indefectos apoiantes de Milosevic que se puderem os matam com requintes de malvadez.
Dois minutos Margarida, dois minutos que iram parecer-te os mais longos da tua insignificante vida, e tu ainda tens a coragem de vir transcrever declarações de um homem que foi o principal cabecilha de uma "Alemanha" em menor escala.
Vergonhoso.
Publicado por: The Wolf às março 11, 2006 09:59 PM
A.Pacheco, o nosso dever era ter exigido o julgamento de todos. È exigir o julgamento de todos. Não quero ter que escolher entre a justiça de julgar Milosevic a de de julgar os criminosos do UCK. Tenho a obrigação de não esquecer nem deixar impunes os crimes de um e de outros. Se o Ocidente tem dois pesos e duas medidas ( e eu sei que tem e que teve) isso não pode servir para escamotear os crimes de que Milosevic era acusado. E por não lamentar que tenha falecido, antes de por eles ser julgado.
Não pode haver massacres bons e maus. Há massacres. Lamento que o responsável por alguns não tenha sido julgado. Lamento ainda mais que os responsáveis por outros não tenham sido julgados e estejam, hoje, no Poder.Com a complacência dos EUA e da União Europeia. Mas isso só me prova, que nós, os que julgamos que a justiça só é justiça se for igual para todos, não podemos deixar apagar a memória. Nem cruzar os braços. E para já temos a obrigação, apesar dos crimes de que era acusado e dos massacres que em seu nome se fizeram, de exigir que se saibam, as causas da sua morte.
Publicado por: isabel faria às março 11, 2006 10:50 PM
O que o Wolf diz é o que a CNN e a Sky e a BBC, e o Público, e o DN, e o Le Monde e o Libertacion, e o Finantial Times, e o Washington Post nos andam a enfiar na mona desde há séculos. E os mesmíssimos medias também nos garantiram que o Iraque tinha armas de destruição massiva. Eu até me lembro de ouvir o Secretário da Defesa do Clinton dizer que no Kosovo os sérvios tinham matado 100.000 kosovares! 100.000! E depois da NATO ter entrado no Kosovo e de por lá terem andado nem sei quantas equipas forenses de toda a Europa descobriram cerca de 2.000 corpos, enterrados separadamente, de todas as etnias, incluindo as vítimas dos bombardeamentos da NATO, isto é, não conseguiram nem uma vala comum descobrir em todo o Kosovo!
E se as coisas eram tão lineares como as põe, como é que se compreende que andassem a “julgar” o Milosevic há quatro anos e ainda não tinham descoberto nem um “smoking-gun”? Nem uma provazinha de todos os crimes de que o acusam? Em todas as guerras se cometem tremendas atrocidades. A primeira atrocidade é começar uma guerra! E foi a declaração de independência da Croácia que desencadeou a guerra civil. Aqueles povos tinham vivido 50 anos em paz, esta era a maior prova que podiam continuar a viver como país. Mas tinham de os dividir para poder vencê-los. E nessa divisão é trágico o papel da social-democracia. E agora, querem convencer a malta que o Milosevic é o único culpado? Haja decência. De facto o “crime” do Milosevic foi querer que a Jugoslávia continuasse Jugoslávia.
Publicado por: Margarida às março 11, 2006 11:22 PM
Sugiro a leitura do texto “Jugoslávia, a primeira guerra da globalização”, por Diana Johnstone, que podem encontrar em http://resistir.info/europa/cruzada_de_cegos_5.html
Diana Johnstone é uma jornalista, americana, residente em Paris.
Trabalhou para a Agence France Presse e diversas publicações, incluindo Le Monde Diplomatique.
Entre 1979 e 1989 foi correspondente europeia do semanário social-democrata de Chicago In These Times. O seu livro The Politics of Euromissiles: Europe in America's World foi publicado pela editora Verso, Londres, 1984.
De 1990 a 1996 foi adida de imprensa do Grupo Verde no Parlamento Europeu.
Este texto é extraído do capítulo 5 (O novo modelo imperial) de Cruzada de cegos: Jugoslávia, a primeira guerra da globalização , Editorial Caminho, Lisboa, 2006, 381 pgs., ISBN 972-21-1764-5.
Este texto encontra-se em http://resistir.info/ .
Publicado por: Margarida às março 12, 2006 12:54 AM
Wolf tu conviveste com croatas, eu conheci alguns Jugoslavos de etnia sérvia que me contaram por exemplo o que faziam os croatas aos sérvios nas regiões que dominavam.
Croacia Macedónia Servia Bosnia, católicos muçulmanos ortodoxos, atirados uns contra os outros por interesses de potências externas, ALEMANHA e EUA que tudo fizeram para desmembrar a ex Jugoslávia, esta foi a realidade.
O que se seguiu foi uma guerra civil com massacres , limpezas étnicas, de incrivel furor, em que os vizinhos de ontem se tornaram os carniceiros de hoje.
E aqui não houve anjinhos, não houve bons e maus, houve sim quem acirrasse diferenças religiosas, diferenças étnicas, para conseguir desmembrar o país, e assim poder controlar mais uma parte apetecida dos Balcãs.
Os sérvios etnia maioritária não foram piores nem melhores que os bósnios os croatas ou os kossovares, tiveram foi azar de não serem aliados da Alemanha nem dos EUA.
Se o fossem hoje seriam eudeusados , assim....
Publicado por: a.pacheco às março 12, 2006 01:27 AM
Nem hoje seriam endeusados Pacheco. Como não são. Hoje ainda lhes querem retirar o Montenegro e o Kosovo. O império o que quer é dividir quem não segue a preceito os seus dogmas: primeiro impõe sanções, depois demoniza e por fim ataca. Fizeram isso mesmo no Afeganistão e no Iraque e agora já o estão a fazer no Irão. Sanções, demonizações e invasões, são as receitas do império para quem não lhes obedece. Sempre. A Jugoslávia foi só a primeiro na Europa, mas já estão a afiar as garras na Bielorrússia.
Publicado por: Margarida às março 12, 2006 10:32 AM
Wolf é o um crime acreditares no que diz ou escreve a CNN e a Sky e a BBC, e o Público, e o DN, e o Le Monde e o Libertacion, e o Finantial Times, e o Washington Post, se queres ser isento na análise, lê apenas o que vem no Avante, ficas muito bem informado, tal como estavam os Jugoslavos, com a imprensa isenta do tempo da ditadura do Milosevic.
Quanto ao tribunal de Haia, é bom que nos recordemos que não é um tribunal isento, é o tribunal dos vencedores, o mesmo que está impedido de julgar crimes de guerra cometidos por soldados norte-americanos, por isso não tenho por ele nenhuma consideração especial, vale o que vale.
O principal tribunal, é da opinião publica aquele que nunca esquece, aquelas mães Croatas que choram os filhos assassinados pelos Sérvios, as mães Sérvias que choram os filhos assassinados pelos Croatas, as mães do Kosovo que choram os filhos assassinados pela minoria Sérvia, e as mães Sérvias que choram os filhos assassinados pela maioria Albanesa do Kosovo, não esquecendo aqui as mães da Bósnia etc.
A verdade, é que a Jugoslávia, tal como a União Soviética eram países artificiais, que só as ferozes ditaduras que custaram milhares (milhões de vidas) mantinham unidos.
Não tinham uma religião comum, não tinham uma língua comum, não tinham afinal nada em comum a não ser a ditadura comunista.
Com o implodir da União Soviética e das restantes ditaduras que se escondiam atrás da Cortina de Ferro, a Jugoslávia, não poderia continuar como país, como não pode continuar a Servia-Montenegro, (aqui o único interesse é o Sérvio que tem acesso ao mar através do Montenegro) e se não se começar a acautelar já uma autonomia economicamente justa para ambas as partes, qualquer dia temos aí nova guerra.
Todos os países artificialmente construídos, tem a tendência a se desintegrarem e a darem lugar a outros.
Quanto ao ditador Milosevic, é pena que tenha morrido, primeiro, porque é sempre pena que morra um ser humano, ainda por cima relativamente novo, depois, porque fica sem julgamento uma série de acusações que o tribunal dos vencedores queria provar.
Independentemente do resultado desse julgamento, vão ficar por julgar os assassinos do lado vencedor, vão ficar por julgar os assassinatos de sérvios ás mãos dos exércitos da NATO, através dos bombardeamentos de escolas, hospitais, comboios, etc., (os tais danos colaterais).
Por isso entendo que este tribunal tal como está instituído é uma palhaçada, tal como é uma palhaçada o abrir de feridas entre estes povos, espero que num futuro o mais curto possível, estes países possa integrar a União Europeia e assim passarem a fazer parte de uma Europa sem fronteiras, uma Europa dos Povos, que contribuam para uma Europa de Paz uma Europa socialmente justa.
Publicado por: augusto às março 12, 2006 01:40 PM
O Augusto ao menos teve a coragem de dizer alto o que Arrudas, Emiéles, Farias & friends pensam: “Com o implodir da União Soviética e das restantes ditaduras que se escondiam atrás da Cortina de Ferro, a Jugoslávia, não poderia continuar como país, como não pode continuar a Servia-Montenegro. (…) “a Jugoslávia, tal como a União Soviética eram países artificiais (…). Não tinham uma religião comum, não tinham uma língua comum, não tinham afinal nada em comum a não ser a ditadura comunista”.
Trocando por miúdos, o Augusto diz-nos que as tais “atrocidades” são tretas, como tretas são as acusações de limpeza étnica e que o “crime” de Milosevic afinal foram dois: quis manter a Jugoslávia e quis manter o regime socialista na Jugoslávia. E também nos explica que a integração na União Europeia é afinal a alternativa ao socialismo. E que quem não aderir a bem adere à bomba se entretanto as sanções e as demonizações não resultaram...
Publicado por: Margarida às março 12, 2006 02:14 PM
A URSS era tão artificial que neste momento deu origen à Ucrania, Letónia, Lituania,Kazaquistão, Urzebequistão,... Tal como a Checoslováquia era artificial e deu, pacificamente origem à Eslováquia e à Rep. Checa. Tal como era artificial a divisão das duas Alemanhas, tal como é neste momento o caso da Tchetchenia.
Mas há quem desconheça isso. Metade dos conflitos africanos são por causa das fronteiras traçadas a regra e esquadro. Quem não quiser compreender isso não vê a realidade.
Só uma nota: Desculpem todos por eu me recusar a defender um ditador. Talvez fosse mais de esquerda defender, em nome do combate ao papão americamo e imperial, que Milosevic foi uma vítima do sistema e que afinal era um santo. Deveria ter-me esquecido de ter ido ao Bloco de Leste em 1991 e ter visto o que vi. De ter estado em Belgrado 3 semanas antes de rebentar a guerra civil. Deveria ter-me esquecido que nasci a poucos Km do muro da vergonha que cercava a RDA e ter visto com os meus olhos a repressão da ditadura de Hoenecker.
Só uma nota 2: Desculpem-me ter defendido a independencia de timor Leste, afinal foi com o apoio dos americanos, Desculpem-me defender que os ditadores devem ser TODOS banidos, sejam de esquerda, de direita, ou do centro. Desculpem-me o facto de não defender ditaduras e de não as tolerar.
Publicado por: Daniel Arruda às março 12, 2006 02:33 PM
Só mais uma coisa, nunca mais poderei defender a independencia do povo Curdo no norte do Iraque, porque parece que a independencia faz mal.
Publicado por: Daniel Arruda às março 12, 2006 02:34 PM
Isto é: duma penada o Arruda finalmente arranjou coragem para confessar que afinal está de acordo em que se deite fora o bebé com a água do banho, que o neo-liberalismo é o fim da história e que todo esse blá-blá-blá de socialismo, liberdade, igualdade, é só isso mesmo, blá-blá-blá, pois para ele o que prevalece é a lei do mais forte, do império..e que a ONU já foi, quem manda são os USA e o seu braço armado, a NATO.
Publicado por: Margarida às março 12, 2006 03:07 PM
Daniel eu não defendo ditadores sejam eles do Paquistão de Cuba da Coreia do Norte da China .
O que tentei chamar a atenção é que o desmembramento da ex-Jugoslávia, foi manobrado por interesses que nada tinham a ver com os povos da ex-Jugoslávia.
Recordo-te que a Alemanha ao arrepio do que pensavam os restantes parceiros europeus reconheceu a Croacia quando tudo exigia a maior prudência no tratamento desse conflito e o resultado viu-se.
Lembro-te tambem que a Croacia teve durante a segunda guerra mundial a par da Hungria da Romenia uns dos mais ferozes regimes nazis aliado do Hitler.
Diz-se mesmo que este reconhecimento prematura e contra todas as regras da União Europeia seria o pagar de um reconhecimento dessa aliança, por parte da Alemanha, foi não foi , a dúvida persiste.
Tambem o papel do EUA no conflito de Timor não pode nem deve ser tratado da forma simplista como o fazes, é lógico que o Nixon que permitiu por acordo com o Suharto a invasão de Timor Leste em 75 não é o Clinton que tomou a decisão de enviar uma força para Timor Leste.
Eu nunca disse que todo o povo americano são bestas odiosas, que invadem países , destroem politicos, fazem Guantanamos e Abu Grahibs quando lhes apetece, sem consequências, sendo uma democracia os EUA têm uma opinião publica forte, o filme Boa Noite e Boa Sorte é disso um bom exemplo, e há muita gente que se opõe a estas politicas, agora o que não posso nem deixo de denunciar é atituide belicista de boa parte dos dirigentes americanos.
Por último já pensaste como reagiriam os dirigentes dos Estados Unidos se o Texas a Florida a Califórnia e o Novo México, zonas com uma cultura ,lingua e costumas diferentes do resto dos EUA e a pretexto disso amanhã resolvessem decretar a independência , seria muito instrutivo....
Publicado por: a.pacheco às março 12, 2006 07:49 PM
Arruda, claro que tens razão e que tudo aquilo era artificial, mas foi para manter a artificialidade de um "socialismo" que nunca existiu, que se criou os Gulag, que se deslocou povos inteiros das suas nações de origem para outras, que na década de oitenta se criaram os asilos psiquiátricos para os opositores, que se matou milhões no Camboja e em todos os Gulag soviéticos, que uma delegação do PCP visitou o ditador Milosevic para lhe mostrar solidariedade, já depois do mundo ter tido conhecimento das atrocidades que cometia.
Mas não podemos esquecer o passado do nosso próprio país Portugal (eu sei que tu felizmente não vivestes esse tempo +prque eras demasiado novo ou por teres nascido noutro país ecomo dizes) mas aqui o fascismo agia da mesma maneira (diferentes ditaduras as mesmas acções contra o povo), com o campo de concentração do Tarrafal, as prisões do Aljube, Peniche e Caxias, o objectivo era o mesmo, aqui como na União soviética e nos países que se diziam socialistas, afastar o povo da politica.
Do fascismo sabemos (os menos jovens talvez não) o suficiente para estar alerta, para não o deixar germinar de novo, porque mataram milhões em todo o mundo.
Mas o socialismo de vanguardas também encheu de inocentes os cemitérios, na Europa do Leste, na Ásia, na América Latina.
Noutras partes do mundo, estão também os cemitérios cheios daqueles que combatendo por um ideal que desconheciam (o tal socialismo de vanguardas) mas em que acreditavam, ou em alguns casos apenas lutando pela Liberdade, foram assassinados por burguesias ou fascismos no poder.
Por isso sou um europeísta convicto, não desta Europa que nos querem impingir, mas de uma Europa social, uma Europa que caminhe para uma sociedade mais justa, mais democrática, uma sociedade pluripartidária , em que a liberdade seja real e efectiva para todos, em que o direito ao emprego, à paz , à habitação, à saúde exista para além do papel, pois este neoliberalismo em que vivemos não é o fim da história, mas pode ter na génese que o combate, nos movimentos alternativos, nos partidos não vanguardistas ou nos fóruns, as energias e apoios necessários para a construção de uma sociedade de paz e justiça social.
Que nome terá esse sistema, não sei, não me repugna nada que se designe por socialismo, desde que seja democrático e respeite a liberdade.
Publicado por: augusto às março 12, 2006 08:30 PM
Já que falaram para aí de "atrocidades" que normalmente são trombeteados pelos HRW sai um texto com algumas questões interessantes:
“Prendam-nos Agora!”
Desde o princípio da “perestroka” membros do HRW (Jeri Laber, Joanna Weschler, Adrian DeWind) começaram a visitar frequentemente os países da Europa do Leste para coligir informação acerca das “violações dos direitos humanos”.
Prestaram atenção especial à Czechoslovakia porque o mesmíssimo US Helsinki Watch defendeu os membros da Carta 77 da Czechoslovak em 1978 que eram perseguidos pelas autoridades comunistas da época. Os resultados das suas investigações foram usadas pela Administração dos USA e pelos media de massas anti-socialistas ocidentais como um instrumento para pressionarem os Socialistas ainda leaders da Republica da Czechoslovakia.
Um membro do Advisory Committee d US Helsinki Watch e a mulher do embaixador Americano em Praga em 1982-86 Wendy Luers tiveram quase o papel principal na propaganda de doutrinas liberais e pro-Americanas na Czechoslovakia. Quando foi eleito (1990) o Presidente da Czechoslovakia, Vaclav Havel declarou na sede central em New York do Human Rights Watch: “sei muito bem o que fizeram por nós, e talvez sem vocês, a nossa revolução não existisse.”
Logo que se estabeleceu o regime pro-Americano na Czechoslovakia (no final de 1989), Wendy Luers organizou em Praga a Foundation for a Civic Society a que aderiu uma parte considerável dos intelectuais Checos que tinham assinado a Carta 77 em 1977. O dinheiro desta Foundation foi usado para financiar o Projecto sobre Justiça em Tempos de Transição com um orçamento anual de 3 milhões de US dollars. O objectivo do Projecto era “reforço da democracia, estado de direito, sociedade civil e economia de mercado”. No total, mais de 11 milhões de US dollars foram gastos pela Foundation for a Civic Society para apoiar estas actividades.
Além do “reforço da democracia e da economia de mercado” na República Checa, a Foundation for Civic Society “tem dado emprego” a “conselheiros” Americanos e Europeus ocidentais em ministérios, municípios e noutros escritórios governamentais na República Checa e na Eslovakia. Em três anos (1995-1998) o Programa Democracy Network, uma organização criada por “conselheiros” do HRW com a ajuda da United States Agency for International Development (USAID) gastou mais de 5 milhões de US dollars no “desenvolvimento e reforço de organizações-não-governamentais (ONG) na República Checa e na Eslovakia” (http://www.fcsny.org/wendy.html). É absolutamente evidente que estas actividades da HRW não têm relação directa com a sua defesa dos direitos humanos. Mas testemunham eloquentemente os verdadeiros objectivos do Human Rights Watch e os seus planos concretos para os países da Europa do Leste.
Desde o final dos anos 80, além da monitorização das violações dos direitos humanos que é comum às organizações de direitos humanos, o HRW começou a emitir Declarações onde “repreende” governos “em falta” pelo seu “mau comportamento”. Mais tarde, pelo meio dos anos 90, o HRW começou mesmo a recomendar à ONU e à NATO para punir devidamente governos faltosos. A Yugoslavia, o Estado que nem queria integrar a NATO, nem abrir as suas fronteiras à penetração incontrolada do capital financeiro das corporações transnacionais provocou um “raiva” especial no HRW e no seu principal dador George Soros.
Assim, desde o princípio dos anos 90 do século XX alguns funcionários-“investigadores” do Human Rights Watch – Fred Abrahams, Peter Bouckaert, Rachel Denber, Lotte Leicht, Benjamin Ward, Joanne Mariner e Martina Vandenberg – começaram a visitar a Bosnia, Croacia e o Kosovo regularmente para coligir informação acerca das violações dos direitos humanos durante operações militares no interior do território Yugoslavo. Esta informação foi processada e emitida como “relatórios” e “declarações” durante mais de 10 anos.
A enormíssima maioria destas publicações “condenaram” as autoridades da Servia (Presidente Radovan Karadzic) e Yugoslavia (Presidente Slobodan Milosevic) por “operações de limpeza étnica” e “genocídio” da população muçulmana e croata da Bosnia e Kosovo. O facto do HRW estar do lado dos separatistas – Croatas, Muçulmanos e Kosovares Albaneses – demonstra-se pela co-operação directa entre os leaders of HRW, o seu Advisory Committees e os separatistas Kosovares. Por exemplo, os membros do Advisory Committee da Europe e Central Asia (antigo US Helsinki Watch) Morton Abramowitz, foi um conselheiro para uma delegação de separatistas Kosovar Albaneses na negociação com a delegação Yugoslava em Rambouillet, França (January – February, 1999).
Certamente que os funcionários da HRW funcionários não podiam ignorar completamente as atrocidades dos Croatas e Muçulmanos. Mas as “estatisticas” das Declarações do HRW de 1992 a 2001 foi a seguinte: 122 declarações do HRW foram emitidas em “violações dos direitos humanos” pelo lado Servio, 9 declarações – pelo lado Croata, 4 – pelo lado Bosniaco (Muçulmanos) e 6 – pelos Kosovares (UCK/KLA). É claro porque é que a opinião pública Europeia e Americana mudou depois de confrontada com tais estatisticas. Os regimes de R. Karadzic e S. Milosevic começaram a parecer criminais, e a imprensa pro-NATO começou a compará-los com Hitler e Estaline.
Além da influência psicologica e informacional sistemática na opinião pública do Ocidente, o Human Rights Watch e o seu dador principal e ideólogo George Soros, começaram a formar infraestructuras “civis” e politicas opositoras ao regime de Milosevic. Esta estructura incluiu dúzias de ONG’s, “grupos civicos”, organizações de direitos humanos, clubs, companhias de radio e de TV, jornais e semanários. Fizeram-no para criar uma atmosfera “revolucionária” na Yugoslavia e não somente para apoiar a transição de poder sob o controlo de partidos “pro-ocidentais”, mas também para providenciar apoio a um novo regime pro-ocidental para um “estádio historico” necessário para mudanças fundamentais económicas e politicas na Yugoslavia (http://emperors-clothes.com/engl.htm#1).
No Conselho de Directores de Fundos governamentais Americanos como o National Endowment for Democracy (NED), havia membros das estruturas liderantes do HRW (o mesmo Morton Abramowitz) e também tomaram parte nesta re-organização da sociedade em larga escala iniciada no final dos anos 80. Eis as palavras do funcionário do NED Paul McCarthy: “Os programas do NED apoiaram a sobrevivência duma quantidade consideravel da imprensa livre Yugoslava e a ruína de centros chaves da media de massas controlada pelo governo... reforçando fontes influentes de informação objectiva. A ajuda providenciada pelo NED a jornais, radio e TV broadcasting companhias uma oportunidade para comprar o equipamento de impressão e o equipamento para telecomunicações necessários. Entre os que receberam as nossas dádivas estão os jornais “Nasha Borba”, “Vremja” e “Danas”, uma companhia independente de TV broadcasting “TV Negotin” no sul da Servia, a popular agencia noticiosa BETA e a rádio de Belgrado “Radio B-92”.
Isto é o Human Rights Watch, que inicialmente estabeleceu os chamados “Tribunais” para os leaders dos países “desobedientes”, Yugoslavia e Servia, em primeiro lugar – Radovan Karadzic and Slobodan Milosevic. Tal International Criminal Tribunal para a antiga Yugoslavia (ICTY) foi estabelecido em Fevereiro de 1993, e era uma violação directa do Regulamento da ONU. Três meses mais tarde o HRW emitiu um “Relatório” sobre o assassinato de cerca de 260 Croatas capturados, supostamente cometido em 20 de Novembro, 1991 por soldados Yugoslavos. O título desse relatório era extremamente significativo: “Castiguem-nos Agora! O Human Rights Publica 8 Casos para o International Criminal Tribunal da antiga Yugoslavia”. Apesar de não conter argumentos para acusar o Exército Yugoslavo com o assassínio de mais de duzentos Croatas, o prestígio da organização liderante dos direitos humanos foi suficiente para muita gente do Ocidente acreditar que todas estas acusações eram verdadeiras.
Logo depois de emitir esse Relatório o Human Rights Watch iniciou uma campanha a que chamou “Prendam-nos Agora!” contra os leaders Yugoslavos. A liderança do Human Rights Watch informou os leitores com orgulho que “combinando o trabalho com advogados, trabalhando com a imprensa e a mobilização de enormes quantidades de pessoas forçámos os governos da NATO a prender os suspeitos (marcados pelo autor) ou forçámos estes a renderem-se”.
Os DOUBLE STANDARDS do HUMAN RIGHTS WATCH
Agora o HRW tem escritórios em cidades de 9 países do mundo – New York, Washington, Los Angeles, Brussels, London, Rio de Janeiro, Moscow, Tbilisi, Dushanbe, Hong Kong. O staff tem mais de 180 pessoas e o orçamento anual da organização é de 21,715,000 US dollars. Emite regularmente as suas “Declarações” e “Relatórios” em violações dos direitos humanos em quase cada país do mundo. Mas, como Orwell escreveu, “todas as pessoas são iguais, mas algumas são mais iguais que outras”. Para determinar quem é “mais igual” para o Human Rights Watch e quem o “não é tanto”, basta examinar as estatísticas das suas Declarações e Relatórios. Isso ilumina o grau dos double standards que o HRW usa em casos diferentes e quem deve ou não deve ser sujeito ao seu criticismo. Isto pode ser usado para testemunhar a evidente parcialidade do HRW em relação a “regimes” concretos e países.
Quanto aos países da antiga URSS, o HRW emitiu 172 Declarações em violações dos direitos humanos de 1994 a 2001; 117 deles eram relativos à Rússia. Mas no mesmo período nenhum deles se relacionou com a Ukrania, 6 – diziam respeito ao Kazakstan e só 3 – ao Turkmenistan. Mesmo assim, o mesmo HRW culpou Nazarbayev e Niyazov por terem estabelecido regimes de poder pessoal, por suprimirem a liberdade de expressão, liberdade de imprensa, liberdade de reunião, por prisões de membros de partidos na oposição!
E no mesmo periodo (1994-2001) o Human Rights Watch não emitiu NENHUMA Declaração de violações dos direitos humanos dos Russos que vivem na Letónia e na Estónia. Nem uma palavra acerca da captura de igrejas Orthodoxas na Ukrania ou a prisão de activistas Cossacos Russos no Kazakstan. O que disse sobre limpeza étnica no Tadzhikistan e no Kazakhstan? Somente duas Declarações sobre o Turkmenistan continha informação sobre limitações no uso do Russo em instituições governamentais e privadas e de perseguição criminal de activistas de organizações ilegais Russas.
O que é que se passa? A resposta a estas questões nem se aproxima da esfera dos direitos humanos. Quoto Elizabeth Andersen: “Kazakstan é nosso aliado na Central Asia por causa dos seus recursos de gás e petróleo”. Não é uma citação da Conselheira do Presidente dos USA mas da Directora Executiva da delegação do Human Rights Watch da Europa e Central Asia. Consegue imaginar S. A. Kovalyov, o Presidente do “Memorial” a dizer tal frase?!
O mesmo com o Turkmenistan que tem recursos ricos de gas e petróleo; Turkmenistan recebe anualmente 150-180 milhões de dollars do Congresso e instituições governamentais dos USA. Percebe o que isto implica? Se há uma possibilidade de centenas de biliões, os direitos humanos estão fora de questão!
E que tal a defesa dos direitos humanos no Médio Oriente? Ninguém nega que o mais fora da lei e com um sistema de Estado medieval nesta região é a Arábia Saudita, onde enforcam membros de organizações na oposição em vez de apresentarem queixas contra eles e cortam cabeças em público aos que pertencem a minorias sexuais. Quantas Declarações sobre violações de direitos humanos na Saudi Arabia pensam que foram emitidas pelo Human Rights Watch durante o mesmo período de oito anos (1994-2001)? Somente oito. Tente comparar este número com o número de Declarações sobre violações de direitos humanos pelas autoridades Servias.
As direcções do Human Rights Watch no conflito Israeli-Palestiniano é típico: cada ano aproximadamente um número igual de Declarações de violações dos direitos humanos por Israel ou Palestina é emitido. Israel foi “culpada” por 32 vezes, a Palestine – por 33. Mas esta “equalização no pecado” não salvou o HRW de acusações de não objectividade e preconceito dos dois lados do conflito.
A maneira como o Human Rights Watch “informou” os leitores ocidentais acerca dos eventos na Chechenya: durante o periodo das operações militares de Setembro, 30, 1999 a Abril, 16, 2000, o HRW emitiu 41 Declarações sobre violações de direitos humanos na Chechenya. O lado Russo do conflito foi condenado por 38 declarações, o “Ichkerian” (“os combatentes Chechenos”, nos termos do HRW) – por uma (!) Declaração; ambos os lados foram condenados por duas Declarações. Desse modo, de acordo com a “informação” do HRW, o exército Russo, OMON (esquadrões especiais da policia squads) etc. violaram os direitos humanos 13 vezes mais frequentemente do que os “lutadores” de Basaev-Maskhadov-Abu Walid! Tomando em consideração que antes da segunda campanha Chechena o lado “Russo” do conflito foi condenada por activistas do HRW 19 vezes e os “Chechenos” – somente uma, quem no Ocidente pode duvidar da política colonial e “atroz” da Russia relativa à “nação Chechena amante da liberdade”?
Actividades extremamente publicisticas do HRW na véspera da agressão dos USA contra o Iraque é uma ilustração do interesse dos HRW neste conflito. Uma das tarefas escondidas desta agressão é eliminar a ameaça potencial para Israel do regime de Saddam Hussein. Assim, vários meses antes do começo das operações militares o Human Rights Watch iniciou uma série de Relatórios e Declarações em violações dos direitos humanos no Iraque... 10 e mesmo 15 anos antes, incluindo o uso de armas químicas pelo regime de Hussein contra os separatistas Kurdos em 1987. É evidente o objectivo destas publicações: mostrar ao mundo os horrores do governo de Saddam e através disto reduzir a esperada reacção negativa à agressão dos USA contra a República Iraquiana. Mas para não levantar a suspeita do HRW de solidariedade com a Administração Bush o Human Rights Watch preferiu não declarar qual a sua posição na guerra do Iraque.(...)
"http://www.global-elite.org/elitewiki/index.php?title=Human_Rights_Watch"
Publicado por: Margarida às março 12, 2006 09:21 PM
tentei publicar aqui um texto sobre o Human Rights Watch e saíu-me este comentário:
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Espero que expliquem se de facto instituíram a censura logo agora que morreu o que vocês dizem ter sido um "ditador"...
Publicado por: Margarida às março 12, 2006 09:24 PM
pacheco, não posso discordar de nada do que escreveste, mas devo fazer uma pergunta:
Isso de alguma forma altera o facto de Milosevic ter sido um ditador, de ter contribuido para o genocidio de povos e de ter subjugado pelas armas um desejo legítimo de povos de serem independentes?
Quanto aos EUA se os povos o quisessem seria defensavel, não acho no entanto que seja o exemplo mais feliz dado que os EUA são um país de vários estados independentes, com leis independentes unidos por uma bandeira e uma constituição. Na realidade eles são indeoendentes uns dos outros.
Augusto, por isso é que eu disse que não gosto de ditadores sejam eles de esquerda ou direita. Para mim são iguais. Como sabes não sou comunista, sou socialista. Pelos vistos há quem ache que a esquerda é a preto e branco. Ou se é comunista ou és de direita. Eu tb sou europeista convicto, e tb não sou desta europa que nos querem impingir.
Publicado por: Daniel Arruda às março 12, 2006 11:17 PM
"os EUA são um país de vários estados independentes, com leis independentes unidos por uma bandeira e uma constituição. Na realidade eles são indeoendentes uns dos outros." Isto escreveu o Arruda! É difícil escrever tanta asneira com tão poucas palavras! Espero que não tenha a ideia de apagar daqui esta anedota, que merece ficar para memória futura! Mas que tal matricular-se num qualquer curso nocturno? Precisado, está!
Publicado por: Margarida às março 13, 2006 01:30 PM
"O que o Wolf diz é o que a CNN e a Sky e a BBC, e o Público, e o DN, e o Le Monde e o Libertacion, e o Finantial Times, e o Washington Post nos andam a enfiar na mona desde há séculos."
Ès perita a deturpar palavras rapariga mas o que vale é que já ninguem vai na tua conversa.
Não digo o que todas essas fontes de informação dizem, eu refiro-me a confissões de corpo e alma, afirmações de pessoas com quem convivi, e essas são as tais pessoas que tu necessitavas de conviver com...
Fossem os Sérvios, os Croatas, os Albaneses, fosse quem fosse que provocou esta estupida guerra, eu sei o que ouvi, eu vi nos olhos das pessoas terror só de lembrar esses tempos e não me refiro só a um lado da barricada, refiro-me aos dois.
Acho que o Troll Urbano deveria fazer uma recolha de assinaturas para enviarmos para o Vaticano a pedir a beatificação do Milosevic.
Publicado por: The Wolf às março 13, 2006 09:05 PM
Grande ideia Wolf, tratas tu disso?????
Publicado por: Daniel Arruda às março 13, 2006 09:13 PM
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Publicado por: funny ringtones às setembro 10, 2006 12:50 PM