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abril 02, 2006

O Troll com Abril - II

Por:Isabel Faria

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Filhos de emigrantes portugueses, num "bidon-ville", perto de Paris.

A emigração: A partir dos finais dos anos cinquenta, e durante toda a década de sessenta, sairam para França mais de um milhão e meio de portugueses. Entre eles, muitos que procuravam trabalho, outros que fugiam à Guerra Colonial, muitos ainda que fugiam às perseguições da PIDE. Em 1990 encontravam-se em França, um total de 798.837 pessoas de origem portuguesa - 603 686 mil haviam nascido em Portugal e 195 151 em França- (dados e foto de aqui). Entretanto, a seguir ao 25 de Abril, muitos regressaram a Portugal.

Histórias: Algumas vezes tinha-se que trocar as voltas à censura. A Galiza que Adriano cantava, ficava do lado de cá da fronteira.
Os que partiam tinham que a atravessar para procurar pão. Noutras paragens.
Quando o meu pai partiu, lembro-me de que teve que recorrer a alguém "importante" para obter o passaporte de turista que lhe permitia procurar os meios para nos dar de comer. Em todas as terras, creio, havia sempre alguém assim. Suficientemente "tolerado" pelo Regime para poder interceder, suficientemente solidário, para com aqueles que o regime perseguia, segregava ou para com aqueles que não tinham forma de, por cá, "cortar seu pão".
Não me recordo do dia em que o meu pai partiu. Recordo, apenas, o primeiro postal. Porta-te bem e ajuda a mãe. O pai um dia destes está aí. Um ano depois, ia a minha mãe. Voltariam poucas semanas depois de Abril.

Palavras:


Cantar de emigração - Adriano Correia de Oliveira

Publicado por Troll Urbano às abril 2, 2006 05:20 PM

Comentários

Que boa ideia este testemunho, Isabel! E a música parece feita por medida para as tuas palavras...
Testemunhos na primeira pessoa deixa-nos sempre um nó na garganta.

Publicado por: Emiéle às abril 2, 2006 08:14 PM

Qualquer semelhança da situação nos bidonvilles com a dos imigrantes, africanos e outros, em Portugal é pura coincidência... Facto é que o povo tem a memoria curta... E as élites do poder também : 32 anos depois de 74, os portugueses continuam nas rotas da miséria e da emigração (veja-se as noticias recentissimas sobre o Canadà, a Holanda, a Inglaterra e etc...Mas o que dizem as élites? Isto: AGORA SOMOS UM PAIS DE IMIGRANTES! Olé!... Somos ricos, como os outros da UE! "Ai Portugal, Portugal, tens o pé numa galera e outro no fundo do mar!" (Jorge Palma). Mas sabe uma coisa, Isabel? O povo português, incluindo os emigrantes, em geral, são contra dar direitos aos imigrantes em Portugal. Coitados ... Estaremos perante um pais esquizofrénico? Talvez pior, talvez pior...

Publicado por: dacar às abril 3, 2006 09:21 AM

... e hoje, para mim, continua a ser actual este poema de Manuel Alegre, onde vêm estes versos, cantado também pelo Adriano:

"Pergunto ao vento que passa noticias do meu pais, o vento cala a desgraça, o vento nada me diz".

Continuamos assim, continuamos assim... na merda, desculpe a palavra Isabel, mas é o que penso, porque o poder, em Portugal, so não cala a realidade - da emigração actual, por exemplo, entre tantas outras coisas - quando não pode...

Publicado por: dacar às abril 3, 2006 09:28 AM

dacar, não podia estar mais de acordo.

Publicado por: Daniel Arruda às abril 3, 2006 09:37 AM

dacar, o Poder cala a realidade, mas nós tornámo-nos estupidamente ingénuos...e com a pretensa ingenuidade acabamos por esconder dois dos nossso principais defeitos: a imoral falta de memória e a falta de solidariedade.

Publicado por: isabel faria às abril 3, 2006 02:55 PM