« Eu aplaudo | Entrada | O Troll com Abril - XV »
abril 21, 2006
A violência
Por:Isabel Faria
Não é um bom dia para escrever um post a sério. Mas também não seria capaz de escrever um dos outros. Este é um assunto que já aqui por mais que uma vez aflorei. Que me lembre quando dos cartoons de Maomé, quando do assassinato do Porto e quando do recente acórdão do Supremo Tribunal sobre a funcionária acusada de
maltratar uma criança deficiente.A propósito dos acontecimentos de ontem na minha Freguesia, vou voltar a ele.
Não me importo minimamente se é uma posição de Esquerda ou não. Sou, por principio e em principio, contra a “descriminação positiva”. Aliás, só entendo este conceito se se pretender aplicá-lo a pessoas com qualquer tipo de deficiência, que têm, portanto, direito a cuidados e condições especiais.
Sempre achei muito próximo, demasiado próximo, o conceito de descriminação positiva e o de paternalismo. E o paternalismo nunca foi um bom paliativo para nenhum mal da humanidade. Com paternalismo não se cresce, não se aprende, não se dignifica, não se luta. Se passarmos a vida a agarrar os nossos filhos com medo que caiam nunca aprenderão a andar sozinhos. A nossa função de pais é criar-lhes condições para caírem “em segurança”. O resto tem que ficar por conta deles.
A única forma de combater o racismo é recusar a descriminação, seja ela qual for, exigir que todos os homens sejam tratados como homens, não admitir a intolerância, não admitir o preconceito. Nem pactuar com eles. E tão preconceituoso é aquele que tenta associar um crime como o de ontem à cor da pele, como o que pretende “desculpar” um crime como o de ontem pela cor da pele.
È, para mim, tão inaceitável entender um crime como o de ontem, pela situação de “racismo” que supostamente alguém é vitima, como inaceitável entender quem vocifera contra os imigrantes porque um crime como o de ontem foi cometido.
Há diariamente dezenas de crimes cometidos por brancos, pretos, amarelos, homens e mulheres. Todos eles, possivelmente, terão uma “razão”. O marido que chega a casa e agride a mulher porque foi humilhado pelo patrão, a mãe que maltrata a filha, porque não tem dinheiro para comer nem onde o procurar, os jovens sem futuro e sem presente que matam alguém “diferente” e mais desgraçado do que eles, o imigrante que diariamente, sente na pele o ser olhado de forma diferente., como intruso, com intolerância e com desdém, às vezes com rancor, e que comete um crime em nome dessa agressões que sente sofrer.
A luta pela dignificação do ser humano não passa pela desculpabilização doa actos “não humanos” que se cometem.
A luta pela Justiça passa por exigir que a Justiça trate todos como cidadãos com os mesmos direitos e os mesmos deveres. A luta pela igualdade passa pela luta para que todos tenham acesso às mesmas oportunidades, a luta contra a intolerância passa por ser intransigente com a intolerância.
Está um cidadão à beira da morte e mais dois gravemente feridos. Foi morto um transsexual nas ruas do Porto. Num caso sabe-se que o culpado é um homem com uma vida dura de luta pela sobrevivência da sua família, longe da sua terra. No outro sabe-se que os culpados foram jovens adolescentes sem família nem afectos, criados numa Instituição Social. Em qualquer dos casos as vitimas não são os causadores nem os responsáveis pelas situações de vida dos culpados. Em nome dessas situações, não podemos desculpabilizar os culpados, nem culpabilizar as vítimas.
Nestes casos não há dois lados. Ou, melhor há. Só que um dos lados somos nós próprios. Os que, cruzamos os braços e, de vez em quando, fazemos uma qualquer contrição de fé. Em que teimamos encontrar Deuses e Diabos. Como se ao homem, para não agir como ser humano, não bastasse, ser homem.
A violência que grassa nos nossos dias é o resultado da instabilidade, da falta de futuro, da ausência de sonhos, do desemprego, da fome. Os responsáveis pela instabilidade, pela ausência de sonhos, pelo desemprego e pela fome, não são as vítimas inocentes dessa violência. Se não tivermos sempre esta verdade presente nos nossos espíritos, arriscar-nos-emos sempre a desculpabilizar crimes e a não culpar criminosos. Os que cometem a violência gratuita e os responsáveis que provocam a violência organizada e institucional.
A luta contra o racismo passa por entender, por lutar para que a cor da pele não retire direitos. Nem justifique crimes. E são assustadoramente reaccionárias as posições que teimam em "aceitar" e "compreender" uns ou outros
Publicado por Troll Urbano às abril 21, 2006 10:25 PM
Comentários
Parabens Isabel, claro, isto tambem é ser de esquerda, não pactuar com crimes, nem desculpa´-los.
O politicamente correcto não é para aqui chamado, e porque sempre tratei ao longo da minha vida os homens e mulheres que conheci, pelo seu caracter, pela sua honradez , e nunca pela sua etnia, que não dou nenhuma atenuante ao criminoso que praticou o acto na tua junta de Freguesia.
E o paternalismo, é para mim a forma mais insidiosa e repugnante de racismo e de menorização do outro.
Publicado por: a.pacheco às abril 21, 2006 10:58 PM
1 - “Considero muito positivas as iniciativas do Bloco e do PS (…), para legislar sobre a Paridade” escreveu num post (Paridade) em 7 de Março a Faria. Agora um mês e meio depois escreve “sou contra a “discriminação positiva”…
2 - Tal como o Pacheco, também a Faria tem feito a ligação deste crime ao racismo. Escreveu ele: (…) “O criminoso era jardineiro da Junta, pessoa que dizem conflituosa, mas para mal dos nossos pecados, senegalês apesar de totalmente legal. A direita vai aproveitar o facto, para mais uma vez fazer campanha racista (…)” (20 abril 10.02 PM)
A que a Faria respondeu: “Eu sei (…) Quanto a essa questão que afloras (…) sei que tens razão (…).”
E hoje, 21 de Abril começa por dizer“(…) E que este (julgamento) seja feito (…) Pelos Tribunais. Não (…) por quem se vai querer aproveitar dos acontecimento para mais uma cruzada racista” (10.52 AM)
“(…) Nunca houve da parte da D. Clara nem do Presidente qualquer tipo de agressões de carácter racista” (…). Cabe-nos a nós impedir que um acto de loucura tenha aproveitamento político e racista (…)” (11.50 AM)
“(…) Quanto ao aproveitamento racista (…) seguramento que poderão acontecer (…)” (12.52 PM)
E hoje acaba a Faria com este post onde traz à colação os “cartoons de Maomé”, teoriza que “a única forma de combater o racismo é recusar a descriminação” e que “é tão preconceituoso é aquele que tenta associar um crime como o de ontem à cor da pele, como o que pretende “desculpar” um crime como o de ontem pela cor da pele”, fala do “crime como o de ontem, pela situação de “racismo” que supostamente alguém é vitima” e de “as vitimas não são os causadores nem os responsáveis pelas situações de vida dos culpados”, e conclui doutoral que “a luta contra o racismo passa por entender, por lutar para que a cor da pele não retire direitos. Nem justifique crimes”!!!
3 – Isto é nesta nova cruzada, de tão obcecada, a Faria nem sequer reparou que as únicas pessoas que falaram de racismo e da cor da pele foram ela e o seu amigo Pacheco! Eu nem uma única vez mencionei sequer esses vocábulos. Ela e o Pacheco é que estão preocupados com o tema – aliás, ela não só nem fez qualquer reparo às barbaridades das afirmações do Pacheco, como até lhe deu razão!
4 – Torno a repetir: deixem a polícia e o Tribunal trabalhar sem pressões. Sejam sensatos.
Publicado por: Margarida às abril 22, 2006 12:06 AM
É interessante Isabel que voltamos a pegar no mesmo tema embora, desta vez, de modos muito diferentes. Creio que a minha formação e experiência profissional se impôs à visão mais política do tema que foi a tua. Sinto que ainda bem, até porque se completam afinal...
Mas no fundo no que estamos de acordo é no erro da "discriminação positiva". Porquê? Para quê?
Publicado por: Emiéle às abril 22, 2006 08:51 AM
Porquê, para quê a "discriminação positiva", Emiéle? Está na cara que é para justificar a retirada de direitos universais (para todos), não está?
Publicado por: Margarida às abril 22, 2006 09:30 AM
Obrigado, A.Pacheco.
Como escrevi não faço ideia se é politicamente correcto, dizer claramente que, num Estado de Direito, quem comete crimes tem que pagar por eles. Essa é a minha posição. E manter-se-á a minha posição.
E sabes, A.Pacheco, no fundo, eu creio que só não vê quem não quer a que leva esse paternalismo. Quem resume a vida, o que se passa lá fora, ao que é escrito num Blog. Quem não sai das sedes partidárias, quam não entra nas empresas, quem não anda de autocarro, nem toma a bica no café do bairro.
èMiéle, só agora vi o teu post Ontem apesar de uma necessidade de escrever algo, como forma de ocupar o tempo e não pensar em nada de concreo,de próximo, do que se estava a passar mesmo aqui ao lado, quase não vagueei por aí. Li agora. E tens razão. Mais uma vez nos "completamos".
E mantenho a pergunta que tu fazes??? O meu filho não teria aprendido a ser homem, se não o tivesse ensinado a andar em vez de andar com ele ao colo...esta é a parte não politica. Assim como o teu post.
Mas sabes, eu acho que o problema maior é que não se sabe exactamente do que se fala. E basta leres esta caixa de comentários...
Publicado por: isabel faria às abril 22, 2006 10:16 AM
Sempre a fugir à questão que está a ser discutida, sempre numa cavalgada insensata, sempre na má-fé, não é Faria?
Publicado por: Margarida às abril 22, 2006 11:33 AM
Isabel, Os cães ladras (cadelas, neste caso) e a caravana passa. Deve ser da azia. Manda-a cagar.
Publicado por: Daniel Arruda às abril 22, 2006 12:38 PM
Isabel: Grande post. Subscrevo por inteiro, sem retirar nem pôr nada. Parabens pela lucidez, tb não esperava outra coisa.
Publicado por: Fernando às abril 22, 2006 01:08 PM
Isto sim é que são argumentos Arruda! "Manda-a cagar"??? Profundo, sem dúvida!
Publicado por: Margarida às abril 22, 2006 02:21 PM
Daniel, já nem a isso me darei ao trabalho. Avisei a margarida ali em baixo. Pelo menos até que recupere completamente a calma,naõ gastarei um minuto sequer da minha vida a responder-lhe...acabei de chegar do hospital, amigo. Entras nas enfermarias e v~es a curta distãncia entre a vida e a morte...e não te podes, não tens o direito de perder tempo.
Fernado, obrigado.
Publicado por: isabel faria às abril 22, 2006 02:30 PM
Maggy, como não falei em nomes vejo com agrado que a carapuça te serviu.
Vai morrer longe.
Publicado por: Daniel Arruda às abril 22, 2006 04:06 PM
De facto a inteligência não é o forte do Arruda.
Publicado por: Margarida às abril 22, 2006 04:26 PM
Não tu é que és inteligente. Tem se visto.
Posso te pedir um favor. Traz mais 2 ou 3 amigos inteligentes como tu porque me faltam alguns cromos para encher a caderneta.
Publicado por: Daniel Arruda às abril 22, 2006 07:06 PM
Nem a inteligência nem a elegância é o forte do Arruda.
Publicado por: Margarida às abril 22, 2006 10:20 PM
Engraçado constactar que existem coisas que não mudam, depois de tanto tempo afastado deste cantinho que tanto adoro pude verificar com os meus própios olhos que a nossa já enfadonha interna do PCP por cá continua com todas as suas palavras a saltar-lhe e a brotar-lhe das veias como se de poesia se tratasse.
Pude ainda verificar que muitas "caras" novas por aqui andam o que muito se satisfaz, e pude reparar também que até estas novas caras já conhecem a nossa cruz.
Por vezes dou comigo a pensar que realmente tenho aqui juntamente com os meus carissimos colegas Trolistas um lugar muito especial mesmo pois de outra maneira não seria de espectar que tal figura tão pessonha ainda por aqui andasse, fico ainda cada vez mais convicto das preferencias sexuais da nossa querida interna do PCP, sadomasoquismo, só assim se consegue explicar como se leva tanta "porrada" e se continua a gostar, bom, ao menos sexualmente andas satisfeita rapariga, que o Troll Urbano te sirva de verdadeiros orgasmos nem que sejam de dor.
Entretanto deixa-me aconselhar-te um chicote, podes comprar um em qualquer uma das sexshop espalhadas por esse país, entretanto, se necessitares de ajuda para te chicotear acredito piamente que não terás dificuldade em arranjar um voluntário/a aqui no Troll.
Publicado por: The Wolf às abril 24, 2006 11:20 PM
Que dizer a este saudoso dos tempos antes do 25 de Abril? Que se inscreva num curso nocturno para ver se safa o seu português. É que nem competência tem na escrita este saudosista do fascismo. Vá aprender português, se tiver ao menos capacidade para tal pode ser que depois aprenda a raciocinar…
Publicado por: Margarida às abril 25, 2006 11:35 AM
Finalmente, finalmente guidinha...deixa lá, fica descansada que eu não digo a ninguem das tuas preferências sexuais, prometo.
Publicado por: The Wolf às abril 25, 2006 04:29 PM