« E não se pode adiantar a coisa???? | Entrada | As religiões são todas iguais, mudam é as moscas. »
abril 11, 2006
Uma dupla estreia
Por: António Chora
Como o Daniel aqui escreveu aceitei o desafio de integrar o Troll. Durante a minha estada no Parlamento, de um modo mais intermitente e depois espero que de uma forma mais consistente. Este texto para além de ser um momento marcante para mim pois foi a minha 1ª intervenção no Parlamento é também um tema actual. Se o texto tiver laivos de discurso é porque foi tirado disso mesmo, de um discurso na Assembleia da República.
As últimas semanas têm sido marcadas por uma das mais impressionantes mobilizações populares dos últimos anos na luta contra as políticas liberais na Europa. Na Terça-Feira, milhões de jovens, trabalhadores e estudantes voltaram a encher as ruas de França num protesto contra o chamado “Contrato Primeiro Emprego”, CPE.
O que através do CPE se impõe aos jovens é um período de dois anos de trabalho totalmente desprovido de direitos, em que o jovem está permanentemente ameaçado de despedimento sem justa causa. Sempre que o despedimento acontecesse, caberia, não ao patrão provar a justa causa, mas ao trabalhador provar o contrário, o que constitui um absurdo, um benefício ao infractor e uma entorse em todo o sentido do Direito do Trabalho.
Os argumentos são os do costume. O discurso que é moderno há cento e cinquenta anos, cultiva a precariedade para colher dedicação, cultiva a insegurança para colher competências, cultiva o desemprego para colher motivação. É o absurdo transformado em política.
Estes argumentos bizarros contradizem, inclusive, as modernas teorias de gestão que enfatizam a importância da estabilidade e da formação no trabalho. O discurso de modernidade associado a estas medidas é uma mentira, mil vezes desmascarada por inúmeros casos de sucesso assentes em pressupostos opostos.
A eventual aprovação de uma medida com estas características constituiria a divisão do mercado de trabalho em dois segmentos distintos, introduzindo aos poucos novas gerações de trabalhadores sem direitos e sem perspectivas e ameaçando permanentemente todos aqueles que se vejam na necessidade de encontrar novo trabalho.
É este o futuro que constroem os governos liberais de todas as cores: Jovens trabalhadores descartáveis, a quem é negada a possibilidade de desenvolver capacidades e competências especializadas. Jovens trabalhadores isolados, privados de relações de trabalho duradouras e das relações de camaradagem e amizade a elas associadas. Jovens trabalhadores explorados, cuja vida, autonomia e independência é adiada para um futuro nebuloso. Temos consciência de que a França é o primeiro laboratório de uma modificação civilizacional que se está a anunciar:
depois da imposição de um desemprego permanente de mais de 20 milhões de homens e mulheres na Europa, o que o CPE nos anuncia com fanfarra é o fim de qualquer forma de vínculo laboral, mesmo precário. A empresa passa a ser um território extra-contratual e extra-judicial onde só vigora a lei da vontade do patrão ou do seu capataz. Esse é um mundo novo sem direitos. É uma utopia reaccionária, é um mundo assustador.
Contra essa desumanização do mundo do trabalho, juntaram-se sindicatos e estudantes, trabalhadores de todas as gerações, em nome da recusa desta política. Essa luta é também a nossa. O CPE é a expressão francesa de um política europeia, que chegou já em força a muitos países e se anuncia noutros, como a Alemanha. A Comunidade Europeia aprovou recentemente na sua Cimeira da Primavera o programa «despedir com segurança», flexibilité-securité.
Como de costume, a eliminação de todo e qualquer factor de estabilidade no trabalho é camuflada sob um discurso de sensibilidade social: precariza-se o emprego em nome do emprego, destroem-se direitos sociais em nome do estado social, invoca-se os miseráveis para tirar direitos aos remediados.
Mas são cada vez mais as vozes que se levantam contra esta suposta inevitabilidade e a hipocrisia do discurso piedoso dos políticos neo-liberais europeus. Como escreve um autor francês:
“Esta precariedade é, evidentemente, o fruto da mutação profunda que vem sofrendo o capitalismo desde há trinta anos. Intervenção massiva dos accionistas, reagrupados em Fundos de Investimento, exigência de receitas bolsistas desmesuradas, sub-contratação generalizada permitindo explorar mais brutalmente a mão-de-obra, frenesim para arrancar novas zonas de lucro, tanto aos serviços públicos, quanto à protecção social – tais são as características mundiais do capitalismo contemporâneo. Elas fazem do trabalho uma mercadoria cujo custo é preciso baixar e dos trabalhadores objectos comercializáveis cuja necessidade de segurança é apenas um obstáculo à realização de lucros”
Acabei de citar Michel Rocard, histórico militante do Partido Socialista Francês. É pena que seja tão difícil encontrar no poder socialistas que subscrevam esta análise e com ela sejam consequentes. Em Portugal, como em França, a opção tem sido a de copiar as piores receitas do neo-liberalismo. Se, em França, foi a direita a avançar com o CPE, em Portugal são os socialistas que mantêm o Código do Trabalho da maioria de direita.
Em Portugal, o cenário é, aliás, muito difícil. O Código do Trabalho, que esta maioria socialista aceitou com retoques permite situações em que um jovem ou qualquer outro trabalhador pode estar até seis anos a trabalhar com contratos a prazo ou com contratos a tempo incerto sem limite de tempo, podendo estar-se a assim precário uma vida inteira.
Os trabalhadores activos atingiram no último trimestre de 2005 os cinco milhões, cento e trinta e três mil, sendo três milhões, oitocentos e treze mil trabalhadores por conta de outrem. Destes:
- oitocentos e noventa nove mil trabalham por conta própria, o que muitas das vezes serve para ocultar falsos recibos verdes e outras situações precárias;
- quinhentos e oitenta e dois mil estão com contratos a prazo.
São um milhão e meio de trabalhadores precários ou sem garantias, vítimas de um sistema que os explora e abusa, que não sabem o que vai ser o dia de amanhã. Empresa por empresa, é esta realidade que encontramos:
Deputados Socialistas: é por vossa vontade, complacência e cumplicidade que esta situação se mantém. Temos insistido no desafio para que o Código do Trabalho seja revogado e substituído por uma legislação moderna assente nos direitos sociais. Terão alguma justificação, os e as senhoras e senhores deputados socialistas, para que se continue a perder tempo aceitando a lei do desemprego, da precariedade e do ataque à contratação colectiva?
A luta dos franceses inscreve-se na melhor tradição de solidariedade e luta pela democracia. O seu resultado afecta-nos a todos e dará um sinal aos poderes da Europa sobre o que podem esperar da continuação destas políticas.
Hoje, somos todos jovens franceses.
Publicado por Troll Urbano às abril 11, 2006 05:26 PM
Comentários
Bem vindo á casa Chora. O comentários ao texto ficam para quando ler o texto com mais cuidado.
Publicado por: Daniel Arruda às abril 11, 2006 05:55 PM
Pois, somos dois. Bem vindo, Chora. O resto fica para mais tarde que isto de ser uma pessoa muira ocupada tem que se lhe diga...agora já posso ir de férias?????
Publicado por: isabel faria às abril 11, 2006 06:00 PM
Já agora faço ao Chora a mesma pergunta que fiz ao Arruda e à Faria (e de que aguardo ainda respostas): a retirada do CPE foi ou não uma vitória?
Publicado por: Margarida às abril 11, 2006 06:33 PM
Conecendo bem o Chora e sabendo que ele te conhece melhor que eu até duvido que dali leves uma resposta. Mas podes continuar a tentar.
Publicado por: Daniel Arruda às abril 11, 2006 06:41 PM
É sempre agradável ver novos colaboradores aqui pelo Troll, e sendo o Antonio Chora melhor , sobretudo se vier falar da sua experiência como operário, membro da CT da autoeuropa e agora como deputado, teremos muitas conversas interessantes.
Já agora Chora qual é o teu clube é que isso aqui não é de somenos....
Publicado por: a.pacheco às abril 11, 2006 07:00 PM
Parabéns pela nova aquisição. Benvindo Chora. Não vai ser fácil "competir" em qualidade de post's com essas feras.
Publicado por: Fernando às abril 11, 2006 07:26 PM
Olha, olha... O meu amigo A.Chora! =)
E então que tal está a ser a experiência no "Reino dos Tubarões", eh?!
=)
Um Abraço!
Publicado por: Paulo M. de Sousa às abril 11, 2006 07:31 PM
Ó Margarida claro que é uma grande vitória, mas alguém põem isso em dúvida? Essa implicação com a malta do bloco mete nojo. O que pretendes com essa implicância toda? Leva lá a bicicleta pôrra! Nós já percebemos que tu e o teu partido são a única e a verdadeira esquerda. A vanguarda da classe operária. Mas deixa os outros serem de outra esquerda ou tens dúvidas de que são de esquerda? Se te limitasses a afirmar a tua posição sem provocares e a seres séria na argumentação até podia haver uma discussão interessante, assim não há pachorra!
Publicado por: Fernando às abril 11, 2006 07:38 PM
Mas são eles que não respondem. Se o tivessem feito não perdia mais tempo. Agora o Fernando é porta-voz da Faria e do Arruda?
Publicado por: Margarida às abril 11, 2006 08:11 PM
Fernando, tu és mau. Assim não aumentamos os comentários. Ela assim não volta a perguntar. Olha e o que é que te deu para seres meu porta-voz. Vê lá que eu ainda te largo a Margarida ás pernas.
Vou entar explicar a sequencia. Eu escrevi que era uma vitória em toda a linha. e a Margarida disse que não.
depois e presentes outros factos questtionei-me sobre o facto de alguns franceses (algumas centrais) não terem a mesma opinião que eu. Pelo que me tentei informar. Nessa altura a Maggy achou que era uma vitória.
Agora que eu não respondo ela deixou de imitior opinião. Sabes porquê? Porque a opinião dela não existe. É sempre a contrária da minha. Se tiveres dúvidas vai ao que escrevi sobre a censura da Igreja alemã.
Se eu um dia puser uma imagem branca a dizer que aquilo é branco ela vai argumentar. Olhe que não!!! Olhe que não!!! aquilo é preto, clarinho, mas é preto.
É um tipico caso de recalcamento sexual que Freud pode explicar.
Publicado por: Daniel Arruda às abril 11, 2006 09:27 PM
Sobre post do Arruda sobre o CPE, o meu comentário foi:
A luta é o caminho, em França, cá, em qualquer lado!
Publicado por: Margarida às abril 10, 2006 02:13 PM
Isto para o Arruda significa que eu "disse não". Além de bronco e pouco inteligente o Arruda é mentiroso. Mas isto já se sabia antes, agora só o confirma.
Publicado por: Margarida às abril 11, 2006 10:12 PM
Uma breve apresentação, para gerar alguma discussão:
Em termos clubistas sou principalmente lagarto ou leão como quizerem, e ás vezes muitas mesmo, vitoriano (Vitória de Setúbal).
Publicado por: Antonio Chora às abril 11, 2006 10:25 PM
Antonio tenho muita pena que tenhas aceite o convite do Daniel, o que quer que ele te tenha prometido e mentira... pergunta a Isabel pelo perfume, ou pelas folgas ao fim-de-semana! Nao sabes onde te estas a meter! Mas no caso de nao voltares atras, ca estarei para ler! Ainda para mais tens bom gosto!
O Mac manda um abraco e diz para nao se preocuparem com o Intosh que a situacao dos anoes esta controlada, tirando o pequeno ponei que anda perdido de amores pela Daisy...
Publicado por: Farpas na Bifelandia (por isso sem acentos!) às abril 11, 2006 10:56 PM
DAniel o que é que te deu para trazeres para aqui mais um lagarto....
Chora renovo as boas vindas, e vê lá se consegues apresentar em tempo útil o tal projecto sobre doenças profissionais, pode ser que até se consiga a sua aprovação.
Publicado por: a.pacheco às abril 11, 2006 11:09 PM
a.pacheco, ainda vai entrar mais um. O Gil Costa também é lagarto. Eu sou um tipo tolerante e quando toca a clube acho que os factos falam por si.
Mas no que toca a entradas as duas próximas serão (uma já está confoirmada) têm o condão de alargar a esquerda deste blog ao PS e PCP.
Mas como disse uma alforreca aí para cima, afinal eu sou bronco e pouco inteligente e mentiroso.
Já agora uma pergunta a ti que és ponderado. Achas que devo manter estes comentários para toda a gente ver o nível da personagem ou devo apagá-los para despoluir o ambiente.
Publicado por: Daniel Arruda às abril 11, 2006 11:16 PM
Mas afinal o Arruda ainda anda aos papéis? ainda não decidiu se a retirado do CPE foi ou não uma reforma? Ainda está com dúvidas ou está à espera que eu me esqueça e deixe de o chatear? E a Faria, sempre com tantas opiniões, de repente desaparece e nada diz? Querem ver que afinal mudaram de opinião mas não têm tomates para o assumir?
Publicado por: Margarida às abril 12, 2006 12:31 AM
Minha querida Margarida. Só uma notazita de rodapé. A Faria esteve a trabalhar até às 18.00. A Faria não é burocrata sindical. A faria teve uma reunião do Grupo de Trabalho bo Bloco de esquerda ás 18.30. A Faria, trabalha, está num partido que kutar pela melhoria das condições de vida dos trabalhadores, logo é normal que esteja em reuniões do Grupo de Trabalho do seu partido. A Faria veio a correr fazer o jantar. A Faria é mãe. E a Faria come. A Faria foi para uma Assembleia de Freguesia da qual faz parte. A Faria quando foi eleita foi para honrar os seu compromissos. a Faria não pode, portanto, estar todo o dia e toda a noite á frente do computador a responder á Margarida. De qualquer maneira a Faria só responde a aquem quer. quando quer. A Faria não cumpre ordens de alguém sem rosto e sem nome. Às vezes é obrigada a cumprir de pessoas identificadas,,,mas nada a fazer a Faria é assalariada.
Publicado por: isabel faria às abril 12, 2006 01:09 AM
Farpas eu tentei a visar o Chora daquilo que oe esperava....ele não me deu ouvidos. Não sei se a ale prometeram perfumes...por mim já tirei o cavalinho dachuva. Se quero perfumes compro-os.
O ponei anda isso??? Mas a Daisy andava com o Mac??? Tu confundes-me.
Publicado por: isabel faria às abril 12, 2006 01:12 AM
Isabelinha, o teu perfume tá quase, quase! Eu até estou a pensar fazer um post com uma fotozita dele e tudo, no dia que o adquirir!
=)
Publicado por: Paulo M. de Sousa às abril 12, 2006 01:51 AM
E a Faria esqueceu-se de informar que pôs um post às 12.07 e outro às 15.36...e mais uns tantos comentários pelo meio.
Publicado por: Margarida às abril 12, 2006 01:58 AM
Margarida:
"De qualquer maneira a Faria só responde a aquem quer. quando quer. A Faria não cumpre ordens de alguém sem rosto e sem nome. Às vezes é obrigada a cumprir de pessoas identificadas,,,mas nada a fazer a Faria é assalariada".
Publicado por: isabel faria às abril 12, 2006 09:10 AM
Interessante ver alguem do BE a citar Michel Rocard. Interessante mesmo. Gostaria de ver o Miguel Portas a cità-lo tambem... hi hi. O rocard, que era conotado com ala "direita" do PSF, não era isso de facto. era um socialista (ainda està vivo, mas velho) integro, que foi abatido por Mitterrand, que era um grande politico mas muito matreiro e não admitia concorrencia, sobretudo na sua àrea. Rocard defendia uma democracia diferente e activa, o associativismo e o sindicalismo e era proximo da central sindical CFDT, reformista. Era um socialista, um teorico interessante, e é giro vê-lo citado aqui. Era tudo menos ortodoxo e rigido, o que não acontece com muita gente do BE. Eu, que nem sequer voto, nem sou de nenhum partido, guardo alguns livros dele com interesse. Rocard chegou a PM em França, tentou derrotar Mitterrand no ps mas nao conseguiu e nunca chegou a construir uma real empatia com os franceses. Porque colocava a politica a outro nivel, falava sempre com exigência intelectual, e as pessoas não o compreendiam. Mas era interessante por isso, por ser diferente dos outros. Por isso, por ser diferente e exigente intelectualmente, morreu... politicamente, assassinado pelo PS de Mitterrand que, esse, era imbativel na manobra e na arte da politica (Maquiavel). Cumprimentos.
Publicado por: dacar às abril 12, 2006 09:22 AM
Interessante ver alguem do BE a citar Michel Rocard. Interessante mesmo. Gostaria de ver o Miguel Portas a cità-lo tambem... hi hi. O rocard, que era conotado com ala "direita" do PSF, não era isso de facto. era um socialista (ainda està vivo, mas velho) integro, que foi abatido por Mitterrand, que era um grande politico mas muito matreiro e não admitia concorrencia, sobretudo na sua àrea. Rocard defendia uma democracia diferente e activa, o associativismo e o sindicalismo e era proximo da central sindical CFDT, reformista. Era um socialista, um teorico interessante, e é giro vê-lo citado aqui. Era tudo menos ortodoxo e rigido, o que não acontece com muita gente do BE. Eu, que nem sequer voto, nem sou de nenhum partido, guardo alguns livros dele com interesse. Rocard chegou a PM em França, tentou derrotar Mitterrand no ps mas nao conseguiu e nunca chegou a construir uma real empatia com os franceses. Porque colocava a politica a outro nivel, falava sempre com exigência intelectual, e as pessoas não o compreendiam. Mas era interessante por isso, por ser diferente dos outros. Por isso, por ser diferente e exigente intelectualmente, morreu... politicamente, assassinado pelo PS de Mitterrand que, esse, era imbativel na manobra e na arte da politica (Maquiavel). Cumprimentos.
Publicado por: dacar às abril 12, 2006 09:23 AM
Interessante ver alguem do BE a citar Michel Rocard. Interessante mesmo. Gostaria de ver o Miguel Portas a cità-lo tambem... hi hi. O rocard, que era conotado com ala "direita" do PSF, não era isso de facto. era um socialista (ainda està vivo, mas velho) integro, que foi abatido por Mitterrand, que era um grande politico mas muito matreiro e não admitia concorrencia, sobretudo na sua àrea. Rocard defendia uma democracia diferente e activa, o associativismo e o sindicalismo e era proximo da central sindical CFDT, reformista. Era um socialista, um teorico interessante, e é giro vê-lo citado aqui. Era tudo menos ortodoxo e rigido, o que não acontece com muita gente do BE. Eu, que nem sequer voto, nem sou de nenhum partido, guardo alguns livros dele com interesse. Rocard chegou a PM em França, tentou derrotar Mitterrand no ps mas nao conseguiu e nunca chegou a construir uma real empatia com os franceses. Porque colocava a politica a outro nivel, falava sempre com exigência intelectual, e as pessoas não o compreendiam. Mas era interessante por isso, por ser diferente dos outros. Por isso, por ser diferente e exigente intelectualmente, morreu... politicamente, assassinado pelo PS de Mitterrand que, esse, era imbativel na manobra e na arte da politica (Maquiavel). Cumprimentos.
Publicado por: dacar às abril 12, 2006 09:24 AM
Fogo! esta coisa saiu 3 vezes! Houve pràki um erro em algum lado...
Publicado por: dacar às abril 12, 2006 09:28 AM
Dacar, talvez o facto de o Chora citar Rocard, sirva para provar que, apesar de todos os defeitos que se lhe possa encontrar, e certamente serão muitos, o Bloco é um movimento plural, em que cada qual pensa com a sua cabeça. Uns mais ortodoxos, mais rígidos,outros menos, mas tentanto fazer da politica algo de mais "positivo" do que a frase de Maquiavel, pode fazer crer.
Estou no Bloco. Não sei se sou ortodoxa, segundo a tua prespectiva...rígida duvido que possas achar...e sinto-me bem lá. Isto deve significar que me sinto livre lá.Apesar de, às vezes, me apetcer desatar à porrada a muita gente...mas não é isto estar vivo? e acreditar que pensar pela própria cabeça é sinal de que se está vivo??
Ah e quanto ao Miguel. Não ponho as mãos no fogo. Esta memória já não é o que era...mas quase que apostava que foi de Rocard uma citação que ele fez numa sessão pública, na passada semana na Associação 25 de Abril, sobre o CPE. Quase...quase...mas como não tenho a certeza, fico-me pelo quase...quase...com quase a certeza que não estou enganda. :):) (agora dei um certo ar de Cavaco, não??? brrrrrr)
Publicado por: isabel faria às abril 12, 2006 09:50 AM
Bem, Isabel. Não te conheço pessoalmente mas penso que nao seràs rigida, devido aos textos por vezes bastante interessantes que aqui publicas sobre temas bem pouco "rigidos"... Se o Miguel citou o Rocard, ainda bem; mas convém saber a que corresponde citar: se é apenas por razões tàcticas ou por outras. Tudo bem. Foi o facto de o chora ter citado o homem que me levou a reagir. Td bem.
Publicado por: dacar às abril 12, 2006 09:59 AM
Pelos vistos a Faria e a sua troupe do PRP agora no BE cumpre a tradição de atirar contra...os ex-comunistas! Afinal, a tradição ainda é o que era...e vamos ter certamente mais fogo de artifício. E logo o Chora com aquela de "somos todos jovens franceses" só veio atiçar a guerrilha.
Publicado por: Margarida às abril 12, 2006 10:13 AM
dacar, essa parte de ser por razões tácticas ou não, já não posso garantir. Quero acreditar que não (se foi mesmo dele a citação...). Mas não ponho as mãos no lume por ninguém...nem por mim!!!! ( tenho a ideia que vou levar com a margarida, por causa disto...tou feita!!! Socorro!!!)
Ah e ainda bem que não me achas rígida...a sério. Não estou a brincar. Detestaria ser essa a ideia que dou de mim..porque não creio que corresponda à verdade...e porque não gosto nada de pessoas rigidas.
Publicado por: isabel faria às abril 12, 2006 10:27 AM
Daccar, citar Michel Rocard, não quer dizer que politicamente concorde com ele.
Em situações pontuais de análise politica podemos estar de acordo, (com alguma modéstia) eu estou de acordo com algumas análises dele, mas só para dar um exemplo claro de discordância recente, temos a sua decisão de apelar ao voto SIM à Constituição Europeia, (eu sou a favor de uma Constituição Europeia mas NÂO daquela Constituição)
Mas sendo ele um homem das esquerdas europeias, não tenho nenhum problema de pontualmente nos encontrarmos em opiniões e de discordarmos (discordar eu) de outras.
Publicado por: Antonio Chora às abril 12, 2006 12:56 PM
Eu jà aqui disse que nunca voto. Mas sobre a constituição europeia apenas lhe chamo a atenção para o seguinte. O voto não, defendido de facto por Rocard, tinha gente da mais esquisita a defendê-lo - a extrema direita (Le Pen), os soberanistas da direita (Villiers), os soberanistas de esquerda (Chevènement), os trotskistas da LCR (Krivine-Besancenot), os vira-casacas oportunistas socialistas (Laurent Fabius)... Perante isto acho que o BE com o seu apelo ao Nao (eu disse-o pessoalmente a Miguel Portas) estava muito mal acompanhado. Eu ão Votei, mas prefiro a companhia de Rocard, mesmo de Chirac, Strauss-Khan ou Ségolène do que os outros. O Nao ganhou em França por variadas razões, mas uma delas foi SEM DUVIDA por causa do voto extremista de direita, que neste pais conta com mais de 25% do eleitorado!!!!! Foi ou não assim?
Publicado por: dacar às abril 13, 2006 10:13 AM
Como se compreende, hà um erro no texto anterior... Rocard defendeu de facto o Sim... era isso que queria dizer, claro
Publicado por: dacar às abril 13, 2006 10:35 AM