« Um fim á imagem da carreira | Entrada | Bom dia »
abril 26, 2006
Esperar pela paz
Por:Isabel Faria
Este é um caso que todos conhecem, mas poderá ser qualquer um. Em qualquer lugar. Em Portugal e em 2006
Quando se perde um ente querido, deverá ser premente a necessidade de começar o luto. Há passos que se têm que dar. Os conhecidos que chegam, as palavras de conforto, sempre repetidas por quem nos quer bem mas que a cada vez que se repetem recomeçam e avivam o sofrimento, a necessidade de se procurar réstias de razão para fazer os preparativos, para marcar as datas para a partida, a preparação para o último momento, o da despedida definitiva. E, po fim, a partida.
Creio, pelo que me têm contado familiares e amigos muito próximos, que só então, quando o corpo daquele que amamos, finalmente descansa, podemos verdadeiramente começar a fazer o luto.
Para alguém que perde um amigo é dolorosa esta espera. Até porque, por menos crentes no que quer que seja que sejamos, não conseguimos nunca perder a sensação de que, para quem vai, ainda não acabou o sofrimento…mesmo quando a razão nos diz que já não sofre…para alguém que perde um familiar chegado, para um filho, uma esposa, um irmão, uma mãe, a espera de que haja espaço e técnicos para liberar o corpo deverá ser sempre e ainda a continuação da angústia. Como se duma forma sádica nos obrigassem a esperar por um qualquer momento de alguma paz. Será esta tarde. Afinal, atrasou-se…talvez amanhã…tem que ter paciência
Em 2006, em Lisboa, num dos melhores hospitais do País, estar três dias à espera de, finalmente, poder concluir a viagem, parece impossível. Mas não é. Entretanto a dor de quem sabe que perdeu alguém, mas sente que ainda não se pode tentar adaptar à perda, porque há ainda os últimos passos do percurso para percorrer, é duma extrema violência.
È normal, dizem todos. Acontece sempre assim. Acrscentam Há, portanto, milhares de pessoas que diariamente, têm que esperar por uma vaga para uma autópsia, para tentar recomeçar a viver. Aqueles que sofreram uma perda e que precisam da despedida definitiva para ousar reiniciar os primeiros passos.
Triste Pais, que nem depois de mortos nos trata com a dignidade que tantas vezes nos nega em vida.
Publicado por Troll Urbano às abril 26, 2006 09:43 PM
Comentários
Apenas um beijo Isabel...
Publicado por: Nina às abril 26, 2006 09:57 PM
realise o sonho
Publicado por: zaratrusta às abril 26, 2006 10:54 PM
Isabel, sem cunhas nada feito. E este era um caso em que a causa da morte era sobejamente conhecido. Imagina os que são dúbios.
Publicado por: Daniel Arruda às abril 27, 2006 01:17 AM
Acabo de ler a notícia no Público, o que veio complementar o teu "escrito".
O Povo português, tem no estado, um monstro que nos devora vivos e mortos.
Só posso manifestar-te a minha solidariedade e protestar veementemente por mais esta indignidade.
Um Abraço
Publicado por: José Palmeiro às abril 27, 2006 11:28 AM