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maio 31, 2006

Para mim é uma afronta.

Não deve haver pessoa que goste mais de futebol do que eu. Muito em particular do meu clube e da minha selecção, mas daí até isso me tolher o pensamento ainda vai um bom bocado, como se costuma dizer.

Eu trabalho numa empresa onde se pára a produção para ver os jogos das selecções nas grandes competições. Foi assim no Euro e será assim no Mundial. Neste momento, tanto quanto sei apenas falta acordar com os trabalhadores a forma de se pagar esse tempo de paragem. No Euro o que se fez foi no dia a seguir prolongar-se o tempo que se tinha estado parado a ver o jogo. Não deverá diferir muito desta vez. Mas sei perfeitamente que isto é um caso raro. A maioria dos trabalhadores não vai ter esta possibilidade. A maioria não, mas os políticos podem. Podem alterar a sessão plenária de tarde para de manhã para poderem assistir ao jogo de cadeirão. Podem, porque é disso que se trata, trabalhar apenas meio dia decidindo eles próprios sobre a sua folga à tarde. Mas se a sessão passa para de manhã, será que podemos depreender que de manhã os nossos deputados não tinham nada para fazer? Não havia audições, comissões ou qualquer uma das outras coisas que se devem fazer no Parlamento????

Será que é assim que se quer credibilizar a política. Não sei quem foi ou foram os partidos favoráveis a esta alteração, não sei se foram todos ou apenas a maioria, se foi o PS com partidos à esquerda ou à direita. O que me parece certo é que esta situação demonstra bem o profundo desrespeito que a classe política tem pelos trabalhadores que nesse dia, por muito que gostassem de ver o jogo, vão ter de estar nos seus trabalhos.

Sinceramente esperava que alguém se tivesse demarcado desta coisa. Mas ninguém o fez, pelo menos que eu tivesse ouvido.
Em nome daquilo que represento, dos valores que defendo e do Partido onde milito e sou dirigente só posso mesmo é pedir desculpa a todos os que sentiram esta alteração como uma afronta, tal como eu a senti.

Publicado por Daniel Arruda às maio 31, 2006 08:33 PM

Comentários

Não me parece grave. É uma decisão consensual ao que li. Grave é fazerem as coisas nas nossas costas. É fazerem de conta que estão e não porem lá sequer os pés. Ou antecipar a saída, sem passarem cavaco, para terem um fim de semana mais prolongado. É receberem por viagens que não fizerem, é acumularem funções, "perigosas", é receber dinheiro para, supostamente irem fazer trabalho politico nas regiões em que foram eleitos e nunca lá aprecerem. Uma alteração de agenda é nada... acho que até lhes fica bem. Não é por ser a selecção portuguesa. É porque acharam que na actual situação era bem mais útil para os trabalhos, reorganizarem a agenda. Mas às claras. Sinceramente, não me choca nada isso. Choca-me é a maoiria ser uma cambada de inúteis.

Publicado por: Fernando às maio 31, 2006 11:26 PM

Daniel, lembro-me que desde os tempos da novela Gabriela, em que o Parlamento parava á hora da novela, que é certo e sabido que certos acontecimentos fazem parar o país, e o parlamento.

Se queseres até prefiro as coisas clarinhas, do que á hora dos jogos ficarem maia-dúzia de parlamentares no hemiciclo e os restantes nos corredores a verem os jogos.

É claro que na campanha levada a cabo contra o Parlamento esta é mais uma forma de denegrir este bastião da Democracia.

Por isso não vou embarcar em mais este ataque descabelado , pois a alternativa era mais uma falta generalizada de deputados.

E mesmo nas empresas sabemos que nestes dias o absentismo aumenta, e quem não se balda, tem o radio, e está mais interessado no jogo do que no trabalho.

Publicado por: a.pacheco às junho 1, 2006 10:40 AM

pacheco, não entendi, "pois a alternativa era mais uma falta generalizada de deputados.". Será que queres com isso dizer que todos os trabalhadores deste país têm o direito de alterar o seu horário de trabalho para que não ter de faltar? Eu quando tenho obrigações não vejo jogos. Já tive de oferecer bilhetes a amigos porque á última da hora tive de saír em serviço e nem me passou paela cabeça sequer dizer que não podia porque tinha um bilhete para um jogo.
Já agora não percebi essa das campanhas para se denegrir o bastião da democracia. Se os políticos querem ser respeitados têm mais é de se dar ao respeito e não darem constantemente o flanco. É que as histórias são mais que muitas já.

Fernando, a questão não está no alterar. A questão está no princípio. Se é para uns é para todos e decrete-se feriado nacional,ou tolerância de ponto para todos fazerem a mesma coisa.
Essa do fazer ás claras parece-me um pouco a história que um gajo até pode roubar, desde qu enão o faça ás escondidas até está tudo bem.

Publicado por: Daniel Arruda às junho 1, 2006 06:24 PM