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abril 22, 2006
O Troll com Abril - XV
Por:Isabel Faria

Nestes curtos apontamentos sobre Abril, não poderia nunca faltar a Natália Correia, o Zé Mário e este poema. Queixa das almas jovens censuradas. Para mim, talvez dos mais belos poemas alguma vez musicados. Claro que estas escolhas são sempre subjectivas...mas a beleza do poema da Natála, a força do Zé Mário dão-nos, logo aos primeiros acordes e às primeiras palavras, a noção da nossa real dimensão. Só não nos dão mesmo o tal animal...esse, não temos alternativa senão passar a vida a procurar. A maiora da vezes (só?) dentro de nós.
Publicado por Troll Urbano às abril 22, 2006 11:09 AM
Comentários
o Abril dos outros:
A chavasquice norte-americana na Baía dos Porcos
POR GUILLERMO JIMÉNEZ SOLER — especial para o jornal Granma Internacional
A invasão pela Baía dos Porcos começou em meados de 1960, quando os mais espertos juntaram forças para derrubar governos não simpáticos e decidiram que Fidel Castro jamais seria uma pessoa grata.
Começou então uma seqüência de escorregadelas, mancadas e desacertos.
Reuniram mais de 5 mil homens, dos quais 1.325 foram selecionados pela CIA, tendo em conta o bom comportamento durante os 9 meses de treino militar na Guatemala e Nicarágua, à sombra de Anastasio Somoza e Manuel Idígoras. Era necessário um exército e ninguém melhor que Manuel Artime para liderá-lo. “Manolito era o garoto de ouro” para a invencível CIA.
Só restava dar forma democrática àquilo que tinham cozinhado, para o qual escolheram o chamado Conselho Revolucionário, presidido, nada mais nada menos, que pelo dr. Antonio de Varona, retido durante a invasão num abandonado e isolado aeroporto da Flórida, a quem entregavam entre US$ 130 mil e US$ 520 mil mensais para despesas, cujo exército desembarcaria na Baía dos Porcos para instalar um governo puramente virtual, que logo seria reconhecido por todos os governos que amavam a liberdade. E chega!
No quartel-general da Virgínia arquitetaram o formidável plano que, de não ter sido pela inesperada reação popular que surpreendentemente encontraram, teria sido qualificado de brilhante. Desse modo, em 14 de abril, embarcaram (na dupla acepção da palavra cubana) a tropa em cinco navios, escoltados por contratorpedeiros e por um porta-avião norte-americano que os acompanhou até 6 milhas da costa. Às 2h da segunda-feira, 17, fizeram contato com terra cubana. Pouco antes, pára-quedistas e homens-rã entraram no território cubano para neutralizar qualquer eventualidade. Os 16 aviões B-26, escoltados por jatos da marinha norte-americana, começaram os bombardeios, após o amanhecer, que seria o último para 11 deles.
A Revolução revidou o ataque no dia 18 e não lhes deu um instante de respiro até passadas 36 horas, quando caiu seu último baluarte, nas areias de Praia Girón, iniciando-se uma nova era para os povos do Terceiro Mundo. Na ação, 89 invasores e 157 revolucionários morreram e foram presos 1.197 “libertadores”. Houve várias baixas civis, entre elas, crianças da zona.
O que aconteceu? Como foi possível que a primeira potência militar do mundo pudesse cometer tamanho erro de cálculo, fazendo o ridículo em nível internacional?
É preciso rememorar o passado para achar uma explicação racional. A primeira mancada é que, se bem é certo que a guerra é assunto sério para deixá-la à responsabilidade dos militares, pior ainda é confiá-la aos espiões, de onde partiram todas as demais mancadas: o auto-engano de que a população cubana os receberia como heróis, que as forças armadas se revoltariam ou desertariam, a realização de atentados e fuga dos líderes, desembarques inexistentes, greve geral, enfim, como repetiam constantemente os prisioneiros, pois estavam treinados para dizer que só viriam para cumprir a formalidade de desfilar pela Quinta Avenidade de Miramar, em Havana, sob uma chuva torrencial de confetes e flores, depois da vitória.
Ainda hoje, os invasores culpam o presidente Kennedy pelo fracasso, pois este proibiu, na hora derradeira, a cobertura aérea. Eles não tiveram em conta que ainda está por demonstrar que os bombardeios à população, além de causar inúmeros destroços civis, possam decidir o curso de uma guerra, tal como ficou demonstrado na Grã-Bretanha, durante a Segunda Guerra Mundial, no Vietnã no pós-guerra e no Iraque, mais recentemente. Ainda não querem entender que já estavam derrotados antes de desembarcarem, a partir do momento em que aceitaram as ordens da primeira potência mundial.
Realmente, o problema é que a CIA, os principais generais, secretários e ajudantes acreditaram em suas fantasias. Pior ainda: pretenderam que os demais acreditassem na sua mentira. A mídia acreditou desde o suicídio do Che Guevara até desembarques no “porto” de Bayamo, divulgaram mentiras abomináveis como pintar insígnias das Forças Armadas Revolucionárias (FARs) a seus aviões, armaram uma comédia ridícula sobre um suposto piloto desertor que aterrisou em Miami em um suposto avião B-26 que, com a eficiência que nos tem acostumado a CIA, era diferente dos de Cuba.
Mas, os piores enganos saíram da própria Presidência, com o objetivo de que o mundo pensasse que os Estados Unidos não apoiariam uma invasão a Cuba, o que Kennedy reiterou na carta enviada, no dia 18, a Nikita Khruchov e, ao mesmo tempo, reconheceu no dia 25 a total responsabilidade pela invasão, para finalmente, no dia seguinte, aplaudir os “falcões” com a transcendental e errada imposição do bloqueio.
Justamente, Fidel qualificou aquilo de chavasquice.
Por que uma Revolução nascente, num país extremamente pequeno e pobre, pôde vencer em tão pouco tempo seus inimigos?
A Revolução implementou, de maneira imediata, medidas efetivas e precisas para neutralizar a quinta-coluna interna: cercou os contra-revolucionários nas montanhas da cordilheira Escambray, enfrentou as organizações contra-revolucionárias prendendo seus dirigentes e anulou a maioria dos simpatizantes internos com prisão preventiva. Ao mesmo tempo, protegeu a força aérea que salvaguardou dos bombardeios arteiros, que só serviram para alertar sobre a invasão, tal como avisou o próprio Fidel, em seu discurso de 16 de abril, um dia antes: “o ataque de ontem foi o prelúdio da invasão”.
Mas, o determinante foi a preparação militar do povo, organizado e treinado e que a partir daquele dia começou a ocupar as trincheiras, quando Fidel anunciou o caráter socialista da Revolução. O povo cubano estava disposto a defender seu destino, a qualquer custo. E neste caso, o juízo de Deus ficou na América, de maneira inusitada, do lado dos povos.
Publicado por: xatoo às abril 22, 2006 11:36 AM
xatoo, tenho um pedido a fazer-te. Basta passares por este Blog regularmente para veres que já tiveste e seguramente continuarás a ter, dezenas de oportunidades de colocar o comentário que aqui colocaste.
Afinal, ainda há uma semana coloquei um post sobre o "meu" 25 de Abril, com o Che e o que ele significou para os jovens dos anos sessenta e inicios de setenta.Apesar de tudo teria muito mais cabimento ali. Já que é de Cuba que trata.
Este post não era sobre o 25 de Abril dos outros. Era sobre o NOSSO. Gostaria que aqui deixasses algo sobre o NOSSO. Nos posts sobre o NOSSO.
Depois também gostaria de te pedir que quando tivesses links e não comentários teus os deixasses. Como links. Acredita que quando se vê um comentário deste tamanho normalmente as pessoas não se dão ao trabalho de ler (como deves calcular falo com algumas pessoas que passam por Blogs...). Eu sei que como bem explicaste num comentário teu, às vezes, o sistema não deixa entrar os comentários. Mas pelo que me é dado saber, apenas os retém. E basta-nos a nós clicar no "comentário seguro", para que entrem. O que é lógico que faremos assim que entrarmos no privado do Blog.È apenas uma questão de (pouco) tempo.
Agradeço que tomes em atenção os meus pedidos...e já agora, sobre o post??? È ou não é duma beleza e duma força extraordinárias esta canção do Zé Mário e este poema da Natália???
Publicado por: isabel faria às abril 22, 2006 11:50 AM
Há muito tempo que não ouvia esta música.
LINDA!!!!!!!!!!
Publicado por: Daniel Arruda às abril 22, 2006 12:36 PM
Essa música é ainda hoje uma das músicas a que recorro frequentemente. A letra da Natália Correia é extraordinária. A música é tudo isso que dizes. Primeiro no LP e depois no Duplo CD - Mudam-se os tempos mudam-se as vontade/Margem de certa maneira.
Mas a versão preferida é a regravada no Albúm, "Ser solidário". Aquele momento do saxofone do Rui Cardoso, era desconcertante, para mim.
Publicado por: Fernando às abril 22, 2006 01:00 PM
Nem de propósito, já hoje escrevi no "estounasesta" um post sobre o assunto.
É que ontem tive a suprema honra de ouvir e ver o Zé Mário, naquele que foi,até ao momento, o seu último concerto.
Um espanto, ainda por cima numa sala simplesmente extraordinária.
Publicado por: José Palmeiro às abril 22, 2006 01:32 PM
Dia da Terra: "É preciso que todos colaborem"
Feliz Dia da Terra! Das Palavras às Acções...
Publicado por: Guerreiro da Luz às abril 22, 2006 01:46 PM
È Dani, é uma música linda. Das que nos farão sempre sentir um arrepio. Sempre.
Fernando, esta versão é a do album Ser solidário. Ontem emprestaram-me. Não resistirei a ir lá buscar mais uma ou duas.
José,afinidades (foi assim que lhe chamaste, não foi???).
Guerreira da Luz, já viste a imagem do Google? Não resisto, sou uma eterna apaixonada pelas imagens que o Google escolhe para comemorar estes dias...
Publicado por: isabel faria às abril 22, 2006 02:27 PM
Fez muito bem em aqui colocar esse texto, Xatoo! É que no primeiro dia do aniversário da invasão, a Faria postou a foto do Che (acompanhado do habitual paleio do "sonho") e nos comentários o Arruda cometeu a infâmia de lhe chamar "figura Quixoteana" e mais uma vez, aproveitar para intrigar com o Fidel...mas claro sem qualquer referência aos acontecimentos de 17 de Abril de há 45 anos! E a pretexto do "tamanho" dum texto que lá coloquei sobre o assunto...limparam-no e deixaram únicamente o link. A desculpa é sempre a mesma, que textos "longos" desmobilizam os leitores. Não devem ter espelho em casa ou talvez não saibam contar os caracteres, atendendo ao tamanho dalguns textos que postam e que na maioria das vezes nada dizem, a não ser as banais trivialidades dos "sonhos" e dos "sonhadores" que se presumem serem.
PS: como anedota foi que também a pretexto do 25 de Abril, pela mesma altura do post com a foto do Che fizeram um post sobre o Henrique Galvão...
Publicado por: Margarida às abril 22, 2006 04:20 PM
É verdade Isabel. Esta canção é um modelo de como uma letra e uma música podem completar-se de um modo perfeito. É uma canção linda que não ficou 'datada'; ouve-se hoje como se ouvia então com a mesma emoção, esse arrepio de que falas.
(PS - Xatoo, o conselho da Isabel é um bom conselho. Eu sei bem que comentários muito grandes simplesmente "não são lidos", os leitores saltam-lhes por cima. Já ando por aqui há uns anos e tenho-o ouvido por muitos lados, um link para o que se quer chamar a atenção é mais eficiente)
Publicado por: Emiéle às abril 22, 2006 09:13 PM
... para pentearmos um macaco... não sei o que esta frase me fez lembrar quando comecei a ler os comentários...
Linda de morrer a música. Único, o intérprete.
Publicado por: Trilby às abril 23, 2006 12:58 AM
Margarida, o que eu ou qualquer outro troll escrevemos não é da tua conta. Se queres mandar cria um blog teu ( se tiveres capacidade para tanto). Neste e até ver ainda não mandas pelo faremos o que nos apetecer. No outro dia quando te apaguei um comentário com milhares de caracteres e deixei ficar o link nem estrabuchaste. Falta de coragem?????? O mundo não é para os fracos mas isso aprendeste de certeza na Mocidade Portuguesa onde andaste.
Publicado por: Daniel Arruda às abril 23, 2006 05:18 AM
A insensatez continua e o "american way of thinking" também. Agora para o Arruda, liberdade de expressão é eu criar um blog "meu"!. O Arruda ainda não percebeu que um blog é um espaço público e que se tem caixa de comentários, essas caixas de comentários também são espaço público.
Ora, nos espaços públicos cada um faz o que quer, e na mimha opinião - desde que o que faça não belisque a liberdade dos outros e a urbanidade - isso obriga a todos, "donos" do blog e participantes. Mas esta minha opinião não é a opinião dos "donos" deste blog.
Porque, como já me aconteceu, neste blog - essas regras mínimas civilizacionais - não são tidas em consideração. É que já por duas vezes, estando a perder, o Arruda, a meio da discussão pura e simplesmente acaba com a caixa de comentários. Outras vezes não deixa os comentários entrar e outras ainda, apaga-os. pura e simplesmente.
Este conceito de "dono" do blog revela que aos Arrudas só interessam jogos de poder e que são partidários da "lei da selva", isto é da lei do mais forte. Por isso não entende que às vezes haja gente a quem não interessa travar certas batalhas (naquela altura) e confunde isso com "falta de coragem"...logo eles, os garotos que quando amuam, acabam com o jogo e levam a bola para casa!
Mas algures, numa caixa de comentários por aí, este defensor da lei da selva, ainda ontem se afirmava "socialista". È de rir!
Publicado por: Margarida às abril 23, 2006 10:36 AM
Trilby, pois é...não me passa pela cabeça o que te passou pela cabeça...nã, não tou mesmo a ver...pnetear macacos, caixa de comentários...ai mulher dás cabo de mim...:))))
Daniel, ainda te faltava esta, amigo. Lei da selva tem pinta. Tou a ficar tistonha...tens direito a mais coisas simpáticas que eu...ké keu faço???
Publicado por: isabel faria às abril 23, 2006 03:34 PM
Os Convencidos da Vida
Todos os dias os encontro. Evito-os. Às vezes sou obrigado a escutá-los, a dialogar com eles. Já não me confrangem. Contam-me vitórias. Querem vencer, querem, convencidos, convencer. Vençam lá, à vontade. Sobretudo, vençam sem me chatear.
Mas também os aturo por escrito. No livro, no jornal. Romancistas, poetas, ensaístas, críticos (de cinema, meu Deus, de cinema!). Será que voltaram os polígrafos? Voltaram, pois, e em força.
Convencidos da vida há-os, afinal, por toda a parte, em todos (e por todos) os meios. Eles estão convictos da sua excelência, da excelência das suas obras e manobras (as obras justificam as manobras), de que podem ser, se ainda não são, os melhores, os mais em vista.
Praticam, uns com os outros, nada de genuinamente indecente: apenas um espelhismo lisonjeador. Além de espectadores, o convencido precisa de irmãos-em-convencimento. Isolado, através de quem poderia continuar a convencer-se, a propagar-se?
(...) No corre-que-corre, o convencido da vida não é um vaidoso à toa. Ele é o vaidoso que quer extrair da sua vaidade, que nunca é gratuita, todo o rendimento possível. Nos negócios, na política, no jornalismo, nas letras, nas artes. É tão capaz de aceitar uma condecoração como de rejeitá-la. Depende do que, na circunstância, ele julgar que lhe será mais útil.
Para quem o sabe observar, para quem tem a pachorra de lhe seguir a trajectória, o convencido da vida farta-se de cometer «gaffes». Não importa: o caminho é em frente e para cima. A pior das «gaffes», além daquelas, apenas formais, que decorrem da sua ignorância de certos sinais ou etiquetas de casta, de classe, e que o inculcam como um arrivista, um «parvenu», a pior das «gaffes» é o convencido da vida julgar-se mais hábil manobrador do que qualquer outro.
Daí que não seja tão raro como isso ver um convencido da vida fazer plof e descer, liquidado, para as profundas. Se tiver raça, pôr-se-á, imediatamente, a «refaire surface». Cá chegado, ei-lo a retomar, metamorfoseado ou não, o seu propósito de se convencer da vida - da sua, claro - para de novo ser, com toda a plenitude, o convencido da vida que, afinal... sempre foi.
Alexandre O'Neill, in "Uma Coisa em Forma de Assim"
Publicado por: Margarida às abril 24, 2006 01:49 PM
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Publicado por: ringtones free às agosto 26, 2006 10:03 AM