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abril 24, 2006
O meu 25 de Abril
Por: Daniel Arruda
Faz hoje, a esta hora, mais coisa, menos coisa 32 anos que o meu pai foi preso. Nada teve a ver com o 25 de Abril, embora o último episódio desta odisseia o tivesse anunciado.
No dia 24 da Abril de 1974 o Sporting jogava em Magdeburgo, na RDA, para a Taça das Taças. O meu pai apesar de ser benfiquista fervoroso foi imbuido do espírito de imigrante apoiar a equipa Portuguesa que ia jogar mesmo ali ao lado. A menos de 400 Km. Como moravamos perto da fronteira da RFA com a RDA era um saltito e nem precisavam de dormida. Parece que chegados à fronteira os guardas fronteiriços os informaram que para entrar na RDA era precso um visto que poderia ser comprado na fronteira a menos que fossem em transito para Berlim Ocidental pois nesse caso não seria preciso visto. Dado o preço do documento e como o meu pai e os amigos não pretendiam ficar lá a dormir optaram por dizer que iam para Berlim. Mais á frente logo fariam o desvio para Magdeburgo. Escusado dizer que a STASI (polícia política alemã) não brincava em serviço e quando os 4 amigos chegaram ao estádio prontinhos para entrar foram abordados pela polícia que lhes perguntou pelos vistos. De nada valeu dizerem que iam para Berlim quando ouviram na rádio dizer que jogava ali o Sporting e que eles como portugueses aproveitaram para ver o jogo. Passear na RDA sem autorização não era permitido dizia o Polícia.
Passaram a noite na esquadra e quando acabou o jogo, perto das 22 Horas foram libertados e escoltados até à fronteira. Chegados aí um políca da RDA apenas lhes disse. Agora vão para casa e oiçam as notícias da vossa terra. Amanhã terão boas notícias.
Não foi preciso esperar por de manhã. Ás 4 da manhã o telefone tocou. Era o meu padrinho a dizer que o país ia ser libertado. O movimento estava na rua.
Publicado por Troll Urbano às abril 24, 2006 07:10 PM
Comentários
E na na RFA era permitido passear sem autorização? Ou nos USA? Ou na Inglaterra? Ou em França? Ou em Espanha? Ou na Itália? Ou na Noruega? Ou em qualquer país em 1974?
Publicado por: Margarida às abril 24, 2006 08:32 PM
Curioso o facto do polícia lhes ter dado a entender que alguma coisa se iria passar, eles já sabiam, qual seria a ligação que os outros países teriam? O governo já sabia que algo estaria para acontecer qualquer coisa, mas pelo que julgo saber não saberiam datas não é assim?
Já agora Daniel, o motivo do teu pai era bom ;p
Publicado por: Farpas às abril 24, 2006 08:49 PM
Daniel, não faço ideia o que fazia a esta hora, há 32 anos...é pena que o teu pai e os amigos não tenham podido ver o jogo...mas tenho a certeza qeu umas horas depois esquceram tudo isso!!! E fizeram a festa!!!
Publicado por: isabel faria às abril 24, 2006 09:14 PM
Quando o telefone tocou lá em casa (mas em Lisboa) também foi o meu padrinho a avisar. Pena a má experiência a antecipar a boa.
Publicado por: Trilby às abril 24, 2006 11:53 PM
Farpas, pelos vistos sabiam. Provavelmente dentro dos movimentos comunistas se sabia de algo.
Sabes como é. Espírito de emigrante.
Isabel, acho que ele até se esqueceu do jogo quando soube. Logo ele que emigrou para fugir à guerra.
Trilby, acho que houve muita gente a ser acordada. Ainda bem que foi po ruma boa causa.
Maggy, não sabia que já tomavas a defesa do regime totalitário e escaberoso da RDA. O Hoenecker iria folgar em saber que havia cá quem o defendesse. É pena que os 23 Milhões de alemães do Leste não compartilhassem a tua opinião. A menos que os festejos da queda do muro fossem uma ficção encenada pelos americanos. Mas como eu tive lá familiares meus e não os tomo por mentirosos acho que não. E apenas falando do que conheço. Sim na RFA de 74 podias passear livremente sem se ir preso.
Publicado por: Daniel Arruda às abril 25, 2006 12:53 AM
Um provocador é um provocador é um provocador é um provocador. Além de provocador o Arruda é saloio. Alguém que fosse apanhado na RFA - ou em qualquer país sem vistos - não era imediatamente preso e despachado para a origem? Ou o Arruda pensa mesmo que nunca ninguém viajou nesse tempo? E também o Arruda é capaz de defender hoje que os habitantes da ex-RDA vivem hoje melhor do que viviam então? É tão cego e tão egoista que nem hoje, é capaz de reconhecer que toda a gente dos países do Leste viviam bem melhor no socialismo que vivem 18 anos depois do muro ter caído? Todos eles! Mas na sua defesa cega dos interesses das transnacionais e do capital, confunde os interesses dos donos e accionistas com os interesses dos trabalhadores e das populações. As transnacionais de facto lucraram e de que maneira com a queda do muro, mas perderam os trabalhadores e as populações, perderam principalmente os reformados, os jovens e as crianças. E são estes que me interessam, é com estes quesinto afinidades e não com quem os explora. Que cada um fique com a defesa da sua classe; eu defendo a minha, o Arruda defende o patrão, isso é com ele, mas não venda gato por lebre.
Publicado por: Margarida às abril 25, 2006 03:41 AM
Um provocador é um provocador é um provocador é um provocador. Além de provocador o Arruda é saloio. Alguém que fosse apanhado na RFA - ou em qualquer país sem vistos - não era imediatamente preso e despachado para a origem? Ou o Arruda pensa mesmo que nunca ninguém viajou nesse tempo? E também o Arruda é capaz de defender hoje que os habitantes da ex-RDA vivem hoje melhor do que viviam então? É tão cego e tão egoista que nem hoje, é capaz de reconhecer que toda a gente dos países do Leste viviam bem melhor no socialismo que vivem 18 anos depois do muro ter caído? Todos eles! Mas na sua defesa cega dos interesses das transnacionais e do capital, confunde os interesses dos donos e accionistas com os interesses dos trabalhadores e das populações. As transnacionais de facto lucraram e de que maneira com a queda do muro, mas perderam os trabalhadores e as populações, perderam principalmente os reformados, os jovens e as crianças. E são estes que me interessam, é com estes quesinto afinidades e não com quem os explora. Que cada um fique com a defesa da sua classe; eu defendo a minha, o Arruda defende o patrão, isso é com ele, mas não venda gato por lebre.
Publicado por: Margarida às abril 25, 2006 03:44 AM
Maggy, aos teus insultos nem respondo, porque não te reconheço nenhuma capacidade para isso. Um burocrata sindical, que não entra numa empresa para trabalhar há muitos anos não é certamente alguém que me vai dar lições quando luto diariamente.
Quanto aos vistos. Para entrar na RFA em 1974 era preciso um passaporte. Não era preciso um visto. Se quisesses ficar para trabalhar tinhas de arranjar um atestado de trabalho e se querias fazer a tua vida lá depois de 5 anos tinhas de arranjar um visto de permanecia.
E claro, as pessoas vivem piores. Só podia. Por isso é que não repuseram o regime. Os partidos do regime totalitário de lá foram todos leglizados e concorrem ás eleições. Se as pessoas estão tão fartas porque não voltam. Sabes. Eu tenho família na antiga RDA, viajo por vezes para o antigo Bloco de Leste nomeadamente para a Eslováquia e para a Republica Checa. Falo com pessoas, pois deixei lá amigos dos meus tempos de inter rail em 90 e 91 e nenhum compartilha a tua opinião. Mas é como os cubanos. Tu estás ebm. Eles é que são estúpidos em não querer o regime fascizante de Castro.
Olha só um aparte. Nos meus innter-rails encontrei muita gente a querer fugir de lá. Não me lembro te ter visto alguém que estivesse desesperado para entrar. E quanto a os vistos fiquei vacinado. perdi mais de uma semana de embaixada em embaixada.
Publicado por: Daniel Arruda às abril 25, 2006 11:13 AM
Mais tarde responderei que hoje é dia de ir para a manif. Mas deixo só uma questão: como é que as pessoas não teriam de sair de lá se fecharam as fábricas e encerraram as empresas na pressa de conquistar mercados e arrasar a produção local? O que fizeram na ex-RDA foi puro terrorismo económico depois do terrorismo ideológico com que os bombardearam durante anos e anos. Hoje, caído o muro, esqueceram promessas e deixaram a população pobre e sem trabalho.
Publicado por: Margarida às abril 25, 2006 01:23 PM
Mais uma vez a Maggy chuta para canto. Não sabe, adia, vai perguntar. Mais logo vai aparecer cheia de certezas. Não vai falar da falta de imprensa livre. Não vai falar de ausencia de direito de viajar para fora do Bloco de Leste. Não vai falar da ausencia de eleições. Não vai falar do Partido Único. Não vai falar da STASI, o equivalente à nossa PIDE.Não vai falar da falta de produtos nos supermercados. Não vai falar das prisões arbitrárias. Não vai falar das pessoas presas durante 20 anos sem julgamento. Vai dizer sim que é igual ao que se passa agora em Guantanamo. Que ela não defende nada disso, mas que as pessoas viviam bem. Vai falar do socialismo real mas vai omitir que isso levou milhares de pessoas á miséria. Vai talvez falar de agricultura mas vai se esquecer que ainda hoje os solos estão a pagar pela exploração intensiva a que foram sujeitos.
Isto tudo alguém que fala à distancia enquanto eu vvi a 21 KM de um muro que não era de Berlim mas sim que cercava todo um país.
Publicado por: Daniel Arruda às abril 25, 2006 11:45 PM