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março 11, 2006

Momentos

Por:Isabel Faria

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Algumas vezes, o número de coisas que fazemos num curto espaço de tempo é directamente proporcional ao frio…
Desde as oito, fiz um comunicado da CT, para entregar na Segunda-Feira. Um abaixo assinado, para distribuir na Segunda-Feira. Escrevi uma quantidade de Emails que tinha em atraso e dos quais preciso para coisas a começar na Segunda-Feira, arrumei as gavetas da cómoda, pensei que seria uma boa ideia jantar e fiz o jantar, mudei cinco vezes de CD, sem deixar nenhum acabar, ajeitei a cozinha e mudei a disposição das almofadas do sofá…mas não passou.
É um frio persistente. Não acontece muitas vezes, mas quando acontece custa a passar. E a suportar. Vem de outras eras. De outros mundos. Entra pelas frechas e não o sei evitar. Às vezes, tem causas próximas, palpáveis. Outras, nem por isso. É como se fosse o resultado de coisas que não se fazem, de palavras que não se dizem, de faltas que se sentem, de sorrisos que tardam. De Verões que se afastam. De momentos e lugares que perdemos. De forças que se têm que encontrar e não se faz ideia onde as procurar.
Algumas vezes, sente-se o frio invadir-nos. Acontece quando não entendemos. Quando nos custa a aceitar que as coisas mudam. Que os filhos crescem. Que o tempo não tem sempre o mesmo peso. Que a distância também não.
Quando o frio aperta, o silêncio, por momentos, pesa. Não porque não saibamos que as vozes voltarão, mas porque nos enche de nostalgia das que nunca vão voltar. Ou que nunca vão voltar da mesma forma. Fui feita para viver no Verão. Não suporto o frio. Não entendo, portanto, porque nunca arranjei as frechas das janelas.

Publicado por Troll Urbano às março 11, 2006 10:26 PM

Comentários

Isabel, vejo que escreveste isto ontem e só hoje o leio, desculpa este silêncio.
Claro que se dissesse que o frio era transitório, ias pensar que digo isto porque não entendi nada. Mas vou arriscar: vem aí a Primavera, (dizem que a 21 de Março ) a vida é mesmo assim como tu sabes muito bem. Há ciclos, maiores ou menores, onde tudo parece conjugar-se para nos fazer sentir frio, de que também não gosto nada. E às vezes até nos parece que voltou a era dos glaciares. Parece.
Não é, minha amiga. É mesmo uma conjugação de ventos que muitas vezes se desencadeiam todos ao mesmo tempo. Também assobiam aqui, perto das minhas janelas, sabes? Entendo-te muito bem, mas tenho a certeza dessa vinda do calor da Primavera com mais luz e dias maiores. Olha, 21 até é o meu dia de São Ordenado!
:)
Um abraço

Publicado por: Emiéle às março 12, 2006 09:11 AM

Pois é amiga, eu sei. Que passa e sei qua a Primavera está mesmo, mesmo a começar. Mas ultimamente, de vez em quando, tenho dado comigo a sentir esse frio. Acho que são muitas coisas ao mesmo tempo. Não são coisas graves, mas são tantas que ocupam espaço...e não há janela que resista.
Mas hoje faz Sol. Vou dar uma volta e ver o Tejo. Costuma aquecer.

Ah, pois, o dia de S.Ordenado, também ajudava a melhorar o estado do tempo, sim...mas o meu é depois do teu. Preciso de manter o casaco por mais uns dias.:)

Publicado por: isabel faria às março 12, 2006 12:54 PM

Isso mesmo. O Tejo e o Sol, ajudam um niquinho. Cá está uma coisa boa ( penso que se vivesse nas brumas de alguns países, mesmo bem desenvolvidos e tudo, sem sol nem mar azul, me ia sentir ainda pior ás vezes) e esta coisa boa continua para além do frio interior. Olha que também é Domingo, um dia inteirinho para nós. É de aproveitar...

Publicado por: Emiéle às março 12, 2006 01:14 PM