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abril 07, 2006
O Troll com Abril - V
Por:Isabel Faria

"Politicamente só existe aquilo que o povo sabe que existe", disse Salazar, durante a inauguração do Secretariado de Propaganda Nacional, em 26 de Outubro de 1933
Esta era a divisa de Salazar. Foi a divisa do Estado Novo, para calar a Guerra, para calar a tortura e para calar a fome. Durante 48 anos, a PIDE perseguiu intelectuais e jornalistas, censurou jornais, obrigou a exilar poetas e cantores.
O carimbo da censura estava presente em tudo o que se escrevia. A censura prévia, retirava liberdade e ajudava a manter o Regime.
Escritores, poetas, músicos, cantores, actores, jornalistas, cartoonistas, foram conhecendo na pele a força da PIDE e do lápis azul.
Conforme este texto de José Brandão, no Vidas Lusófanas:
A poucos meses do 25 de Abril de 1974, o então ministro do Interior, Gonçalves Rapazote, ordenava à polícia política para “dedicar um cuidado particular ao imediato cumprimento das seguintes instruções:”
"1 - Relacionar as tipografias que se dedicam à impressão de livros suspeitos – pornográficos ou subversivos;
2 - Organizar um plano de visitas regulares a essas tipografias para impedir, efectivamente, a impressão de textos susceptíveis de proibição;
(...)
5 - Organizar a visita regular às livrarias de todo o País para sequestro de livros; revistas e cartazes suspeitos e para apreensão dos que já estão proibidos pela Direcção dos Serviços de Censura"
Mai à frente, no mesmo texto, dá-se conta dos livros proíbidos nos últimos anos da Ditadira, bem como da sorte de livreiros, escritores e jornalistas. Apesar da proclamada "Primavera" de Marcelo, a PIDE continuou, até ao último momento, a censurar e a perseguir.
Neste post, e contrariamente aos que tenho publicado, não resisto a deixar uma nota de actualidade.
A frase de Salazar, à luz da informação que se cala, da informação que se deturpa, da informação que se escolhe, volta a não nos parecer, nem descabida nem irreal. Não há mais lápis azul. Foi, é diariamente, substituído, pelo poder do Poder económico, pelo poder da classe politica que se perpetua no Poder, pela opção clara, nada inocente, de nivelar por baixo, pela precarização das relações de trabalho dos jornalistas que os obriga a medir palavras e calar perguntas .
Se nos recordarmos da recente campanha eleitoral é muito irreal, a frase de Salazar, em 2006?
Publicado por Troll Urbano às abril 7, 2006 11:04 PM
Comentários
Eu sempre ouvi falar de "lápis azul", e não vermelho...
A actualidade da frase é indiscutível. Hoje não há um velho numa cadeira, é quase tudo decidido em AGs de accionistas que transmitem ordens aos governos sob formas de ameaças, mas o efeito é precisamente o mesmo.
Aliás, tão actual, tão actual, que se fôr dita em italiano ainda pensam que nos metemos na campanha eleitoral para domingo!
Publicado por: Helena Romao
às abril 7, 2006 11:42 PM
Helena, e se eu te disser que mudei uma quantidade de vezes vermelho para azul num texto original que tinha feito e que perdi...e hoje voltei lá a meter vermelho??? Ainda devem ser influências do futebol...vou lá mudar. Obrigado pelo reparo.
Publicado por: isabel faria às abril 7, 2006 11:50 PM
Olha, Helena, esqueci-me. Omtem estive a ouvir o Miguel Portas a falar de Paris. O entusiasmo e a emoção eram tantas que de vez em quando até se perdia...falava de estar três horas a ver passar uma manifestação...que nunca tinha visto nada assim.
Entretanto agora mesmo passei pelo teu Blog e que lindos aqueles cartazes.
Publicado por: isabel faria às abril 7, 2006 11:58 PM
Nunca o Portas viu nada assim? Nem no nosso primeiro, 1º de Maio? É o que dá a mania de ser cosmopolita...desvalorizam sempre o que por cá fazemos.
Mas veja também que a Faria já alinhou nas manias do Boaventura Sousa Santos, Alegre & companhia de equipararem a actual situação nacional ao fascismo. Quando não se sabe pensar dá nisto!
E é preciso ainda lembrar que além de donos os media têm directores, colunistas, comentadores e que não vem dos precários o perigo principal...
Publicado por: Margarida às abril 8, 2006 12:13 AM
Isabel, estás a ver o 1º Maio em Portugal não estás?!?!? Claro que estás!!!! 3 Milhões de pessoas em todo o país na rua. Só em Setúbal o ano passado foram mais de um milhão. Não cabiam todos na Luísa Todi quanto mais na Praça do Bocage.
Olha que tu ás vezes. Olha ainda há dois anos estive na Galiza nos festejos do dia da Pátria Galega e se não fossem os Portugueses que lá foram não tinham conseguido juntar as quase 200 mil pessoas na manifestação só em Santiago de Compostela. Como vês e valorizo o que é Português. Afinal Portugal é da Galiza ao Algarve. Inclusivé claro
Publicado por: Daniel Arruda às abril 8, 2006 12:27 AM
Olha lá, Daniel, não precisas de ir tão longe...basta comparares a manifestação de Sábado passado, com as destas semanas em França...só um gajo como o o Miguel e uma gaja como eu para não querer ver...que estúpidos!!!
Publicado por: isabel faria às abril 8, 2006 01:00 AM
Que estúpidos? Ora aqui está uma verdade...estúpidos e convencidos!
Publicado por: Margarida às abril 8, 2006 01:20 AM
Também tens razão Isabel. A Manif de Sábado foi de tal modo que o Sócrates até se borrou todo. Acho até que vai revogar o código de trabalho por causa disso. Constam as más linguas que o José Eduardo de Angola até lhe telefonou a perguntar se a visita se mantinha ou não pois parecia que Portugal tinha entrado em processo revolucionário.
Publicado por: Daniel Arruda às abril 8, 2006 01:33 AM
É, de facto muito emocionante ir numa manifestação, sabendo que os da frente já chegaram e os últimos ainda não partiram, num percurso longo de várias avenidas gigantescas.
A manifestação leva mais de 3h a sair do local de origem, e quase 4h com gente sempre a chegar ao destino! É uma quantidade de gente inimaginável...
Quanto aos 3 milhões de pessoas, em Portugal seriam 30% da população... Ó Margarida, isso não é uma manif, é uma Revolução!
Publicado por: Helena Romao
às abril 8, 2006 01:44 AM
Quem falou em milhões foi o Arruda e agora a Helena e quem falou "que nunca tinha visto nada assim" foi o Portas segundo a Faria. Eu não desvalorizo a luta contra o CPE em França mas também não desvalorizo as lutas que temos feito por cá, como o fazm sistematicamente tanto o Arruda como a Faria. Pelo contrário eu valorizo as lutas de todos em todo o lado.
Publicado por: Margarida às abril 8, 2006 10:17 AM
Helena, era disso que ele falava, sim. Da emoção de estar horas a ver passar gente. E, sobretudo, da emoção de ver passar milhares e milhares de jovens.E da emoção de ver que a mobilização se tem mantido. E que nem as alterações feitas na Lei, beliscaram.
Vou tentar fazer um post sobre isso...e estou a pensar ir roubar-te aquele post lindo, que tens no teu Blog. Tenho tido uns dias tão ocupados, que só esta noite o descobri. È uma maravilha. Um hino ao sonho.
Publicado por: isabel faria às abril 8, 2006 12:56 PM
È como eu disse, as lutas de cá ela desvaloriza...e depois malta há que se escama toda com estereotipos.
Publicado por: Margarida às abril 8, 2006 02:21 PM