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abril 27, 2006
A minha folha verde
Por:Isabel Faria

Não deverá nada no Mundo mais parecido com as plantas que os sentimentos.
Se não se regarem morrem. Não creio mesmo que morram de falta de água. Muito antes de não resistirem à seca, morrem mesmo é de tristeza. Se não fizermos um gesto a um amigo, para dizer estou aqui...de mansinho, sem que ele espere, sem que ele nos tenha mesmo, algum dia, mostrado que precisa do gesto, a amizade fica cada dia mais triste. E um dia, psss, vai-se.
Se não dissermos um quero-te a quem queremos, nada nos vale pensar que quem queremos percebe....perceber não rega. E o amor começa a ficar pequenininho e pálidozito de tristeza.
Sempre achei que o sentimento que mais precisa de água, não sei o equivalente em plantas, porque a botãncia nunca foi o meu forte, é a confiança. Até porque a confiança é um sentimento...muito democrático. Não há paixão, amizade, amor que resista à falta de confiança.
Eu acho até que a falta de confiança poder-se-ia comparar àqueles bichitos feios e pretos que existem nas folhas lindas das plantas e que as vão roendo, roendo...até que as matam.
Por momentos, atrasamo-nos a regar a plantita, o bichito matreiro chega e há uma noite em que lá fica a folha mais verde e mais bonita com um buracão feio e amarelo...mas de manhã, passa. Se estivermos disponíveis para a regar...e não deixarmos passar tempo...
Este post, é, assim, como uma maneira de dizer que a plantinha foi mais uma vez regada. E que não há nada mais gratificante do que confiar em alguém. Ah...e que perder a confiança é das coisas mais tristes que nos devem acontecer na vida...já a perdi algumas vezes. Fico sempre com um buraco feio, amarelo e enorme, num lugar qualquer que deve corresponder à minha folha mais verde e mais bonita.
De vez em quando ter um Blog dá-nos direito a usá-lo para enviar recados...aos amigos, aos amores, às paixões. Confio. A folha está verdita...dá para ver a olho nu.
Já depois de acabar de escrever este post, lembrei-me que deveria haver, nos sentimentos, assim o equivalente a esta foto destas folhas. Assim, mais forte que confiança. Que não acontece sempre, que só acontece quando o orvalho da manhã, um dia, sem que se espere, nos invade os dias e a vida. Uma folha verde, salpicada pelas gotitas do orvalho, deve ser, nas nossas folhas-sentimentos, cumplicidade. Nem sempre há orvalho...por isso deve ser tão dificil de alcançar. Tão doloroso de perder. Tão gratificante de manter.
A folhita com as gotinhas de orvalho, a cumplicidade em linguagem de sentimentos, dá-me a certeza que hoje, entre toda a gente que por aqui possa eventualmente passar, há alguém, que diz que raramente passa, que saberá que este post lhe é dirigido.. Desculpem usar o Troll...mas há coisas que têm que ser ditas. No momento certo. Sob pena de fazerem buracos grandes, amarelos e feios. Na alma.
Publicado por Troll Urbano às abril 27, 2006 01:03 PM
Comentários
Calculo que quem ler este post já o saberia. Não te estou a ver a esconder esses sentimentos. Há pessoas muito sortudas por ouvirem, ou lerem, estas coisas.
Publicado por: Daniel Arruda às abril 27, 2006 02:34 PM
Zabelinha,
também enfio a carapuça: não temos falado muito ultimamente, ando a trabalhar demasiado e a dedicar pouco tempo aos amigos blogueiros. Mas considera-te regada :)!!
Publicado por: gibel às abril 27, 2006 03:10 PM
Um blog também serve para estes recados :)
Publicado por: Mário às abril 27, 2006 03:10 PM
Zabelinha,
também enfio a carapuça: não temos falado muito ultimamente, ando a trabalhar demasiado e a dedicar pouco tempo aos amigos blogueiros. Mas considera-te regada :)!!
Publicado por: gibel às abril 27, 2006 03:10 PM
Um blog também serve para estes recados :)
Publicado por: Mário às abril 27, 2006 03:13 PM
Sim, Daniel, creio que esse é um defeito ou uma qualidade. Nunca consigo esconder sentimentos. Nunca...já me tem dado alguns dissabores, mas também muitos prazeres.
Quanto a essa dos sortudos...é porque és meu amigo. Só pode. Mas mesmo assim, obrigado :)))
Pois é Gibel, a nossa árvorezita tem andado com uma certa falta de água...até diria que anda com falta de uma imperialzita:))))) Masok, vou fazer de conta que me considero regada...com esse comentariozito. Eu não sou muito exigente...
Mário, eu faço-o servir...mesmo à revelia.:))
Publicado por: isabel faria às abril 27, 2006 04:28 PM
Obrigada,Isabel!
Publicado por: méri às abril 27, 2006 06:24 PM
Obrigada,Isabel!
Publicado por: méri às abril 27, 2006 06:31 PM
(vamos ver se o meu comentário não entra também com eco..)
Linda metáfora Isabel, e sabes que são o meu fraquinho. Pelo-me por uma boa metáfora! E também gosto muito de verde - é o meu mar, o meu repouso - talvez por ser vivo, nascer, crescer e poder morrer se não tiver cuidados. A minha "amizade" também deve ser verde, sim. A confiança é que não sei que cor teria, mas tinha de ser uma côr quente, sabes. Porque a confiança aquece-nos por dentro, ajuda-nos quando se vê tudo a balançar e parece estarmos a perder o pé. Importante, uma e a outra complementam-se.
Publicado por: Emiéle às abril 27, 2006 10:58 PM
"Dos ventos, os de Sagres...qualquer falésia me serviria para partir, em pensamento com a alma a reboque e o corpo deixado ao doce sabor de erosão. Sempre que abria os olhos, raramente percebia quanto tempo, mas o vento sempre me ajudou a voltar..."P do J.
Dos verdes, se estiver escuro, janelas e portas fechadas, quero os silvestres, pela liberdade, por não terem medo de nascer e morrer ao vento.
É, como sempre, muito bom, ler-te.
Publicado por: Grilo da Idanha às abril 28, 2006 10:04 AM
Obrigado, Émièle.
Grilo, se for tão bom ler-me como, para mim, ter-te aqui...então, é mesmo muito bom. Sim, os silvestres os que não t~em medo de nascer e morer ao vento, também são os que prefiro.
Publicado por: isabel faria às abril 28, 2006 11:38 AM